/ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E SUA INTERVENÇÃO NO PROCESSO ESCOLAR

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E SUA INTERVENÇÃO NO PROCESSO ESCOLAR

Este artigo tem como objetivo nos fazer refletir sobre as diversas Dificuldades de Aprendizagem existentes no processo escolar, dificuldades estas que vem afetando grande parte do progresso escolar e atingindo    o desenvolvimento global da criança incluindo as diversas reações no decorrer da Alfabetização. Para tanto, é possível observar que no processo de ensino e aprendizagem existe uma grande diversidade de dificuldades, dificuldades estas que surgem no decorrer dos anos e envolvendo uma enorme quantidade de crianças. O educando está diretamente ligado     ao meio em que vive, ou seja, o interagir desse aluno surge a partir      daí, considerando que ele não é um ser neutro. Por isso, no processo é importante considerar as diversas imagens e seus principais sentidos na alfabetização inicial, pois sendo a criança um ser que tem uma determinada cultura e vive em um determinado espaço social é fundamental considerar seus estímulos, habilidades e potencialidades e certamente haverá um processo positivo.

Sabemos que o processo de alfabetização inicial no Brasil é marcado por um enorme fracasso e consequentemente reproduz um grande número de desistência dos alunos principalmente quando nos referimos a crianças de escola pública e assim vem apresentando um resultado negativo e uma defasagem muito grande, e isso certamente tem prejudicado a aprendizagem dos educandos que saem das séries iniciais. O fato é que essa realidade existente nas escolas brasileiras e de modo geral, formam alunos que mal conseguem ler e escrever, que não sabem ao menos interpretar e produzir pequenos textos e sem dúvidas estes são reflexos das diversas Dificuldades de Aprendizagem, dificuldades estas que na maioria das vezes não são consideradas como questões ligadas ao desenvolvimento geral do processo escolar.

Guiomar Namo de Mello em seu artigo diz que:

“as últimas estatísticas do MEC dão conta de que em 1982, como não há pelo menos quatro décadas, cerca de 50% dos alunos matriculados na primeira série do 1º grau não conseguiram concluí-la. Fracassaram logo no início da escolaridade, por abandono da escola ou repetência”.

Por isso, no primeiro momento é fundamental considerar que o processo de ensino e aprendizagem não existe por si só e então se faz necessário considerar os diversos fatores que acompanham o mesmo. Pois a aprendizagem surge desde o convívio familiar interligando o  processo  escolar,  processo este que tem como fundamento possibilitar uma melhor reflexão, avaliação e  solução  em  relação  às diversas Dificuldades de Aprendizagem existentes no ambiente escolar que obviamente envolve o educando interferindo em seu desenvolvimento e sem dúvida é  importante  considerar   desde  já os aspectos cognitivos, pois é através dos estímulos que a criança identifica não somente os símbolos, mas também as letras.  As chamadas dificuldades estão presentes a partir de diversos aspectos, dificuldades estas que podem parecer simples, mas certamente tem uma grande influência no desenvolvimento da criança e muitas vezes surgem a partir da interação com o meio em que vive e a relação com o ambiente escolar, envolvendo também a coordenação motora e os aspectos cognitivos. É possível considerar também que as diversas dificuldades de aprendizagem muitas vezes   estão   associadas a problemas de outra natureza, principalmente comportamentais e emocionais.

Segundo

(GRIGORENKO, STERNEMBERG, 2003, p.29),

“Dificuldade de aprendizagem significa um distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos no entendimento ou no uso da linguagem, falada ou escrita, que pode se manifestar em uma aptidão imperfeita para ouvir, pensar, falar, ler, escrever, soletrar ou realizar cálculos matemáticos”.

Com a permanência das diversas Dificuldades de Aprendizagem envolvendo alunos da escola pública  no  processo  de Alfabetização e Letramento, diversas pesquisas relatam que são muitas as crianças encaminhadas para atendimentos especializados, pois cada vez mais aumenta o índice de reprovação, porém diante das pesquisas envolvendo este  tema é fundamental considerar que o papel do professor neste processo é de grande importância para identificação e atuação junto a toda equipe interdisciplinar na escola. Diante desse assunto, é possível levar em consideração os últimos resultados envolvendo o número de crianças com Dificuldades de Aprendizagem no Brasil.

Diante  das         diversas potencialidades existentes é fundamental que o professor com seu papel fundamental na busca por uma educação de qualidade ultrapasse a mera questão da alfabetização, sendo que cada criança apesar das dificuldades é capaz de superá-las sendo persistente nesse processo, mas para que isso aconteça é necessário um olhar significante na busca por uma melhoria, considerando que algumas crianças terão uma forma diferenciada de aprender.

Sendo assim, a partir do momento em que a criança é inserida no ambiente escolar a mesma agrega conhecimentos e cria habilidades na aprendizagem, fator muito importante para seu desenvolvimento na sociedade acadêmica, mas para que isso aconteça de forma positiva é importante considerar a inserção da família como peças fundamentais que devem fazer parte durante todo este período. No entanto, a partir da colaboração de toda equipe escolar e familiar  é  possível observar se a criança apresenta dificuldades em sua  aprendizagem  em  sala de aula com maior facilidade, e assim, certamente será mais fácil planejar e oferecer novos métodos para trabalhar com a criança e desenvolver conhecimentos em seu ambiente escolar, e assim o alfabetizar terá mais possibilidades e se tornará um processo qualitativo. Quando pensamos nas Dificuldades de Aprendizagem presentes no meio escolar, não devemos pensar simplesmente que este é um processo que interfere apenas no período de alfabetização, pois sem dúvidas ultrapassa a questão do ensinar a ler e escrever, pois a escola é o espaço que permite às crianças receberem, não apenas conhecimentos formais, mas também toda a bagagem histórica, cultural e social que a humanidade construiu durante os séculos.

Sendo  assim,  este  trabalho tem o intuito de apresentar as Dificuldades de Aprendizagem, ultrapassando  uma   formação ética com o intuito de preparar o educando para a sociedade, ou  seja, é fundamental que toda equipe gestora em prol de uma educação qualificada busque uma junção eficiente  entre  pais,  professores  e comunidade para identificar os problemas existentes no meio educacional e assim proporcionar diversas possibilidades de mudança pensando em um mundo melhor.

Segundo Pérez (2002, p. 66) a alfabetização,

“é um processo que, ainda que se inicie formalmente na escola, começa de fato, antes de a criança chegar à escola, através das diversas leituras que vai fazendo do mundo que a cerca, desde o momento em que nasce e, apesar de se consolidar nas quatro primeiras séries, continua pela vida afora. Este processo continua apesar da escola, fora da escola paralelamente à escola”.

 Portanto, sabemos quão amplo é o processo  de  alfabetização, mas  sabemos  também  que  dentro desse processo existem diversas intermediações no  qual  de certa forma pode interferir seja positivamente ou negativamente e As Dificuldades de Aprendizagem quando identificadas certamente podem influenciar constantemente o processo de ensino e aprendizagem, mas para que isso seja visto de forma positiva e tratado com um olhar qualitativo é preciso que a Instituição de Ensino juntamente com toda equipe escolar trabalhem juntos com objetivos voltados para possibilidades de superação  e  não com a exclusão das mesmas  e é claro sendo o professor um mediador e uma peça fundamental nesse processo.

O PROCESSO ESCOLAR DE ALFABETIZAÇÃO E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Quando pensamos no processo de alfabetização, logo nos vem à mente o grande avanço e sem dúvida é possível considerar a alfabetização como uma grande conquista, pois até o final da Segunda Guerra Mundial uma boa parte da população era analfabeta, e foi a partir daí que a escola passou a ser um lugar importante com uma fundamentação voltada para a urbanização e a industrialização. A partir dessa era em meados de 1950, além de existir grande imigração da população que residia na zona rural para a zona urbana, houve uma grande preocupação em preparar as novas gerações para a sociedade aumentando então o número de crianças matriculadas, mas o analfabetismo continua até os dias de hoje e com um marco muito grande na sociedade atual.

Certamente a alfabetização, ou melhor, o ato de ensinar a ler e escrever é uma das maiores riquezas de nosso país, pois o mesmo possibilita uma construção ética, moral, social e cultural para o indivíduo e facilita sua relação na sociedade em que vive.

Segundo Ávila:

(…) alfabetização, em sentido comum, é o ensino das técnicas de leitura e escrita. Entretanto, como a leitura e escrita são apenas instrumentos para a formação humana, constituindo parte do processo educativo tomado como um todo, o termo alfabetização tem hoje um sentido mais amplo e funcional, abrangendo a soma de conhecimentos, habilidades, hábitos e atitudes que permitem ao indivíduo não só apossar- se dos elementos culturais entesourados pela humanidade através da linguagem escrita, mas, sobretudo, participar de maneira mais consciente e efetiva na vida comunitária. (apud ANDRADE, 1999, p.15)

Mesmo sendo a alfabetização um processo fundamental   para o desenvolvimento geral da sociedade, a escola ainda carrega características históricas muito fortes que partem desde o fracasso escolar atingindo também a estrutura física e a formação continuada de professores e isso é um dos resultados do ainda existente analfabetismo no Brasil e certamente todos estes aspectos colaboram para o surgimento das Dificuldades de Aprendizagem. O fato é que, quando paramos para refletir em relação à educação envolvendo a alfabetização, é possível relembrar também que vários são os reflexos trazidos desde a antiguidade até os dias de hoje, pois partindo das humildes escolas com salas de aulas adaptadas, com alunos de diversas séries, pouco material pedagógico, muito   vale o esforço do professor e do aluno para superar esses obstáculos e é claro essa realidade ainda existe em escolas de pequenos povoados em alguns Estados e isso de certa forma colabora para o fracasso escolar, ou seja, a qualidade de ensino das escolas públicas em nosso país é tão corriqueira que tem a capacidade de formar alunos que mal sabem ler e escrever.

Mas é necessário que haja muita garra para que o desânimo não deixe que as dificuldades consigam vencer as potencialidades, pois a partir da tomada de várias decisões pensando na necessidade dos alunos quanto ao compromisso de encontrar um método que se adéque a este processo. E é claro que diante das diversas dificuldades existentes é preciso buscar uma base teórica para a compreensão da maneira pela qual a criança aprende e é claro que na atualidade pensando-se na necessidade de novos métodos cabe ao professor familiarizar-se ao construtivismo de Emília Ferreiro e Jean Piaget para um melhor discernimento e assim buscar conhecimento sobre os princípios teóricos e também metodológicos  da   alfabetização e é claro que o alfabetizar não tem uma receita pronta, então cabe ao educador adaptar a sua metodologia as necessidades do educando na busca de identificar os principais caminhos e assim superar as possíveis dificuldades.

É muito comum que alguns alunos ao ser alfabetizados, no início do aprendizado não compreendam a forma coerente da composição da palavra, pois em alguns casos constata-se que nesse início os mesmos não aprendem a soletrar, por isso é fundamental que o professor sendo um mediador e peça fundamental nesse processo procure uma metodologia no  qual não apresente atos falhos quanto a esta questão, pois uma simples falha pode acarretar um fator atrativo para as chamadas Dificuldades de Aprendizagem.

As várias transformações existentes no processo de ensino e aprendizagem partem desde os diversos métodos curriculares, metodologia de ensino, e também da formação continuada de professores, métodos estes que partem do tradicionalismo atingindo o construtivismo.

Mas é claro que as transformações metodológicas relacionadas à alfabetização e letramento não são suficientes para que os resultados positivos aconteçam, por isso é imprescindível a constante observação em relação à criança como um ser que vem de uma determinada sociedade e apresentam diversas dificuldades, dificuldades estas que partem desde o meio social atingindo todo o seu desenvolvimento.

E assim certamente compromete o interagir desse aluno, pois o mesmo está diretamente relacionado com seu meio no processo da aprendizagem de símbolos e seus significados na pré-alfabetização. No entanto, é fundamental que ao pensar em alfabetizar seja levado em consideração o aspecto social da criança, pois é preciso criar possibilidade para que essa criança seja estimulada e assim será possível demonstrar as diversas habilidades, potencialidades, sendo a criança um ser capaz apesar das diversas dificuldades existentes.

De acordo com (Soares, 1998), é fundamental que a escola crie possibilidade para uma constante construção do conhecimento, possibilidades estas que partem desde os diversos caminhos oferecidos para a aprendizagem seja ela consciente ou não, possibilitando que os alunos atuem de forma crítica na sociedade em que vivem, pois certamente para que haja uma transformação é necessário que a escola esteja ciente que seu papel político é lutar contra as diversas desigualdades sociais capacitando o educando socialmente     e     culturalmente. E certamente é a partir das interações sociais e interpessoais que a criança constrói seu sistema interativo e isso se inicia no convívio familiar através do pensamento e também do raciocínio, pois estes são passos importantes para o aprendizado e consequentemente compreende a leitura e escrita, por isso é fundamental uma formação continuada do professor para o desenvolvimento desse processo.

Quem se propõe a alfabetizar baseado ou não no construtivismo, deve ter um conhecimento básico sobre os princípios teórico-metodológico da alfabetização, para não ter que inventar a roda. Já não se espera que um método milagroso seja plenamente eficaz para todos. Tal receita não existe. (CARVALHO, 2008, p. 17).

Para tanto, é importante também que o educador considere as primeiras produções escritas pelo educando, pois estas são de fundamental importância e sem dúvida estão representando algo que pode ser identificado a partir de codificação e decodificação.

Outro aspecto importante que deve ser considerado é a leitura de mundo que de certa forma está envolvida com o educando antes mesmo da iniciação da alfabetização possibilitando ao mesmo um constante desenvolvimento.

Para Freire (1996, p. 69)

“à leitura do mundo precede a leitura da palavra, deste modo, o autor atenta para o respeito do saber de experiência do educando. O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras”.

 Mas certamente  o  trabalho do professor não pode diminuir a partir daí, pois a criança precisa constantemente de  caminhos com  diversas  possibilidades   e  é através delas que o mesmo progride, principalmente quando nos referimos às determinadas regras no processo sistêmico, sendo assim o professor deve entender que sua responsabilidade vai muito além  do  ensinar,  pois o processo de aprendizagem é constante e boa parte é de sua responsabilidade, para tanto, cabe ao mesmo buscar uma ampliação em relação à interação professor e aluno, pois certamente a partir daí haverá ainda mais clareza para a identificação e superação das possíveis dificuldades que surgirão no decorrer do processo.

Sendo assim, quando refletimos em relação ao processo de Alfabetização e Letramento, nos deparamos com as consequentes Dificuldades de Aprendizagem que em fundamentos biológicos podem ser consideradas como deficiência mental, privação cultural, entre outras.

Federal Register 1997, p.65083, citado por Correia, 1991, nos faz refletir da seguinte forma:

“Dificuldades de aprendizagem específica” significam uma perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos  na  compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar, ou fazer cálculos matemáticos. O termo inclui condições com problemas perceptivos, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia de desenvolvimento. O termo não engloba as crianças que tem problemas de aprendizagem resultantes principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, de deficiência mental, de perturbação emocional ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas. (Federal Register, 1997, p.65083, citado por Correia, 1991).

Por isso, é importante que haja uma análise reflexiva em relação às Dificuldades de Aprendizagem apresentadas no meio escolar, pois a  partir  desse  intuito  e logo após a observação cabe à equipe escolar propiciar meios de intervenção verificando métodos capazes de tratá-las positivamente sem agredir o aluno ou assustá-lo causando assim uma evasão escolar. É fundamental que desde a iniciação do processo escolar seja disponibilizado possíveis recursos envolvendo a leitura e escrita para que a criança no primeiro momento consiga expressar suas dificuldades e potencialidades.

Para tanto nesse processo é necessário levar em consideração que longo é o caminho do desenvolvimento da criança, caminho este que vai da dependência para a autonomia total, passando pela importante construção da identidade individual e social. Nesse processo, diversos fatores podem influenciar e fazer a diferença, entre estes a importância do brincar que certamente é um recurso    fundamental    quando o assunto é Dificuldades de Aprendizagem na Alfabetização e Letramento.

Então, reconhecendo que a escola é um dos principais meios de socialização da criança no mundo,  e que o brincar é uma atividade prática da criança no mundo, podemos  dizer  que   certamente o brincar na escola possibilitará ampliação do conhecimento de mundo em todos os aspectos, tornando-o um ser crítico, ético,   e autônomo, mas é claro  que  cabe a Instituição de  Ensino  buscar  recursos  fundamentais para o desenvolvimento de determinados aspectos e envolver constantemente o professor como mediador e responsável por grande parte da transformação existente, mas antes de  tudo  é  preciso levar em consideração o quão importante é considerar que o aluno é um ser capaz e basta receber estímulos para se desenvolver constantemente.

Assim, fica claro que o professor como mediador deve além da observação buscar métodos junto à equipe gestora com  o  intuito de solucionar as dificuldades de aprendizagem evitando assim o abandono escolar. Nesta medida, vários são os objetivos a serem atingidos a partir da superação das diversas dificuldades, a construção da identidade e do desenvolvimento do conhecimento do aluno, por isso é importante levar em consideração a autonomia da criança, interatividade e participação, tornando-os seres críticos, reflexivos e preparados para enfrentar desafios desde a mais tenra idade.