/A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA INFÂNCIA

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA INFÂNCIA

As brincadeiras e os jogos fazem parte da realidade e do cotidiano das crianças, principalmente na idade de 0 (zero) a 7(sete) anos. No contexto escolar, durante parte desse período de vida as crianças fazem parte da Educação Infantil. De tal forma, a fase da infância está envolvida em jogos e brincadeiras na maioria das atividades, com foco no desenvolvimento das crianças.

O lúdico e a aprendizagem estão em estreita ligação, pois, os jogos e as brincadeiras são situações de aprendizagem que contribuem para o desenvolvimento infantil. Vygotsky (1989) analisa que o desenvolvimento infantil ocorre a todo tempo e que a criança se utiliza de interações sociais.  Levando isso em conta cabe ao educador proporcionar experiências diversificadas que trarão o desenvolvimento infantil e que irão fortalecer a autoestima, aceitando e apoiando a criança sempre que necessário Segundo Santos (2000), durante séculos as atividades lúdicas foram vistas sem importância, foi a partir de 1950, por influência do avanço dos estudos sobre a criança, que as atividades lúdicas começaram a ser valorizadas.

Uma das atividades lúdicas conhecidas são os jogos e, segundo Carneiro (2003), primeiramente os jogos tiveram origem:

Nos ritos religiosos, nas festas culturais, nas atividades de iniciação, portanto, faziam parte dos costumes populares. Incluíam lendas, ritos, mitos e arte, entre outros casos, registrados desde os povos primitivos” (CARNEIRO; 2003, p.11)

 O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. Com isso é fundamental que durante a formação do educador exista um grande foco para o lúdico, que leve o profissional a perceber a importância do jogo para o desenvolvimento infantil, levando em conta     a     criatividade, a sensibilidade e a afetividade.

Cunha (2001) afirma que o brincar sempre está presente na vida do ser humano. As primeiras atividades lúdicas, ainda quando bebê são ações exploratórias ricas em descobertas que podem ocorrer pela manipulação de objetos e brinquedos.

A autora também mostra a importância de diferentes tipos de brincar na infância: brincar sozinho, brincar de faz-de- conta, brincar com outras pessoas, brincar em grupo, brincar correndo, saltando, pulando, brincar experimentando e desenvolvendo habilidades, brincar inventando, brincar aprendendo, brincar jogando e competindo e brincar de trabalhar.

Sobre um dos tipos de brincar apresentados, as Orientações Curriculares da Educação Infantil (2007), afirmam que:

Por meio do brincar do faz-de-conta, as crianças buscam separar contradições, motivadas pela possibilidade de lidar com o acaso, com a regra e a ficção, e pelo desejo de expressar uma visão própria do real, embora por ele marcada. (SÃO PAULO; 2007, p. 56)

Piaget   (1998) analisa o jogo como essencial para a criança e como facilitador do desenvolvimento infantil, ela se utiliza de jogos e brincadeiras desde muito pequena.

Piaget (1998) estabelece fases para explicar o desenvolvimento               e apresenta o jogo de exercício, que é quando há a repetição de alguma situação, o jogo simbólico, baseado na representação de situações, e o jogo de regras.

Ainda, Piaget, (1996) destaca:

…nos    seus primeiros meses de vida a criança já vivência grande ebulição afetiva, que deixará marcas indeléveis no seu aparato psíquico. Seu ego começa a estruturar-se durante esta fase. Movida pelo princípio de prazer, e contrariada pelas inevitáveis frustrações que o meio lhe impõe, a criança passa pouco a pouco a ser regida pelo princípio de realidade: abandona a “onipotência” que fazia confundir desejo e realidade, e passa interpretar o meio em que vive. (PIAGET, 1996, p.5)

Moyles (2006) revela que Piaget  distinguiu três  tipos  de   brincar: há o brincar prático caracterizado pelo brincar sensório-motor e exploratório, de bebês dos 6 meses aos 2 (dois) anos; um outro tipo de brincar, é o brincar simbólico que ocorre na fase pré-escolar da criança, é caracterizado pelo brincar de faz-de- conta, de fantasia e o brincar sócio dramático da criança, de 2 (dois) aos 6 (seis) anos. Quando a criança está na fase do brincar simbólico ela dramatiza, desempenha papel social. É uma ótima oportunidade de a criança desenvolver a criatividade e utilizar livremente a sua imaginação e adquirir habilidades sociais, intelectuais, criativas e físicas. Há também os jogos de regras que caracterizam as atividades das crianças a partir dos 6 (seis) ou 7 (sete) anos de idade.

Assim como a autora, Negrines (2000) também apresenta algumas idéias dos psicólogos:

Psicólogos contemporâneos (Piaget, Wallon, Vygotsky, etc.) também    deram destaque ao brincar da criança, atribuindo-lhe papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano (maturação e aprendizagem); embora, os enfoques tenham diferenças significativas, seja na dimensão que cada um atribui ao jogo, seja em relação ao seu surgimento no processo evolutivo humano. (NEGRINES; 2000, p.18)

Moyles (2006) também analisa que para aplicar o brincar no currículo devemos dar oportunidade de isso ocorrer, proporcionando materiais, acessórios e situações nas quais as crianças tenham a liberdade de brincar e de aprender por meio dessa atividade.

 Acerca sobre o currículo, o documento Orientações Curriculares da Educação Infantil (2007) também apresenta a importância do brincar estar presente no espaço escolar:

A criança teria na brincadeira que faz com outra criança, ou sozinha, oportunidade para usar seus recursos para explorar o mundo, ampliar sua percepção sobre ele e sobre si mesma, organizar seu   pensamento e trabalhar seus afetos, sua capacidade de ter iniciativa e ser sensível a cada situação. (SÃO PAULO; 2007, p. 54)

De acordo com Cunha (2001), o brincar é importante na infância, pois traz contribuições para o desenvolvimento, para a exercitação potencialidades, para o aprendizado de uma maneira rica, a criança aprende fazendo e para o desenvolvimento da sociabilidade.

É importante que exista o incentivo e a valorização do brincar. No brincar o envolvimento do adulto torna-se importante quando ele faz contribuições por meio de estímulos. As crianças por meio do brincar têm a chance de desenvolver habilidades sociais, cognitivas e linguísticas.

Segundo Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998):

Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das ideias, de uma realidade anteriormente vivenciada. (BRASIL; 1998, p.27)

De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998), o brincar também pode proporcionar situações em que as crianças precisem acionar seus pensamentos para que consiga resolver problemas significativos que aparecem. É por meio da   brincadeira que a crianças poderá experimentar o mundo e ampliar sua compreensão sobre ele.

Segundo Bettelhim (1987):

A brincadeira permite que a criança resolva de forma simbólica problemas não – resolvidos do passado e enfrente direta ou simbolicamente questões do presente. É também a ferramenta mais importante que possui para se preparar para o futuro e suas tarefas. (BETTELHIM; 1987, p.168)

Acerca das vivências, o brincar será estruturado a partir de materiais oferecidos para as crianças e é por meio da interação com os materiais e com os outros que as crianças transformam em algo simbólico.

O documento Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) apresenta o brincar como um dos princípios que devem embasar as experiências oferecidas: “o direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, pensamento, interação e Comunicação infantil.          (BRASIL; 1998, p.13)

Ao levar em conta a importância do brincar na infância, o professor assume o papel de proporcionar e estimular o uso de jogos e brincadeiras com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento e aprendizagem infantil. Ele também agirá como observador e mediador, a fim de trazer novas propostas e intervenções, de acordo com a necessidade das crianças.

 POR: LAÍS LOPES ROBLES