/A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O presente artigo científico volta-se para a importância da musicalidade na educação infantil. Descreve a música como uma forma de linguagem que permite à criança comunicar-se, fazendo uso de gestos, cantos e brincadeiras cantadas. Apresenta a música como excelente ferramenta justamente por contribuir com o desenvolvimento integral da criança, em sua parte cognitiva, social e emotiva. Nessa visão, a música tem sido utilizada nas recreações, nos cânticos, brincadeiras, colaborando com a melhoria e evolução da criança, se fazendo presente nas pequenas atividades desenvolvidas em sala de aula, buscando o incremento de suas atitudes, seu comportamento e melhores hábitos. Este trabalho teve como bases de apoio pesquisas bibliográficas, donde foram extraídas conclusões e   opiniões de autores engajados no assunto.

INTRODUÇÃO

A música existe, se faz vigente na vida das pessoas desde muito cedo. Ainda dentro do ventre de sua mãe, a criança tem seu primeiro contato com os sons, com os batimentos cardíacos e aqueles advindos do próprio corpo. Ao nascer, se defronta com outros, com os sons do mundo que o cerca e aqueles próprios da natureza. Durante seus primeiros anos, por dia e dias ouve sua mãe cantarolando com a voz doce e suave, cresce e percebe que o mundo a sua volta é regido pela musicalidade. A música está nos cânticos de ninar, nas brincadeiras, nos brinquedos sonoros, está nas danças, nos momentos fúnebres, nas lutas e ainda funciona como marco em certos momentos. Ela está na vida, nos costumes e tradições de um povo, nas festas e recordações especiais.  A música é simplesmente assim, algo que contribui, auxilia e colabora com a fixação de algumas regras, que possibilita certos aprendizados e ainda ajuda na coordenação.

A música está presente em diversas situações da vida humana. Existe música para adormecer, música para dançar, para chorar os mortos, para conclamar o povo a lutar, o que remonta à sua função ritualística. Presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as festividades e os momentos próprios a cada manifestação musical. Nesses contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e assim começam a aprender suas tradições musicais. (RCNEI, 1998, p.47)

A música lança o homem no tempo, faz retomar a lembrança de sentimentos e marcar períodos. Pode- se dizer que é uma ótima ferramenta no processo de aprendizagem, que se liga à vida, assinala histórias, exprime as memórias das pessoas, da sociedade, do povo, marca presença no agora, no ontem e no futuro. É algo que se faz inegável, que em certos pontos contribui na constituição do homem, no aprendizado das crianças, que colabora com a criatividade, com a sensibilidade e a imaginação.

Desde o nascimento entramos em contato com os sons, desde que nascemos já estamos predispostos aos sons e as composições, esse é o início do mundo da linguagem; por esse motivo, essa relação precoce favorece inegavelmente o desenvolvimento de nossas aptidões cognitivas, linguísticas e motoras (CÍCERO, Apud SIMIONATO e TOURINHO, 2007, p.370).

Para se trabalhar com a educação infantil, se faz necessário o uso de certos materiais, a escuta de determinadas obras musicais que favorecem experimentos, noções de som e silêncio, além da meditação a respeito da música como obra cultural do ser humano.

O exercício musical pode ocorrer através de brincadeiras, atividades lúdicas que colaboram com a inteligência, canções dos mais variados tipos, emprego de músicas com o bater de palmas, com o emprego de gestos, de imitações e  a expressão corporal, mas para isso caberá ao educador saber o momento oportuno para despertar a curiosidade, à vontade nos alunos em empregar a música como auxiliar no aprendizado.

No Brasil a música vem acolhendo inúmeros objetivos pautados na educação infantil e isso tem colaborado com o desempenho de hábitos saudáveis, melhores condutas, boas atitudes, além de incutir nos alunos datas comemorativas importantes, datas históricas e tradições, sem falar o quão é proveitoso para sua expressão corporal.

O tema desta pesquisa justifica-se por perceber que a música é de extrema importância na educação infantil, pois colabora com o avanço didático, garante benefícios para parte cognitiva, social e emotiva.

O objetivo deste artigo é estudar a importância da música na educação infantil, igualmente sua importância no desenvolvimento da criança.

Quando a música é utilizada na educação infantil, ela coopera com a parte cognitiva, trabalha a parte interativa das crianças e ainda colabora com as questões que envolvem a afetividade. Diante disso, pode-se dizer que a utilização da música na educação infantil leva a bons resultados e colabora com o aprendizado?

Neste artigo optamos pela pesquisa qualitativa que será baseada em artigos científicos, bibliografias de autores como LOUREIRO (2003), CHIARELLI e BARRETO (2005), BRITO (2003), dentre outros. Através dessa pesquisa, busca-se entender a importância da música no aprendizado das crianças frequentadoras da educação infantil.

A análise qualitativa é o estudo do acontecimento em seu ocorrer natural, que leva em atenção todos os elementos e confronta-os estreitamente, e isso a torna desigual da pesquisa quantitativa que se preocupa em estudar os fatos de forma isolada. (ANDRÉ, 1995, p.15).

Esse artigo está disposto em uma discussão de temas. A introdução traz em suas linhas, algumas considerações acerca da música, sua presença marcante nos mais variados momentos. Pretende-se com essa pesquisa, que seja percebido que o emprego da música na educação infantil, pode levar a criança ter uma melhor absorção dos conhecimentos que lhe são passados, além de auxiliar no desenvolvimento de certas potencialidades.

DESENVOLVIMENTO

A música agrega inúmeros benefícios para o incremento infantil, é capaz de ajudar na infância, no desenvolvimento motor e cognitivo, nas relações amigáveis e na vida social. Essa ligação do homem com a música vem de tempos, pode-se dizer que vem muito antes do contato da criança com a alfabetização, quando ainda era um pequeno embrião em desenvolvimento no ventre materno e era embalado pelo som do coração. Ela é assim, sempre esteve presente, seja numa aula, durante brincadeiras cantadas, enquanto se bate palmas, durante a infância, aproximando pessoas, distraindo e entretendo.

O abarcamento da criança com o mundo dos sons inicia precedentemente ao nascimento, visto que, no período intrauterino os bebês já vivem numa atmosfera de sons gerados pelo corpo da mãe, como o sangue fluindo nas veias, a respiração e o mover-se natural do intestino. A voz materna também constitui material sonoro especial e referência afetuosa para eles. (BRITO, 2003, p.35).

Diante dos fatos, o que se percebe é que a prática da música na educação infantil pode contribuir e muito com o desenvolvimento de determinadas potencialidades da criança.

A criança encontra-se em contínua comunicação com o meio e, para que consiga amplificar-se de forma integral, edifica e estabelece o mundo que a abraça, conferindo definições para novas informações e instruindo-se com os experimentos vividos. (STRAVACAS, 2008, p.77)

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI): Pesquisadores e estudiosos vêm traçando paralelos entre o desenvolvimento infantil e o exercício da expressão musical, resultando em propostas que respeitam o modo de perceber, sentir e pensar, em cada fase, e contribuindo para que a construção do conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo. O trabalho com Música proposto por este documento fundamenta- se nesses estudos, de modo a garantir à criança a possibilidade de vivenciar e refletir sobre questões musicais, num exercício sensível e expressivo que também oferece condições para o desenvolvimento de habilidades, de formulação de hipóteses e de elaboração de conceitos. (RCNEI, 1998, p.48)

Nas escolas atualmente existem muitos problemas quando o assunto a ser tratado, refere-se à integração do ensino com a música. Nesse momento torna-se clara a existência de uma discrepância entre o trabalho na área musical e as outras áreas do conhecimento, que deixaram de lado a criatividade, para voltarem- se as atividades de imitação e repetição.

É imprescindível que se inicie o trabalho com a linguagem musical utilizando- se de improvisações, estudos corporais, manuseando, qualificando, historiando, identificando, ouvindo sons e música, por fim, gerando e pensando em música. Por intermédio da música a criança se expressa, em virtude disso, não deve ser encarada como um sendo assim não deve ser vista como um divertimento, ou ser trabalhada de forma extrapolada. O educador deve especular aquilo que se tem de melhor a apresentar como sua parte poética, sua composição, sua atração. Deve ser feita uma combinação entre os deleites que a música promove e sua relevância como forma de demonstração e ainda como algo que repreende e modifica os fatos. (MENDES, 2009, p. 39-40)

Infelizmente alguns professores atuantes da educação infantil cometem equívocos ao alinharem o ensino com as atividades musicais por se julgarem incapazes de realizar certas atividades musicais acreditando que é preciso certas aptidões.

Sabe-se que a música se faz presente em diversas situações da vida humana, que ao longo de anos, foi utilizada nas mais diferentes situações, desde um simples adormecer, uma comemoração de datas, em festas tradicionais e ainda como auxiliar no processo ensino aprendizagem.

A música é uma linguagem mundial, sendo vista como algo participativo na história da humanidade isso desde o início das civilizações. Segundo elementos antropológicos, primeiramente as músicas eram utilizadas nos rituais de nascimento, morte, casamentos, cura de enfermidades e fertilidade.

Com o as primeiras músicas seriam usadas em rituais, como: nascimento, casamento, morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com a evolução da sociedade, a música o desenvolvimento das sociedades, a música foi utilizada nos louvores de líderes. BRÉSCIA (2003, p.45).

“Para as crianças, improvisar ou escutar música não quer dizer que se devem abraçar regras ou notar especialidades, mas viver aquele instante, aprender”. BRITO (2003). É importante que a música seja empregada de maneira que desenvolva na criança certas capacidades e diferenciações como: escutar, discernir os diferentes tipos de sons e diferenças culturais existentes. Vale lembrar que o mais admirável é a ampliação das formas de se comunicar e a expressão por conta de uma boa comunicação. “A importância do ensino de música na escola reside, então, na possibilidade de despertar habilidades e condutas na criança, levando-a a sentir- se sensibilizada pela música valendo-se da criação e da livre expressão.” (LOUREIRO, 2003, p.127).

A música é considerada um instrumento indispensável na educação infantil, justamente por auxiliar no trabalho com as crianças, em virtude disso, deveria fazer parte da vida dos bebês e dos pequenos indefesos, servindo como base na elaboração de determinadas atividades, distanciando o silêncio, dando lugar ao gosto de escutar e o de atuar. Ela desperta uma grande quantidade excitações, é relaxante, incita a aprendizagem e aproxima a atenção dos mais dispersos, é um ótimo estimulador cerebral, sem contar com sua colaboração no desenvolvimento linguístico. “O relaxamento está sujeito à centralização e em decorrência disso, já tem uma ampla abrangência na educação de crianças dispersivas, na reeducação de crianças consideradas hiperativas e ainda como coadjuvante na terapia de pessoas inquietas”. (BARRETO, 2012, p. 109).

Quando uma criança produz algum som, ela não tem consciência que os sons emitidos por ela, são na realidade música. Na verdade, ela não está preocupada em combinar efeitos, ritmos, mas sim em interagir com os objetos que estão a sua volta.            A questão é que ao ouvir uma música, aprender a cantá-la e realizar gestos baseados em sua melodia, a criança se estimula, desenvolve suas habilidades e passa a ter vontade de praticar atividades de cunho musical.

Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos de mãos, etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as para níveis cada vez mais elaborados. (RCNEI, 1998, p. 48).

Na educação infantil as crianças costumam usar da música e integrá-la às suas brincadeiras. Geralmente enquanto brincam, fazem sons com a boca, produzem efeitos dos seus carrinhos, dramatizam, dançam, executam gestos e expressões.

De acordo com CHIARELLI e BARRETO: As atividades musicais levam a várias situações oportunas para que a criança desenvolva suas habilidades motoras, consiga conter seus músculos e agitar-se com desenvoltura. O ritmo envolve uma parte relevante no desenvolvimento e estabilização do sistema nervoso. Isso porque a música atua sobre a mente, beneficiando a descarga emocional, a reação motora, aliviando as tensões. Seja qual for o movimento ajustado a um ritmo é consequência de um acervo íntegro de atividades coordenadas. Em favor disso, as atividades como cantar executando gestos, dançar, bater palmas, pés, são experimentos consideráveis para a criança, pois elas aceitam que se dilate o discernimento rítmico, a coordenação motora, fatores consideráveis também para o processo de aquisição da leitura e da escrita. CHIARELLI e BARRETO (2005, p.3).

Ao se inserir a música na educação infantil, focada na sensibilidade das crianças e não na formação de profissionais, para que se apropriem de maneira cultural, torna-se necessário o entendimento da teoria da musicalização.

A finalidade da musicalização é permitir que a criança tenha chances de ampliar sua inteligência e sua sensibilidade musical a partir do resgate cultural e da valorização da música. De modo, que se ampara na edificação do conhecimento e pode colaborar para o treinamento da cidadania. (CABEÇAS, 2010, p.9).

Despertar o interesse pela musicalidade e principalmente obter êxito no emprego de tal artifício, não é uma tarefa simples, justamente porque para isso a musicalidade tem que ser tratada de maneira didática, e não como uma simples emissão de sons. Na educação infantil, faz-se importante agregar alguns conceitos como a audição de cânticos musicais para promover a linguagem musical e emprego do som e o silêncio.

Segundo BRITO (2003) temos algumas atividades que devem estar presentes em creches e pré-escolas, como a tarefa vocal, a explanação e invenção de canções, brincadeiras cantadas e rítmicas, jogos que reúnem som, movimento e danças, jogos de improvisação, sonorização de histórias, construção de instrumentos e objetos sonoros, além de escuta sonora e musical.

As atividades empregadas devem respeitar o nível de percepção intelectual para que seja possível o melhor desenvolvimento da comunicação e expressão transmitidas por essa linguagem.

O canto desempenha um papel de grande importância na educação musical infantil, pois integra melodia, ritmo e — frequentemente — harmonia, sendo excelente meio para o desenvolvimento da audição. Quando cantam, as crianças imitam o que ouvem e assim desenvolvem condições necessárias à elaboração do repertório de informações que posteriormente lhes permitirá criar e se comunicar por intermédio dessa linguagem. É importante apresentar às crianças canções do cancioneiro popular infantil, da música popular brasileira, entre outras que possam ser cantadas sem esforço vocal, cuidando, também, para que os textos sejam adequados à sua compreensão. (RCNEI, 1998, p. 59).

As melodias usadas com as crianças de menor idade necessitam ser fáceis e com poucas palavras para que elas se apropriem da musicalidade de maneira mais tranquila e prazerosa. Os gestos corporais também não podem ter movimentos bruscos ou excessivos para que a criança não pare de cantar para copiá-los.

O professor deve utilizar de situações que despertem maior interesse nas crianças, utilizando-se talvez de jogos que trabalham a memória auditiva e musical.

Outra atividade interessante é a sonorização de histórias. Para fazê-lo, as crianças precisam organizar de forma expressiva o material sonoro, trabalhando a percepção auditiva, a discriminação e a classificação de sons (altura, duração, intensidade e timbre). Os livros de história só com imagens são muito interessantes e adequados para esse fim. Neste caso, após a fase de definição dos materiais, a interpretação do trabalho poderá guiar-se pelas imagens do livro, que funcionará como uma partitura musical. Os contos de fadas, a produção literária infantil, assim como as criações do grupo, são ótimos materiais para o desenvolvimento dessa atividade que poderá utilizar- se de sons vocais, corporais, produzidos por objetos do ambiente, brinquedos sonoros e instrumentos musicais. (RCNEI, 1998, p. 62).

As historinhas utilizadas em salas de aula também podem estimular a sonorização das crianças de diversas maneiras. O professor pode estimular seus alunos a reproduzir os sons narrados na história para deixar a história mais envolvente e interessante.

A movimentação corporal é tão importante quanto o ouvir da música, isso porque as crianças se expressam de maneira global. Quanto ao repertório o mesmo deve ser bastante variado e enriquecido por um universo de elementos que apresentem diferentes elementos que transcorram todos os gêneros e estilos musicais.

Podem ser criados diversos materiais sonoros bem como introduzir brinquedos sonoros geralmente populares que auxiliem e facilitem o aprendizado e a introdução da musicalidade de maneira mais agradável.

O   trabalho    com a musicalidade deve ser introduzido nas instituições de ensino de educação infantil como uma ferramenta que venha a ampliar os recursos educacionais através de materiais inclusivos, do seu dia-a-dia ou presentes na cultura da criança, podendo ocorrer por intermédio de jogos, interpretação e composição, permitindo que a criança aprenda toda a didática de forma motivadora e condizente com sua idade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se que a música acompanha a humanidade há muitos anos, que faz parte da vida, das histórias e das tradições de um povo. Por meio dela é possível relaxar, tornar fatos irrisórios, em momentos inesquecíveis, guardar na memória algo especial. No aprendizado a música tornou-se uma grande facilitadora do processo aprendizagem da criança, no desenvolvimento de suas habilidades, na parte cognitiva, social e afetiva. É através dela, que a criança desbrava o mundo, trabalha sua expressão corporal, aprende a ter bons comportamentos, atitudes e hábitos mais saudáveis. A música é um instrumento de grande valia no processo educativo, pois colabora com a parte social, com o desenvolvimento das habilidades e o lado motor da criança, sem falar que é capaz de remeter à lembrança, conduzir ao início, mexer com as emoções, traduzir-se em sorrisos e ficar pra sempre na memória.

Ao unir a música com as brincadeiras, a criança evolui sua capacidade de associar símbolos, alcança seu desenvolvimento integral, colabora com a comunicação, tem acesso a informações culturais e de grande valia histórica e social, sem contar que beneficia a parte motora e suas habilidades com outras linguagens.

Por: TAMARA TOUPITZEN