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AULAS INTERATIVAS: PERSPECTIVAS E POSSIBILIDADES

Este trabalho tem por tema abordar o uso do computador nas aulas e o que faz uma aula mais ou menos interativa. Para isso, buscamos orientação teórica em Silva (2004); Lemos (1997); Belloni (2001), Lévy (2007) e Braga & Buzatto (2012).

As mudanças econômicas e sociais nas últimas décadas viabilizaram a abertura de um cenário marcado pelos avanços das tecnologias e pela globalização. A partir daí surgiram as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) que são ferramentas que oferecem possibilidades variadas de interação. Essas ferramentas são uma alternativa da era moderna que podem, também, ser um recurso para facilitar o acesso à educação, conforme podemos observar no Ensino a Distância (EaD).

Segundo Belloni (2001, p.9-11) o desenvolvimento da EaD organiza-se em três gerações: a primeira surgiu no século XIX, em virtude do desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação; a segunda desenvolveu se na década de 1960. Essa geração introduziu no Ensino a Distância recursos radiofônicos e televisivos e a terceira surgiu na década de 1990 com a popularização do computador e o advento da internet com o World Wide Web (WWW) ou (WEB).

Assim, as constantes mudanças sociais viabilizaram o surgimento das TIC na educação, que ao longo dos anos vem sendo moldada pela globalização e já pode ser apreciada pelo uso de diferentes recursos tais como: Internet, wiki, weblog, teleconferência, chat, fórum de discussão, correio eletrônico e plataforma de ambiente virtual. Lévy (2007, p.11) lembra que “nunca antes essas mudanças das técnicas, da   economia e do costume foram tão rápidas” por isso, o uso das tecnologias no ensino passou a ser uma necessidade.

Nessa perspectiva, Belloni (2001, p.4) ressalta que as “mesmas tecnologias que globalizam as informações estão sendo aplicadas à aprendizagem aberta e a distância (…) dando lugar ao aparecimento de uma série de novas formas de aprender”.

Assim, entendemos que a sociedade se autorregulou para este cenário de novas relações sociais e com isso, buscou inserir maneiras de utilizar as TIC no ensino, conforme podemos observar nas ferramentas utilizadas na Educação a Distância (EaD).

Mediante esse cenário, aumenta a importância do papel dos profissionais que atuam na educação e cresce, também, a pressão  do setor  econômico, pois, o papel da escola está se transformando e    novas    estratégias  de ensino surgem de modo     a     responder  às novas demandas econômicas e sociais, especialmente no que diz respeito à introdução do computador e da internet nas aulas, uma vez que a função social da educação é preparar os alunos para as práticas sociais.

O USO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO

O uso das TIC na educação pode ativar mais o processo de mudanças na sociedade, possibilitando novas maneiras dos alunos interagirem e construírem conhecimentos. Diante desse processo de mudanças, o professor exerce um papel fundamental, na medida em que deve ser capaz de fazer uso dos recursos que as TIC oferecem.

Silva (2004, p.15) ressalta que é preciso enfatizar a necessidade de modificar a modalidade comunicacional predominante na ação pedagógica do professor a partir do movimento contemporâneo das tecnologias hipertextos, esclarecendo que isso não significa meramente uma nova tonificação da sala de aula. Em primeiro lugar está a função social da escola, que   não   é simplesmente a socialização das novas gerações no contexto das novas tecnologias – a “alfabetização digital” entendida num sentido restrito: gerar mão-de-obra para o mercado de trabalho cada vez mais informatizado –, mas, acima de tudo, a educação do sujeito em nosso tempo.

Nesse sentido, para a organização de atividades interativas com ou sem computador, o professor deverá desenvolver competências em áreas como a cultura técnica, a comunicação e a mediação pedagógica. Para isso, deverá saber definir quais os objetivos pretendidos e como fará para alcançá-los, de modo a promover a interação na sua prática pedagógica.

Silva (2004, p.2) define interatividade como: Interatividade é a modalidade comunicacional que ganha centralidade na “cibercultura”. Exprime a disponibilização consciente de um mais comunicacional expressamente complexo presente na mensagem e previsto pelo emissor, que abre ao receptor a possibilidade de responder ao sistema de expressão e de dialogar com ele. Grande salto qualitativo em relação ao modo de comunicação de massa.

 No que se relaciona a interação e a cibercultura, Lemos (1997) observa que a cibercultura, baseada nas tecnologias de princípio digital- interativo proporciona, nesse fim de século, um “revival” de interações sociais tribais.  Vemos que o que importa hoje é muito mais a interação social   através   das novas tecnologias, que a simples melhoria da relação homem-máquina. O computador é um exemplo nesse sentido; surgindo como máquina de calcular sofisticada, ele se transforma num verdadeiro instrumento convivial e interativo. No reino das tecnologias digitais e do ciberespaço, somos     todos     anjos da interatividade, imersos num “temps d’illumination”(56).

Mediante essa perspectiva, para que o professor ofereça aulas interativas e que atendam a realidade social, ele deve ser competente para associar qualquer recurso tecnológico ou não tecnológico nas atividades propostas. Assim, independente de utilizar ou não os recursos tecnológicos, ele deverá pautar-se no planejamento e replanejamento das práticas, na interdisciplinaridade, no trabalho em equipe, no domínio das tecnologias e no uso pedagógico das atividades propostas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ensino de gêneros textuais tendo como ênfase as práticas de ensino e aprendizagem com vistas aos gêneros textuais que circulam entre os alunos é algo desafiador, uma vez que há muitas questões que envolvem a cultura dos alunos, a cultura escolar e a vida em sociedade.

Diante disso, o ensino deve criar condições de aprendizagem que viabilizem o ensino de maneira que os alunos sejam preparados para reconhecer e usar a língua de forma adequada em diferentes manifestações de comunicação. Ou seja, as aulas devem ser planejadas de modo que transitem entre a cultura dos alunos, a cultura da comunidade, a cultura da sociedade e a cultura escolar.