/AS DIFICULDADES NA ALFABETIZAÇÃO E A PSICOPEDAGOGIA

AS DIFICULDADES NA ALFABETIZAÇÃO E A PSICOPEDAGOGIA

O tema em foco neste estudo tem origem fundamentalmente nas minhas experiências vividas em minha trajetória pela vida. Ao iniciar o artigo observei a   importância de pesquisar e produzir algo muito significativo não apenas para a minha prática (profissional), mas também para a vida de todas as pessoas envolvidas no processo  ensino- aprendizagem.

O interesse veio das aulas de Arte-Terapia, do Curso de Psicopedagogia da PUC-SP. Aulas estas, que pouco a pouco foram me seduzindo e levando-me a refletir, em pesquisa e aprofundar no estudo.

No decorrer da minha vida não tive ou não fui sensibilizada para qualquer chamativo para mim nesta área expressiva, acreditava que não tinha a menor habilidade para tal.

Contudo, no decorrer do Curso de Arte- Terapia fui   construindo um novo olhar a respeito da arte e sua aplicação na psicopedagogia, tanto clínica como institucional.

Foi de suma importância, neste Curso, participar e colocar a mão na massa, fazer, experimentar e passar pelas atividades. Foi gratificante trocar essas vivências e experiências com os demais colegas de curso.

Fabietti e Chiesa (1997- Imagem: 123rf 1998) citam  uma  frase que se fez verdade: “… a função da arte é buscar no indivíduo todo o seu mundo escondido nas sombras do inconsciente, e através de um material rico e variado que vai descobrir a partir de sua criação, toda a riqueza bloqueada trazendo  à tona um universo de descobertas…”

A fecundidade do trabalho Arte- Terapêutico é explicada pelas várias possibilidades de expressão que se oferece à criança / adolescente / adulto, no sentido de vivenciar a mudança de sua aprendizagem tendo em vista as suas necessidades individuais.

Os bloqueios estão presentes impedindo a criança/adolescente de utilizar o raciocínio e a linguagem verbal tão necessária para se dar conta da construção cognitiva   escolar.  Usando – se a Arte- Terapia, o indivíduo expressa seus sentimentos, pensamentos e necessidades, através da linguagem criativa, poética imaginária, verbal e não verbal, organizando-se no   tempo   e   no espaço, com a finalidade de entrar em contato com suas dificuldades. O processo de Arte- Terapia é um processo onde o indivíduo descobre e entende suas ideias e sentimento no fazer.

Segundo Maria Alice Val Barcellos (1997-1998) a Arte-Terapia é um processo de integração do ser. Um caminho para ajudar o indivíduo a amar o que ele é, entrar em contato com o que ele tem de único, mostrar seu caminho singular. E tendo em conta que o indivíduo é um ser individual, cada problema individual é também exclusivo, pontilhado de escolhas reveladas tanto nos insucessos quanto nos pontos altos de sua vida. A Arte – Terapia favorece a descoberta gradativa desses pontos fortes e fracos da pessoa, de seus desejos, que nem sempre por ela conhecidos. A arte torna-se um caminho para que ela se contextualize e o professor pode ajudá-la a participar ativamente do mundo, numa perspectiva de melhor qualidade de vida.

Após reflexões junto  à  orientadora  e aos diferentes interlocutores, assegurei-me sobre  a grande relevância do tema e do fato de que precisaria ousar para buscar a consistência e aprofundar os      conhecimentos necessários para tal estudo.

Diante  dessa necessidade surgem alguns questionamentos:

1° O que é arte terapia?

2°Quais as abordagens teóricas que ajudariam nessa tarefa?

Na tentativa de dar respostas a essas perguntas, direcionei as reflexões teóricas no sentido de obter uma maior compreensão do desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança nessa faixa etária.

Inicialmente busquei apresentar a Psicopedagogia Institucional e as ricas contribuições da arte- terapia. Também procurei respaldo nas teorias psicogenéticas de Vygotsky e Winnicott.

UM POUCO DE PSICOPEDAGOGIA

Considerando ensinar como a criação de alternativas e possibilidades de ação/ reflexões   que   venham a gerar aprendizagens. Ensinar é permitir e possibilitar ao outro ser o autor de seu próprio pensamento.

Para Noffs (2003) ensinar é possibilitar que o outro aprenda. O ensino significativo implica compartilhar, cooperar,  operar simultaneamente   em dois planos: o do ensino- aprendizagem e o de articular conhecimentos sob diferentes pontos de vista. O trabalho psicopedagógico é de natureza educacional, clínica e preventiva, favorecendo as potencialidades nos indivíduos.

O Campo de atuação da psicologia pode ser: clinico (consultório) e institucional (grupos) em escolas, creches, centros de reabilitação e hospitais.

 A psicopedagogia no campo de atuação clínico tem   por objetivos promover a reelaboração do processo de aprendizagem do sujeito e/ou grupo que apresenta dificuldades, possibilitando o resgate do poder de simbolizar, criar e reagir ativamente na construção do conhecimento.  Realiza- se a compreensão diagnóstica do sintoma de dificuldades de aprendizagem   através de técnicas   específicas e da integração de dados de outros exames neurológicos, escolares, fonoaudiólogos, psicológicos e outros. Com orientação de grupo familiar em relação ao processo de aprendizagem e junto à escola.

Considerando o trabalho na instituição  escolar, identificamos duas naturezas de trabalhos psicopedagógicos: o primeiro diz respeito a uma psicopedagogia curativa voltada para grupos de alunos que apresentam dificuldades na escola. Esta é uma interferência que dá um novo sentido à recuperação. O seu objetivo     é     reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula, possibilitando o respeito às suas necessidades e ritmos. Esta orientação tem como meta desenvolver as funções cognitivas integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem dos conceitos, conforme os objetivos da aprendizagem formal. (Fagali, 2008, p.10) Nas instituições temos crianças / adolescentes, que apresentam desinteresse e/ou desvalorização em reação à sua experiência escolar, aspectos que poderiam ser retomados dentro da própria escola, caso houvesse espaço para que essas interferências fossem realizadas. Mas, existem casos, que são os de dificuldades de aprendizagem, neste sentido, existe então a necessidade de um atendimento clínico psicopedagógico.

Segundo Fagali e Vale (2008), dentro da    instituição    escolar a psicopedagogia está voltada:

1°) para os alunos que apresentam dificuldades na escola, com a finalidade de reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula, com respeito às suas necessidades e ritmo;

2°) Assessoria para pedagogos, orientadores e professores, com objetivo de estar trabalhando às relações vinculares professor- aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, com integração do afetivo e cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento.

Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor- aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento. (Fagali, 2008, p.10)

Em nível preventivo para o aperfeiçoamento das construções pedagógicas, destacam diferentes formas de intervenção da psicopedagogia Fagali (2008) afirma que os esquemas tradicionais de aprendizagem separam a aquisição de informações, do desenvolvimento do educando como um todo. Quebrar estes esquemas, tornar o aluno sujeito e construtor do seu processo de aprendizagem, capaz de manipular o conhecimento, ao invés de apenas recebê-lo, é o papel do professor, do pedagogo e da escola.

Análise mais detalhada dos conceitos, desenvolvendo atividades que ampliem as diferentes formas de trabalhar o conteúdo programático. Nesse processo busca-se uma integração dos interesses, raciocínio e informações de forma que o aluno atue operativamente nos   diferentes    níveis de escolaridade.

Complementa-se a esta prática o treinamento e desenvolvimento de projetos junto aos professores. Criação de materiais, textos e livros para o uso do próprio aluno, desenvolvendo o seu raciocínio, construindo criativamente o conhecimento, integrando afeto e cognição no diálogo com as informações.

A orientação do psicopedagogo   junto ao professor deve ser constante, discutindo não apenas as relações vinculares, mas também as que dizem respeito ao conteúdo, atuação do aluno, formas de avaliação e reação dos pais frente a essa nova postura da instituição.

Todos   os   níveis da administração escolar devem estar comprometidos com o processo e devidamente orientados para o sucesso do projeto psicopedagógico dos conteúdos.

Segundo Fagali (2008): Para se atingir uma nova forma de “sentir, pensar e agir” frente aos  conteúdos,  por   parte   dos    alunos e professor, o projeto fornece como material complementar “cadernos construtivistas com textos sensibilizadores e participativos que trazem no conteúdo e construção a coerência da metodologia integrativa construtivista, que sensibiliza o aluno  para  a leitura, convida-o a lançar hipóteses e a participar da construção do conhecimento. (p. 16)

CONTRIBUIÇÕES DA ARTE – TERAPIA NA PSICOPEDAGOGIA

Segundo o Novo Dicionário Aurélio (1993), arte significa: capacidade que tem o homem de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria.

A utilização de tal capacidade com vista a um resultado que pode ser obtido por meios diferentes.  Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento e renovação. A capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos. Artes- Plásticas: as que se manifestam   por   meio de    elementos    visuais e táteis, como linhas, cores, volumes, etc., reproduzindo formas da natureza ou realizando formas imaginárias; belas-artes; arte. Compreender o desenho, a pintura, a gravura, a colagem, a escultura, etc.

Para Bosi (1996) a arte é um fazer. A arte é um conjunto de atos pelos quais se muda a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura.

O ser humano existe com suas especificidades: sociais, psicológicas e culturais e é através delas, desde os tempos mais remotos, que nos relacionamos com o mundo e com a Natureza, construindo nossa sobrevivência e desenvolvimento. O conhecimento do meio em que o homem vive é básico para sua vida e representá-lo ou expressá-lo faz parte do seu processo pelo qual o homem desenvolve o seu saber.

Esse conhecimento pressupõe o desenvolvimento das capacidades de abstração da mente, tais como classificar, selecionar, identificar, sintetizar, analisar e generalizar. Essas habilidades são ativadas por uma necessidade intelectual da própria organização humana. Mas de nada valeriam estas capacidades se não pudéssemos expressar, imaginando, inovando e transformando. Como por exemplo, podemos falar que, o homem ao desenhar nas cavernas um bisão, só foi possível porque ele já estava dotado destas capacidades.

Bosi (1996) afirma que: a arte é uma produção; logo supõe trabalho. Movimento que arranca o ser do não ser, a forma do amorfo, o ato da potência, o cosmos dos caoses.

A Arte-Terapia é uma profissão assistencial ao ser humano. Ela oferece oportunidade de exploração de problemas e de  potenciais idades pessoais por  meio da expressão verbal e não verbal  e do desenvolvimento de recursos físicos, emocionais e cognitivos, Bem como a aprendizagem de habilidades, por meio de experiências com linguagens artísticas variadas.    Ainda    que as formas visuais de expressão tenham sido básicas nas sociedades desde que existe história registrada, a Arte – Terapia surgiu como profissão na década de 30.

A terapia por meio das expressões artísticas reconhece tanto os processos como as formas, os conteúdos e as associações, como reflexos de desenvolvimento, habilidades, personalidades, interesses e preocupações do paciente.

Para Carvalho (1995) o uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode ser um meio, tanto de reconciliar conflitos emocionais como de facilitar a auto percepção e o desenvolvimento pessoal.

Toda arte em si tem valor terapêutico e a Arte- Terapia, é uma forma de utilizar a arte para o autoconhecimento e ampliação da relação do homem com o mundo.

Segundo Carvalho (1995), a Arte- Terapia define toda a área de terapias expressivas, como denominação maior, abrangendo todas as modalidades de uso de recursos artísticos dentro do processo psicoterapêutico.

Uma das coisas que Fagali (2008) aborda em sua apostila e arte- terapia é o uso de recursos artísticos em serviços terapêuticos. A Arte-Terapia oferece oportunidade de explorar problemas e potenciais idades pessoais através da expressão verbal e não verbal e de desenvolver recursos físicos, cognitivos e/ou emocionais, através de experiências terapêuticas com linguagens artísticas variadas. A terapia através da arte reconhece tanto os processos artísticos como as formas, os conteúdos e as    associações, como reflexos do desenvolvimento, habilidades, personalidades, interesses e preocupações do indivíduo.

Qualquer pessoa, pode se beneficiar de um processo de Arte- Terapia. Os trabalhos podem ser coletivos e individuais, onde todos têm a possibilidade de se expressarem de maneira livre, natural e intuitiva. Através da Arte- Terapia, no seu processo, o indivíduo   passa   a   se conhecer melhor, descobrindo-se, onde começa a acontecer uma transformação, abrindo novos caminhos e indo ao encontro de si mesmo.

No processo da Arte- Terapia   não há necessidade de talento artístico. Não se ensina artes, nem   tem a conotação do valor artístico. Deve-se apenas orientar o paciente, as técnicas simples do uso do material. O indivíduo é levado a se soltar de modo mais espontâneo. Os materiais utilizados são os mesmos das artes plásticas tais como: tintas, diversos tipos de papel, lápis, canetas, argila, carvão, etc. Outras formas de expressão artística podem ser utilizadas: o corpo, a voz, dramatização e literatura.

A Arte- Terapia, como área de atuação, não   tem limites e contraindicações. Podem se beneficiar da Arte- Terapia: crianças, adolescentes, adultos, idosos. Podem ser feitos trabalhos individuais e grupais, em consultórios, instituições e hospitais.

Carvalho (1995) explica que o papel da arte-terapeuta é a de estimulara atividade artística e por intermédio desta e/ou juntamente com outras linguagens, numa postura definida por seus pressupostos teóricos, auxiliar o paciente a enxergar   e a compreender os seus próprios processos.

No artigo Oficinas Integrativas Musicoterapia, Arte-Terapia, Literatura, da autora Eloisa Quadros Fagali, nos relata como as integrações das diferentes artes: música, artes visuais, trabalho corporal e cênico e literatura   podem facilitar o contato criativo da criança, do adolescente e do adulto na relação consigo mesmo e com suas vidas.

Este trabalho de oficinas, através de constantes releituras e ressignificações, foram se fortalecendo no curso de sua história como processo terapêutico. Onde essa consciência foi sendo adquirida segundo as concepções da abordagem fenomenológica – gestáltica, as reflexões de C. Jung e as práxis da Arte- Terapia e Musicoterapia.

É considerado pela autora um trabalho terapêutico, pela sua própria natureza criativa, onde, possibilita uma contínua   reconstrução do ser.   É   terapêutico ao atender a própria demanda de indivíduos que buscam as oficinas, no sentido de superação dos conflitos e dos sofrimentos diante das limitações e paralisações. Em vista desta demanda, a intervenção nas oficinas consiste em possibilitar a reestruturação do indivíduo como num todo, com seus desejos, sentimentos e capacidades. O processo criativo, o imaginário   e o sensorial convidam estas pessoas para a auto realização.

Segundo, afirma Fagali (1997), na prática da sensibilização alguns aspectos do ponto de vista metodológico e psicológico devem ser considerados:

  1. Proporcionar a integração das sensações não se apoiando apenas em um canal sensorial. O indivíduo é um todo e   o contato com o mundo se dá pelas inter-relações sensoriais emocionais e intelectuais;
  2. Possibilitar a observação de estímulos dinâmicos, isto é, que   se    apresentam em movimento, possibilitando uma percepção não estáticados elementos do meio. Este dinamismo não implica apenas no movimento externo do estímulo e sim numa dinâmica interna. O sujeito pode observar um objeto aparentemente estático de uma forma dinâmica e não passiva.
  3. Favorecer, nas situações de sensibilização, experiências que deem vazão às várias formas de comunicação com o mundo, à introversão e à extroversão, para que possamos respeitar o indivíduo no seu estilo próprio de comunicação, sem deixar de desenvolver o movimento oposto, proporcionando à relativa equilibração do homem.
  4. Refere-se à natureza do   estímulo ou objeto de percepção, nas metodologias de sensibilização podemos    enfocar    ora a contemplação de um elemento presente no meio, ora um conteúdo ou imagem que emergem dos sentimentos e elaborações do indivíduo. A sensibilização no processo de aprendizagem nos garante uma leitura do mundo em que integramos as nossas necessidades, sensações emoções com as próprias informações advindas do meio.

A transposição para a linguagem verbal, na perspectiva: a imagem interna sugere a criação de mensagens e textos. É o momento em que se podem trabalhar, de modo meio diretivo e estruturado, os recursos técnicos necessários ao aperfeiçoamento da linguagem oral e escrita, associados aos processos de raciocínio e de operacionalização do pensamento. É o trabalho mais próximo do fazer escolar, pois   pensamentos, poemas e histórias podem ser escritos. É quando     trabalhamos de forma mais diretiva e sistematizada a estruturação do pensamento. Através deste processo consegue restabelecer sua relação com o ato de aprender com o mundo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Infantil, por ser um segmento da sociedade que se organiza e se estrutura formalmente, deve oportunizar o desenvolvimento  da criança de acordo com suas potencialidades e seu nível de desenvolvimento, pois a criança não inicia sua aprendizagem somente ao ingressar na escola, ela traz consigo uma gama de  conhecimentos e habilidades adquiridas desde seus primeiros anos de vida em seu ambiente sociocultural.

As crianças precisam de tempo, espaço, companhia e material para brincar.  Quanto mais as crianças vejam, ouçam ou experimentem, quanto mais aprendam e assimilam, quanto mais elementos reais disponham em suas experiências, tanto mais considerável e produtiva será a atividade de sua imaginação. A escola pode e deve reunir todos esses fatores e o papel do professor nesse processo é fundamental.

Atualmente, as crianças começam a frequentar cada vez mais cedo as instituições voltadas para elas, como as creches e as escolas de Educação Infantil. Nesses espaços, o brincar é, muitas vezes, desvalorizado em relação a outras atividades, consideradas mais produtivas. A brincadeira acaba ocupando o tempo da espera, do intervalo. Valorizar a brincadeira não é apenas permiti-la, é suscitá-la.

Vygotsky e Winnicott referem-se a pontos de referência para o desenvolvimento equilibrado do ser humano.  O primeiro autor refere-se à zona proximal como um momento de transição, de passagem de uma etapa de desenvolvimento para outra. O segundo autor conceitua como espaço transacional como    um    momento ou condição relacional de aprendizagem em que se transitam as relações de dependência afetiva absoluta (função materna) para as de dependência relativa em busca da autonomia. Zona proximal e espaço transacional,   ambos se referem a um momento de transição na direção do desenvolvimento da criança. Falam também do brincar da criança, por meio da imitação e da referência do adulto, gerando oportunidade de desenvolvimento intelectual integrado ao afetivo, ao acessar lembranças, ao usar a imaginação, sem deixar de lado o diálogo e aceitação das regras, necessárias para se efetivar a aprendizagem.

O presente artigo constituiu-se num desafio: comprovar a importância do trabalho de sensibilidade na Instituição de Educação Infantil. E finalmente, ir além das práticas tradicionais, visando à construção de uma proposta pedagógica, voltada aos interesses e necessidades da criança, alvo de todos os nossos esforços.

Esse estudo veio ratificar as concepções sobre o desenvolvimento humano e a construção do conhecimento, no qual os aspectos socioculturais, cognitivos e afetivos estão em constante interação.

Finalizando, considero de suma importância o compromisso social que o psicopedagogo deve ter, visando  contribuir  para  a diminuição do fracasso escolar, um problema histórico na sociedade brasileira,  que  ainda  hoje   busca   encontrar no próprio sujeito às causas, camuflando os reais motivos deste fracasso. O olhar e a escuta psicopedagógicos são fundamentais para uma compreensão ampla deste processo.

 Por: LILIAN MEIBACH BRANDOLES