/DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A CONEXÃO ENTRE O AMADURECIMENTO EMOCIONAL E SAUDÁVEL DO CÉREBRO E A APRENDIZAGEM INFANTIL

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A CONEXÃO ENTRE O AMADURECIMENTO EMOCIONAL E SAUDÁVEL DO CÉREBRO E A APRENDIZAGEM INFANTIL

O presente trabalho apresenta uma abordagem baseada em uma pesquisa bibliográfica sobre o papel do cérebro na aprendizagem significativa diante do seu amadurecimento na infância, além de apresentar discussões sobre estudos que comprovam a neuroplasticidade do cérebro e assim a necessidade de uma ampla formação dos professores no sentido de identificarem as fases de desenvolvimento cognitivo dos alunos e, sobretudo de uma melhor compreensão dos aspectos neurológicos, emocionais e saudáveis da aprendizagem. A pesquisa tem por objetivo compreender em quais momentos acontece a aprendizagem na Educação Infantil de acordo com os aportes teóricos de Piaget e Vygotsky, além de apresentar as dificuldades as quais os professores enfrentam por falta de formação adequada na área da neura educação. As questões que norteiam o trabalho se constituem da seguinte forma: Qual o papel do amadurecimento do cérebro no desenvolvimento cognitivo infantil? Até que ponto o professor precisa de formação adequada para detectar dificuldades na aprendizagem? A Neurociência está presente na formação docente? Conhecer as transformações neurológicas pelas quais as crianças passam auxiliam nos procedimentos pedagógicos? Qual a importância da promoção da saúde mental nas escolas?

INTRODUÇÃO

Tudo o que aprendemos por meio de experiências e estímulos na primeira infância perduram por toda vida. A situação social do desenvolvimento é o ponto de partida para todas as mudanças dinâmicas que se produzem no desenvolvimento durante o período de cada idade. (VYGOTSKI, 1996, p. 264)

Diante desta afirmação, esta pesquisa buscou relacionar o desenvolvimento cerebral, seu amadurecimento saudável na infância, que proporciona um avanço no processo da aprendizagem, e o papel do professor-educador neste aspecto, ou seja, a necessidade do mesmo em inteirar-se e aprofundar-se no conhecimento sobre como o cérebro funciona, podendo assim traçar objetivos alcançáveis no âmbito das propostas pedagógicas visto que, atualmente cada vez mais são diagnosticadas dificuldades na   aprendizagem   devido a transtornos e distúrbios variados. Com o estudo das Neurociências   foi   possível determinar quais as áreas do cérebro são responsáveis por determinados aprendizados e assim verificar que o mesmo muda de acordo com as influências ambientais, por isso tanto os pais como os educadores podem favorecer o desenvolvimento cerebral das crianças.

Neste artigo foi possível entender que o desenvolvimento do cérebro na infância tem fundamental importância em todas as fases posteriores da sua vida relacionadas à emoção, memória, aprendizagem e comportamentos. Além disso, a formação adequada dos profissionais da educação na área da neurociência foi analisada, visto que este tem o privilégio de serem observadores frequentes das ações e reações das crianças na escola podendo então intervir de maneira consciente e eficaz. O presente artigo também tem como objetivo abordar a neurociência cognitiva e sua relação com a aprendizagem.

Para a Neurocientista Suzana Herculano Houzel a pessoa aprende o que faz e melhora naquilo que prática então, o estudo procurou abranger qual o papel do professor em ser um agente em métodos pedagógicos ensine o que é importante aprender e praticar, usando linguagens e maneiras diferentes na abordagem de conteúdo. Ainda de acordo com a Neurocientista é na infância até os dez anos um período em que a criança está aprendendo essencialmente tudo. Ela está aprendendo não só a lidar com o mundo, mas, antes disso, a lidar com ela mesma. O cérebro dela está em formação biológica anatômica, mas é importante reconhecer que essa formação biológica se dá de acordo com o contexto ambiental que você tem ao redor. (Houzel. Suzana.H.. “A neurociência do desenvolvimento infantil aplicada à Educação.” Entrevista concedida a Revista Gestão Educacional Digital. Edição de 17/12/2013. São Paulo. Humana Editorial, Dez/2013)

Se então é neste período que a criança aprende, é necessário atentarmos para a formação que é oferecida aos professores que são os que mais diretamente encaram o desafio de ensinar a criança no período destacado pela neurocientista. Visto que com o advento das neurociências foi possível entender como a aprendizagem acontece nos circuitos neurais, o professor precisa estar capacitado para entender e criar estratégias que aperfeiçoem este processo.

O presente trabalho procurou abordar os aspectos da aprendizagem pelo olhar das Neurociências. No primeiro capítulo analisamos como a plasticidade do cérebro aperfeiçoa a aprendizagem durante a vida, no segundo a formação do professor é abordada como fator importante diante da contribuição da neurociência para os estudos do desenvolvimento cognitivo e finalmente o terceiro capítulo apresenta a importância de se promover a saúde mental no ambiente escolar além de estratégias para a utilização das neurociências na Educação Infantil, justificando assim a importância deste trabalho cuja proposta é conhecer melhor o campo da neurociência e a complexidade dos processos mentais na aprendizagem infantil.

COMO APRENDEMOS, A NEUROPLASTICIDADE DO CÉREBRO E A LIGAÇÃO COM A APRENDIZAGEM?

A aprendizagem pode ser definida como uma transformação de comportamento diante da prática ou da experiência acerca de um novo desafio proporcionado por um ou mais estímulos. Por este motivo se torna um processo pelo qual o indivíduo passa devido a sua característica de ser biologicamente social. Nesses processos estão envolvidas a sensação, a atenção, a concentração, a percepção e a memorização e todas estão diretamente dependentes do bom funcionamento do cérebro e dos estímulos que ele recebe.

Atualmente, o termo cognição está relacionado à conceituação de inteligência e pensamento, portanto, foram analisadas as conexões do fortalecimento neural da criança e a aprendizagem, os processos envolvidos e a plasticidade cerebral a qual as Neurociências apontam como a responsável pela capacidade do cérebro de se regenerar  e  o  mais importante na área educacional, a capacidade do indivíduo de aprender durante toda a sua vida e principalmente diante de estímulos adequados na infância, visto que neste período a Neuroplasticidade cerebral é mais intensa.

De acordo com as Neurociências o cérebro é plástico, moldando-se ao aprendizado que vai adquirindo. O nome dado a esta capacidade cerebral é de Neuroplasticidade, pois o cérebro é capaz de se regenerar e reorganizar- se, mudando estruturas e assim assimilando novas aprendizagens. O cérebro tem três grandes áreas funcionais que passam pelas sensações, excitação e inibição. A primeira área é a que tem intensidade da resposta interligada com a intensidade do estímulo. A área um é responsável só pelas sensações dos nossos cinco sentidos, a área dois é como um arquivo, então tudo que já vimos fica registrado no córtex dois, responsável pela identificação, passando pela excitação e inibição. A terceira está relacionada com a mobilidade dos processos nervosos, característica que possibilita ao indivíduo mudar facilmente de uma atividade para outra, sendo esta a área cognitiva.

O cérebro tem uma propriedade chamada neuroplasticidade, que é a capacidade de modificar de forma considerável a sua estrutura e seus padrões de atividade, não só na infância, mas também durante a vida adulta. Essa mudança pode resultar das experiências que temos e também da atividade mental puramente interna, ou seja, de nossos pensamentos. (DAVIDSON, 2013, p.181)

Dentro deste contexto, ou seja, a neuroplasticidade cerebral, vale salientar os aportes teóricos para a construção do conhecimento. A postura teórico-metodológica de Jean Piaget e suas explicações sobre o desenvolvimento mental da criança estão relacionadas com as neurociências por conta de sua formação em Biologia e, fazem sentido, pois influenciam a sua teoria de como acontece a aprendizagem. De acordo com   Piaget, as   fases de desenvolvimento da criança para a aprendizagem acontecem por meio de processos de equilibrações.

O desenvolvimento mental é uma construção contínua, comparável à edificação de um grande prédio que, à medida que se acrescenta algo ficará mais sólido, ou a montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam á uma flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais estáveis tornasse o equilíbrio. (PIAGET, 1969, p.12.)

Piaget ainda afirma que construímos nosso conhecimento por meio das muitas dúvidas que surgem ao longo da vida e quando buscamos saná-las, acontecendo assim um aprimoramento das  respostas   conforme o cérebro se desenvolve, cria-se assim um contínuo aprender visto que, já é confirmada a plasticidade cerebral como garantia de que o indivíduo pode recuperar- se de danos cerebrais ou mesmo    assimilar   novos aprendizados. Neste aspecto notamos que aprendemos por meio de interações que acontecem durante a infância e a vida adulta o que na Neurociência é chamada de neuroplasticidade, ou seja, todo o conhecimento em si pode ser considerado como um processo de construção que vai sendo elaborado desde a infância, por intermédio de interações entre o indivíduo, no caso analisado a criança, e o objeto desse conhecimento, sendo o desenvolvimento cerebral o fator que leva da simples ação de registrar observações até a assimilação de novos desafios.

Visões diferenciadas podem ser adotadas na compreensão de    como o sujeito aprende e se desenvolve, Vygotsky que era um apaixonado por psicologia, acreditava que o ser humano nasce com uma potencialidade de aprender, sendo, então a condição básica do psiquismo humano que ilustra o dinamismo das funções mentais superiores.

Na sua perspectiva histórico-cultural a aprendizagem é um processo dinâmico da apreensão das experiências mediadas pelo meio no qual o indivíduo está inserido ou se torna habitualmente frequente como na escola. A aprendizagem então deve se antecipar ao desenvolvimento, e para isso a mediação de indivíduos mais capazes se faz essencial.

Sobre este assunto Vygotsky analisou a micro gênese, que configura um espaço microscópico entre o saber e o não saber, ou seja, o que já temos de aprendizado efetivo no Desenvolvimento Real e o que podemos alcançar como aprendizado num futuro muito próximo, compreendido como Desenvolvimento Potencial (VYGOTSKY,  2006,  p. 111).

Sendo assim dois níveis: o real e o potencial, compõem a de Zona de Desenvolvimento Proximal das funções cognitivas psicointelectuais do ser humano. Podemos notar então, as contribuições de Vygotsky à neurociência contemporânea e à compreensão do processo de aprendizagem. O que uma criança é capaz de fazer com o auxílio dos adultos chama-se zona de seu desenvolvimento potencial. Isto significa que, com o auxílio deste método, podemos medir não só o processo de desenvolvimento até o presente momento e os processos de maturação que já produziram, mas também os processos que estão ainda ocorrendo, que só agora estão amadurecendo e desenvolvendo- se. (VYGOTSKY, 2006, p.112)

Sendo assim, Vygotsky afirma que a aprendizagem precede o desenvolvimento cognitivo e que o aprendizado adequadamente organizado resulta em amadurecimento mental e movimentam vários processos durante o desenvolvimento que vai além da fase escolar fazendo-se necessários diversos estímulos durante toda a infância.

Portanto, a plasticidade cerebral comporta muitas abordagens que podem ser tratadas com a interdisciplinaridade, com diversos estímulos ambientais e de experiências vividas pelo indivíduo, o que interfere na aprendizagem onde o mesmo constrói e desenvolve seus comportamentos que são necessários para as suas realizações e práticas.

A NEUROCIÊNCIA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Atualmente, a formação de professores nos cursos de licenciatura ainda apresenta um déficit na exploração da Neurociência como guia de estudos essenciais para uma boa prática pedagógica diante de tantas dificuldades na aprendizagem. Entende-se hoje que o professor é o profissional que trabalha diretamente com a aprendizagem humana, sendo o primeiro que trabalha intencionalmente na estrutura cognitiva das crianças. A formação e capacitação do mesmo para lidar com este processo e compreende-lo deve ser efetiva. O professor é responsável por mudar e moldar as estruturas neurais de seus alunos mesmo que isso passe conscientemente despercebido por ele. Entender como o cérebro aprende é algo que deve ser fundamental ao currículo dos cursos de formação docente.

Na Educação Infantil acontecem muitas transformações na linguagem comportamental, oral e escrita da criança sendo o ambiente ideal para observações essenciais do ponto de vista pedagógico para sanar dificuldades ou identificar possíveis transtornos ou distúrbios cognitivos, é um período pelo qual o cérebro é alterado. Nesse ponto de vista é fundamental para o professor compreender a função cerebral, especialmente a plasticidade neuronal, para ser capaz de criar intervenções e técnicas pedagógicas mais eficientes. Por meio dos avanços de estudos conceituais a neurociência e a educação estão sendo interligadas. Sendo o cérebro o órgão da aprendizagem é justo que o Pedagogo e a Neurociência andem lado a lado.

Tabaquim (2003, p.91) destaca que o cérebro é o órgão privilegiado da aprendizagem. Conhecer sua estrutura e funcionamento é fundamental na compreensão das relações dinâmicas e complexas da aprendizagem. Na busca pela compreensão dos processos de aprendizagem e seus distúrbios, é necessário considerar os aspectos neuropsicológicos, pois as manifestações são, em sua maioria, reflexo de funções alteradas. As disfunções podem ocorrer em áreas de input (recepção do estímulo), integração (processamento da informação) e output (expressão da resposta). O cérebro é o sistema integrador, coordenador e regulador entre o meio ambiente e o organismo, entre o comportamento e a aprendizagem.

Além disso, as diferenças individuais podem ser mais bem avaliadas pelos professores se estes tiverem embasamento dentro das neurociências diante das consequências de dificuldades cognitivas específicas o que antes eram atribuições apenas a profissionais formados em Educação Especial.

Mas, hoje ainda é um desafio enriquecer o processo ensino aprendizagem usando as informações da Neurociência, pois é preciso que se faça um grande esforço para aplicar as inovações no campo pedagógico. A Pedagogia tem como objeto de estudo o processo de ensino e aprendizagem e precisa aliar-se as pesquisas sobre o cérebro fundamentando sua prática também em base científica e dando ao professor capacitação para compreender o funcionamento cerebral, assim o mesmo pode ressignificar sua prática docente, levando em conta as diferenças e tornando- se agente de determinados procedimentos pedagógicos que tornem possível ensinar o que é importante aprender, dentro de um ambiente educacional significativo.

Para ser válida, uma educação deve levar em conta o fato primordial do homem, ou seja, sua vocação ontológica, que é torna-se sujeito, situado no espaço e no tempo, no sentido de que vive em uma época precisa, em um lugar preciso, em um contexto social e cultural preciso (SALTINI, 2008)

Quanto às dificuldades de aprendizagem e os alunos com necessidades educacionais especiais, as neurociências são aliadas do professor como ferramentas de avaliação e identificação desses casos além de apresentar maneiras eficazes de estimular as funções cerebrais no sentido de aperfeiçoar aquilo que é ensinado e mostrar à criança possiblidades de não sentir-se excluída dentro do ambiente escolar,  dando a ela a oportunidade de conhecer seus próprios limites cognitivos o que para a neurociência é fundamental para o desenvolvimento emocional do cérebro de forma saudável.

Ter a consciência desse processo ao longo de seu desenvolvimento (Como faço, por que faço e como posso mudar esse fazer) é o que chamamos de metacognição, sendo um recurso valiosíssimo na reabilitação cognitiva e nas adaptações pedagógicas para alunos com necessidades educacionais especiais. Dessa forma, todas as informações são processadas bilateralmente, ora esmiuçando, ora integrando, para obter o máximo de informações e dar o máximo de respostas. (MAIA, 2011. P. 28)

Na fase da Educação Infantil quando a criança é observada nas brincadeiras, vemos que ela apresenta raciocínio e lógica abstrata por isso é tão necessário estímulos auditivos, visuais e motores, de forma lúdica. São estas informações que juntamente com estudos das neurociências que possibilitam aos professores ampliarem seu campo de trabalho pedagógico, buscando uma transformação cerebral por meio de novas conexões que acontecem no cérebro quando estimulado de forma correta e contínua, considerando-se assim a neuroplasticidade do cérebro. Uma aprendizagem significativa acontece quando está fortemente ligada com a sua continuidade (treino), discussão, problematização e argumentação. A interdisciplinaridade é hoje uma porta para esta aprendizagem, porque a ligação de um conteúdo ao outro trás a repetição do mesmo assunto em vários contextos diferentes fazendo várias áreas de o cérebro armazenar a informação e pode ser acessada com maior facilidade quando necessário. (GUERRA, 2011).

Analisando os aspectos que permeiam a discussão sobre a formação do professor e as neurociências podemos notar que é fundamental que o profissional da educação busque atualização desses estudos e baseie sua prática docente focando a individualidade dos alunos no sentido de se observar o que se ensina e o que se aprende e como isso acontece no cérebro dos pequenos, ressaltando que  também é dever das instituições promover estas formações e adequarem seus currículos dentro deste tema.

PROMOCÃO DA SAÚDE MENTAL NA ESCOLA E OS BENEFÍCIOS PARA A APRENDIZAGEM

É notório que as escolas não apresentam estratégias para assumir a tarefa de garantir a saúde mental dos alunos dentro de seus planejamentos, porém são necessário que a mesma reconheça, no  aluno, as possibilidades de desenvolvimento emocional e saudável dentro do ambiente escolar, atribuindo a ele o direito de se expressar como um sujeito que busca conhecimento.

Neste aspecto do trabalho, vale salientar que promover a saúde mental na escola visa não só alunos com problemas de aprendizagem, mas a escola como um todo, sobretudo, no interesse de resolver conflitos e tensões causados por diversos aspectos dentro e fora da escola.

Um aspecto importante que promove a saúde mental e emocional na escola é quando o professor busca preparar aulas que tragam percepções sensoriais que estimulem as conexões cerebrais, por meio de recursos educacionais variados, visto que hoje aulas com giz e lousa apenas são consideradas desestimulantes pelos alunos. É preciso reformular o modo de pensar a sala de aula almejando uma visão interdisciplinar.

Outro aspecto importante é a utilização de diferentes canais de acesso ao cérebro além do verbal. As gerações mais antigas aprendiam principalmente por meio de textos escritos, mas os mais jovens têm a sua disposição uma imensa parafernália de material multimídia, principalmente através da internet, o que é muito bom, uma vez que há oportunidade de se construir uma rede neuronal mais complexa. (COSENZA; GUERRA, 2011, p. 73)

Para se promover a saúde mental na Educação Infantil são necessárias ações que priorizem a criança e sua família dentro de um ambiente emocionalmente estável, visto que a saúde mental de uma criança é um processo constante de transformação biológica, crescimento e mudanças psicológicas de forma a entender o seu mundo e o meio onde está inserida à medida que vai crescendo, e das capacidades que vai adquirindo além de depender de vários fatores que podem produzir alterações no comportamento  levando a transtornos. O aspecto psicológico deve ser levado em conta na hora de se preparar determinada atividade de acordo com o histórico de cada sala, pois dependendo da atividade pode se causar um desequilíbrio em alunos que já tenham um histórico psicossocial de transtornos.

Recursos educacionais diferenciados com estímulos sensoriais podem auxiliar na busca da atenção dos alunos e propiciar momentos de concentração visando à aprendizagem. Aulas com recursos tecnológicos, como jogos, brinquedos, vídeos e outros, favorecem uma educação prazerosa, contextualizada e dinâmica. Os momentos de aprendizado em laboratório, aulas de Educação Física, sala de artes ou na própria sala de aula, durante os quais o aluno aprende a pensar, fazer, conhecer, relacionar, comparar, argumentar, decidir, chegar a resultados, propiciam a ele o desenvolvimento do raciocínio lógico e sua participação ativa no processo de aprendizado. Todos estes aspectos estimulam o cérebro e proporcionam mais conexões neurais.

Com a evolução digital, a educação teve um impacto que transformou o modo de se ensinar e aprender. Hoje, as redes sociais dificultam, quando acessadas excessivamente, a atenção, desfocando a aprendizagem. Neste contexto, é necessário que os profissionais de educação percebam as diferenças dessa nova geração, além de reconhecerem que o cérebro humano adquire permanentemente novas informações e assim se consigam adaptar as estratégias de ensino para resultados satisfatórios. Resultados esses em relação ao bom e saudável funcionamento cerebral infantil esquecendo um pouco as exigências institucionais e focando em estimular as habilidades e competências dentro das múltiplas inteligências que surgem da dinâmica interna de expansão e ativação de novas sinapses cerebrais.

Ao conhecer o funcionamento do sistema nervoso, os profissionais de educação podem desenvolver melhor o seu trabalho, fundamentar e melhorar sua prática diária, com reflexos no desempenho e na evolução dos alunos. Podem intervir de maneira mais efetiva nos processos de ensinar e aprender sabendo que esse conhecimento precisa ser criticamente avaliado antes de ser aplicado de forma eficiente no cotidiano escolar. Os conhecimentos agregados pelas neurociências podem contribuir para um avanço na educação, busca de melhor qualidade e resultados mais eficientes para a qualidade de vida do indivíduo e da sociedade. (CONSENZA, 2011, p.145)

Portanto, a promoção da saúde mental e emocional do cérebro dentro das escolas é de fundamental importância para que o desenvolvimento infantil seja integral lembrando sempre, porém que as neurociências para a educação, não propõem uma nova pedagogia nem trazem soluções definitivas para as dificuldades da aprendizagem, mas sim uma reorientação para o modo de se ensinar diante da complexidade do cérebro humano.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos das Neurociências têm sido ampliados nestes últimos anos, prova disso são os novos cursos de formação docente nessa área. Os pedagogos têm buscado informações para embasamento científico no sentido de fundamentar sua prática pedagógica e ter um maior conhecimento do desenvolvimento humano. Para a área da Pedagogia é interessante trabalhar tendo a neurociência como aliada, passando por adaptações e incluindo em seus guias de estudos o funcionamento cognitivo do cérebro, visto que ao trabalhar com o processo ensino aprendizagem os educadores estão lidando com as transformações cerebrais que acontecem durante este processo.

O presente trabalho veio salientar a importância de se entender como a criança precisa de atenção quanto ao seu desenvolvimento na primeira infância e o papel da Neurociência na educação e na formação dos educadores. Mostraram-se aqui as contribuições para auxiliar positivamente o trabalho dos pedagogos, aperfeiçoando as práticas pedagógicas e assim trazendo benefícios à aprendizagem das crianças dentro do ambiente educacional, além de buscar e promover a saúde mental no mesmo.

Concluindo, vale salientar que as pesquisas sobre como o cérebro aprende não trazem um método de como se deve ensinar, porém apresenta cientificamente como o cérebro está pronto para desenvolver-se diante de estímulos adequados e constantes de acordo com as especificidades de cada um. Cabe aos educadores buscarem este conhecimento e apropria-se dele transformando seu modo de ensinar e por que não de aprender.