/A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

A contação de histórias como estratégia pedagógica pode contribuir significativamente com a prática docente na Educação Infantil e Ensino Fundamental. Isso porque, além de educar e instruir, a contação de histórias contribui para o processo de ensino e aprendizagem (SOUZA,  2007). Coelho (2000) aponta que a criança aprende com o lúdico, jogos, brincadeiras e a história contada de forma agradável desperta o interesse do aluno para o aprendizado.

Quando trabalhada desde a infância, a contação de histórias pode estimular a leitura, como também estimular a aprendizagem acerca da decodificação do código linguístico. Segundo Bamberger (1991, p. 10) “a leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem”.

 Várias fontes de aprendizagens podem ser desfrutadas com as histórias, contribuindo desde o incentivo à leitura e escrita até a noção de valores e sentimentos vivenciados pelo ser humano, manifestados durante a escuta de uma história. Estas noções de valores possibilitam uma reflexão da criança sobre o convívio em sociedade.

Deste modo, o docente deve propiciar momentos de leitura de estimular a formação de leitores e escritores buscando interação e ludicidade na literatura infantil.

Bettelheim (1992) afirma que o professor que utiliza contos de fadas na sala de aula conta com um precioso recurso da literatura infantil, podendo viabilizar a articulação entre os eixos propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, as áreas do conhecimento, de maneira significativa e prazerosa para as crianças. O autor aponta que o conto de fadas antecede de uma maneira consoante ao caminho pelo qual uma criança pensa e experimenta o mundo e por essa razão os contos são convincentes para ela.

 De acordo com Bettelheim (1992) a contação de histórias é um dos instrumentos mais importantes que auxiliam na formação do indivíduo. Porém, pelo que se observa, atualmente esse método não é praticado no cotidiano escolar. E cada vez mais a contação de histórias se distancia do cotidiano das crianças.

A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA

O professor pode utilizar de alguns recursos para enriquecer a contação, tais como: personagens de fantoches, avental com velcro, baú com alguns objetos, podem auxiliar e estimular a compreensão e envolvimento durante a história.

De acordo com Abramovich (1991) o professor/contador de histórias necessita de alguns preparos: 1. Saber escolher o que vai contar, levando em consideração o público e com qual objetivo; 2. Conhecer detalhadamente a história que contará; 3. Preparar o início e fim no momento da contação e narrá-la no ritmo e tempo que cada narrativa exige; 4. Evitar descrições imensas e com muitos detalhes, favorecendo o imaginário da criança; 5. Mostrar à criança que o que ouviu está ilustrado no livro, trazendo-a para o contato com o objeto do livro e, por consequência, o ato de ler; 6. E por último, saber usar as possibilidades da voz variando a intensidade, a velocidade, criando ruídos e dando pausas para propiciar o espaço imaginativo.

 Como nota Busatto (2005), para que a contação seja bem-sucedida, o narrador deve contar com o coração, de modo que se identifique com o conto e permita que o ouvinte também o faça. Acrescenta que “antes de sensibilizar o ouvinte o conto precisa sensibilizar o contador” (BUSATTO, 2005, p. 47).

Deste ponto de vista, Busatto (2005) considera que: O envolvimento afetivo com a história narrada permite maior flexibilidade ao narrador, pois ele poderá perceber como ela atua junto aos ouvintes, e assim conduzir a narrativa para que aquelas demandas sejam atendidas. Cada narrador imprime sua personalidade ao conto, priorizando passagens que mais lhe impressionam, reforçando alguma imagem que lhe toca de uma maneira especial, uma intenção que considera primordial, e isto é natural, se pensarmos na narrativa como uma atividade dinâmica que atua sobre os diferentes níveis de realidade. (BUSATTO, 2005, p. 48)

 A postura corporal do narrador pode contribuir para a contação da história. O conto pode ser narrado sentado ou em pé, de modo que se sinta mais confortável, o importante é ter uma postura corporal ereta e equilibrada, com musculatura relaxada, pois dessa forma o corpo se encontra mais flexível e a expressividade corporal transmite uma linguagem do corpo harmoniosa. Tais posturas externas estão relacionadas com a postura interna. “Ao se permitir internamente, fica mais fácil soltar o corpo, e estas são condições favoráveis à narrativa” (BUSATTO, 2005, p. 72).

A contação de histórias, para ter um bom resultado, deve ser realizada em um ambiente harmonioso, com um espaço físico adequado e aconchegante, de modo que o aluno se sinta confortável e interessado durante a contação. O professor ou contador precisa gesticular e expressar enfatizando os pensamentos, sentimentos e atitudes dos personagens, despertando a imaginação e sentimentos dos alunos, conforme aponta Abramovich (2005).

A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Vemos que o lúdico estimula a criatividade da criança fortalecendo processos de interação e criação, contudo, o trabalho com a preservação do ambiente estreita a relação homem- natureza. Literaturas sobre educação ambiental oferecem oportunidades para explorar o estudo de ciências, defende Tahan (1966), a contação de histórias promove o enriquecimento de conhecimentos sobre animais, plantas, natureza, ciências e artes.

Busatto (2005,   p. 39) acrescenta que “as Ciências Naturais também serão favorecidas pelo conto, pois aqui pode- se pesquisar desde o ambiente onde este povo vive, até quem é esse povo, quais são seus hábitos, sejam eles alimentares, higiênicos, e como eles afetam este homem”.

Ressaltamos neste trabalho a importância do aluno, já nos primeiros anos do Ensino Fundamental, ter contato com os conhecimentos científicos, o que pode ser feito com o auxílio da contação de histórias, pois, neste período, estará apto a construir repertórios de imagens, fatos e noções, essenciais para o estabelecimento dos conceitos científicos, o que se configurará nos terceiros e quartos ciclos do Ensino Fundamental (BRASIL, 1997).

No entanto, Francisco (2015), que visou observar a contação de histórias enquanto recurso para o Ensino de Ciências no Ensino Fundamental I, observou que a prática da leitura em voz alta é a mais utilizada para a transmissão de histórias. A narração oral, aquela que se vale   somente da memória, da voz, da expressão corporal e sem o auxílio do livro, praticamente inexiste no ambiente escolar.

Para os docentes entrevistados no estudo, o contar histórias em ambiente escolar foi visto como algo de extrema importância mesmo com a falta de técnicas, de repertório de histórias para cada faixa etária, de dificuldade de “como contar” e falta de domínio dos conteúdos científicos.

Uma possível causa deste fato é que os docentes ainda possuem aspectos tradicionais de ensino e aprendizagem, sejam por carências na sua formação inicial ou até mesmo motivos políticos e econômicos da própria Educação. Essas carências durante a formação inicial acabam trazendo o sentimento de despreparo para ensinar ciências por parte do professor que decide utilizar de assuntos cotidianos (higiene, alimentação, etc.) conduzindo uma aula de forma mecânica (MENDES; TOSCANO, 2011).

É necessário   que o professor disponha de conhecimentos que interfiram de modo indireto e/ou direto no desenvolvimento da criança para a proposição de ações escolares reguladas nos conhecimentos científicos e que sejam capazes de superar práticas espontaneístas (MARTINS, 2011), possibilitando a relação entre o científico e o lúdico.

A leitura em voz alta, quando bem-feita, ou seja, utilizando-se de elementos da contação de histórias, torna-se um momento pleno de prazer, de arte, de estética, que estabelece vínculo com os ouvintes e, narrador e plateia usufruem da experiência da unidade.

Contudo , entendemos que a contação de histórias serve como facilitador do aprendizado, trabalhando através do lúdico e baseado nas experiências vividas pelas crianças, a assimilação do conteúdo se dá de forma descontraída e prazerosa.

Diante da problemática sugerida nas histórias, a criança se sente desafiada a formar hipóteses e estender seus  conhecimentos cotidianos.