/CURRÍCULO E PLANEJAMENTO: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

CURRÍCULO E PLANEJAMENTO: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Este artigo tem por tema o estudo do currículo e planejamento, enfatizando a construção do conhecimento no contexto educacional. Dessa forma, é importante considerar que esta pesquisa tem relevância científica para a área de currículo, de educação e construção do conhecimento.

A partir dessa ideia, discute-se a ideia de que o currículo e o planejamento fazem parte da prática do professor na sala de aula, pois esta precisa deixar claro o conteúdo a ser ministrado e a forma como ele será desenvolvido para depois verificar como ocorreu a aprendizagem no educando.

Assim, têm-se como ponto de partida os fundamentos de Pacheco (2005), Silva (1999) e Sacristan (2013). Para tanto, tem-se por objetivo: a) Analisar como o currículo está inserido no pensamento político pedagógico; b) verificar de que modo o currículo está relacionado com a formação do sujeito e construção do conhecimento.

A pesquisa justifica- se na medida em que constatamos que o desenvolvimento curricular está ligado à obtenção de resultados e ao plano pedagógico da escola. Logo, nota-se   a    necessidade de estudar o currículo, uma vez que ele está inserido na construção do conhecimento e na determinação do sujeito que pretendo formar.

ENTENDIMENTO CONCEITUAL DE CURRÍCULO

É de fundamental relevância conceituar currículo antes de discutir a noção de planejamento, ainda que estes estejam interligados no processo do aprendizado. Para tanto, Pacheco (2005) p. 43 define currículo:

“Como um plano de ação pedagógica, ou como um produto que se destina à obtenção de resultados de aprendizagem organizados no âmbito da escola, pressupõem um processo dividido em três momentos principiais: elaboração, implementação e avaliação, tudo se conjugando numa racionalização dos meios em função dos objetivos e dos resultados” (…)

Nesse sentido, o autor acima menciona que o currículo é um plano de ação porque ele é a construção dos conteúdos que implicarão a formação do sujeito na sociedade, ou seja, o currículo é a prática da aprendizagem que tampouco formará o pensamento crítico do indivíduo no meio social.

Desse modo, o currículo é uma construção dos saberes, bem como o envolvimento entre os sujeitos, pois ele interage em um determinado contexto construído pelas experiências, atividades, métodos e meios com o objetivo de cumprir os interesses de um grupo hegemônico, que pretende controlar as pessoas (pais, professores, alunos, comunidade, etc.

O currículo é uma ponte entre cultura e a sociedade exteriores às instituições de educação, ele é também uma ponte entre a cultura dos sujeitos, entre a sociedade de hoje e do amanhã, entre as possibilidades de conhecer e saber se comunicar, bem como se expressar em contraposição ao isolamento da ignorância.

Assim, o currículo não é neutro, pois ele é um território de conflitos onde as decisões são tomadas para excluir ou incluir as pessoas na trajetória escolar. De acordo com Sacristan (2013), é importante dar suporte às pesquisas feitas com e sobre os professores a respeito do desenvolvimento do currículo como estratégia para a melhoria dele. Ainda, na visão do autor acima, o currículo representa e apresenta aspirações, interesses, ideais e formas de entender sua missão em um contexto histórico e as influências sofridas por ele, o que evidencia a não neutralidade, as desigualdades entre os indivíduos e os grupos.

Logo, o currículo deve servir como uma ponte para integrar os indivíduos no grupo escolar, bem como fortalecer a gestão democrática que são as normas do regimento escolar, o que garantirá qualidade social da educação, valorização da diversidade e protagonismo dos alunos no meio em que vivem.

Como vimos anteriormente, o currículo deve propor o que se deve ensinar ou aquilo que os alunos devem aprender, quer dizer, o currículo é o que se ensina e aprende na prática, pois ele inclui metodologia e os processos de ensino.

Dessa forma, o currículo passa a ser algo especificado e limitado que se aplica ou é de igual modo aberto que se delimita no processo de aplicação, uma vez que ele está inserido em um determinado contexto com atores e intenções de acordo com as práticas.

Enquanto isso, o planejamento é a organização metodológica dos conteúdos a serem transmitidos pelos professores, pois o educador deve ter clareza dos objetivos que pretende atingir com seu trabalho, não estamos nos referindo aos objetivos tecnicistas, mas de objetivos que estão inseridos em um determinado contexto da vida do educando.

Assim, é fundamental o educador ter clareza nos objetivos que pretende atingir com seu trabalho para que a aula faça sentido na realidade do educando. Por isso que as aulas não devem ser repetições mecânicas, elas devem ser preparadas com finalidade educacional, pois o educador deve elaborar várias perguntas destacando as ideias principais para que haja interação entre os alunos.

De acordo com Vasconcelos (2000) deve haver sempre uma interação constante entre professor, aluno, objeto e realidade, ao passo que na metodologia expositiva há separação entre o aluno e o professor, ocorrendo apenas justa posição.

O autor acima trata de exposição o conhecimento feito por justaposição, sem diálogo, o que faz com que o educando não tenha autonomia na construção dos conceitos. Portanto, o aluno deve problematizar em sala de aula para que haja construção de conhecimento e ele caminhe para a autonomia o aprendizado.

Assim, o sujeito é construtor de culturas e a escola precisa garantir que ele participe de novas culturas e que entenda que já existem culturas desenvolvidas por outras humanidades. Se isso acontecer, a aprendizagem será transformada em conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O currículo tem intenções diversas, pois ele pode incluir ou excluir as pessoas dentro de uma trajetória escolar. Desse modo, não há como exercermos nossas práticas educacionais sem ter um currículo pré-estabelecido, uma vez que ele é a concretização do plano cultural da educação.

Assim, o currículo está ligado ao planejamento escolar, pois este é a organização metodológica dos conteúdos que serão desenvolvidos na sala de aula. Por isso, o professor deve planejar sempre suas aulas para que haja uma relação entre ele, o aluno e o objeto do conhecimento.

Dessa forma, o professor deverá mudar o paradigma pedagógico, planejando suas aulas voltadas à realidade e necessidade dos educandos, para que de fato haja reflexão e conhecimento dos conteúdos que estão sendo discutidos em aula.

 A discussão na área curricular é uma compreensão dialética, situada em um contexto mais amplo que é o planejamento das aulas do professor, que fará a diferença na construção do conhecimento do educando. Assim, o currículo precisa ser revisitado o tempo todo para fortalecer a gestão democrática da escola e garantir qualidade social da educação, bem como transmitir conhecimentos.

REFERÊNCIAS

CORTELLA. Mario Sergio. A Escola e o Conhecimento. 12. ed. São Paulo: Cortez,2008.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

LOPES, A, MACEDO, E. (orgs.) Currículo debates Contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002.

MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa; SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Currículo, cultura e sociedade. 2.ed. São Paulo: Cortez, 1995. PACHECO, J. A. Escritos Curriculares. São Paulo: Cortez, 2005.

SACRISTÁN, J. G.(org.) Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013.

SALVADOR, César Coll. Significado e sentido na aprendizagem escolar. Reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. In: Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 1994.

VASCONCELOS, Celso dos S. Construção do conhecimento em sala de aula.