/ENSINAR POR MEIO DO JOGO E DA BRINCADEIRA

ENSINAR POR MEIO DO JOGO E DA BRINCADEIRA

Este artigo tem o objetivo de investigar a importância do brincar no processo de aprendizagem a partir dos primeiros anos nos espaços de CEIs, levando em conta que, quando o assunto é a trajetória infantil, não podemos observá- la e analisa-la apenas pela ótica da razão, mas temos que considerar que a criança é um ser social e adquiri saberes, mesmo antes de nascer, assimilando as experiências e emoções daqueles com os quais ela convive e com os quais compartilha espaço e tempo Este trabalho de pesquisa buscou embasamento nas diretrizes curriculares da educação e na opinião de vários pensadores que abordaram o tema sobre da importância do jogo, da brincadeira, da terapia e da arte, no aprendizado do ser humano.

O objetivo de abordar neste Artigo o tema do Ensino  por  meio  de  brincadeiras e  jogos,   se   deve ao fato de que, o  estudo  realizado por pensadores e estudiosos do comportamento humano ao longo do tempo ,ter constatado que, a atividade do brincar, é inerente ao ser humano e que a primeira relação de um indivíduo com o mundo,  é por  meio  de  jogos e brincadeiras. A criança assim que nasce, começa a fazer parte do jogo de interação e aprendizado, interagindo com os adultos que com ela convivem e com o espaço social onde está inserida.

Com este trabalho busca-se discorrer sobre a importância do brincar no espaço educacional a partir do ensino Infantil nos CEIs, onde a criança tem seu primeiro contato com um espaço educacional. Buscou-se pesquisar sobre as consequências do jogo e do faz de conta no aprendizado humano, principalmente no espaço escolar, onde as regras trazidas pelo jogo, ajudam o indivíduo a assimilar saberes e comportamentos, abordando a importância do movimento para o desenvolvimento integral do indivíduo.

Procurou-se dar ênfase às características de uma aula de Arte focada numa perspectiva contextualista e sua importância na formação do educando, levando-o a interagir de forma positiva com o mundo, no qual está inserido.

Buscou-se ressaltar a importância de se preparar o educando, para conviver num mundo, de um avanço tecnológico inimaginável, assumindo uma posição crítica e responsável, em relação ao uso das novas tecnologias para que, possa ser um cidadão atuante e responsável, diante de um mundo de novas mídias e novas formas de comunicação.

Por meio deste  trabalho busca-se mostrar, o  quanto  é  importante a   atividade   lúdica,   na   aquisição  do aprendizado no espaço escolar,valorizando e respeitando o imaginário infantil e suas habilidades inatas, na solução de problemas.

JOGANDO E APRENDENDO A VIVER

No espaço  da  educação infantil o ideal é  trabalhar  todas as facetas do desenvolvimento infantil principalmente por  meio de projetos. No projeto Movimento busca-se elaborar brincadeiras e jogos tanto em sala como ao ar livre levando a criança a ter contato com diversos tipos de materiais como por exemplo: caixas, cones, cubos, pneus, fitas, tecidos, embalagens plásticas,  etc.  Os   brinquedos não estruturados permitem o desenvolvimento da criatividade infantil.Um simples pote de sorvete vazio transforma-se tanto em um chapéu, com o qual a criança feliz se exibe diante do espelho, como no momento seguinte se transforma em um banquinho onde ela senta- se e observa os movimentos dos coleguinhas.Por meio de músicas e movimentos coreografados as crianças exploram os espaços apropriando-se dele, testando seus limites e adquirindo segurança segurança.

O projeto de Identidade indispensável nesta faixa etária, possibilita que a criança construa sua  identidade   e   autonomia por meio de brincadeiras que incentivam a interação entre os coleguinhas da mesma faixa etária e também com outros maiores e menores, com o reconhecimento e diferenças de seus familiares.

Nesta faixa etária, como lembra o psicólogo americano Andrew Neltzoff,ao falar sobre os cuidados de pais e adultos em relação às crianças afirma:

“É preciso deixar que a criança brinque enquanto se presta atenção nela.Ela sabe quando é observada.

Isso faz com que a criança se sinta segura,cuidada e apreciada….As crianças são diferentes umas das outras e têm necessidades distintas.Mas uma coisa sabemos sobre todas elas:se saem melhor quando recebem

a atenção daqueles que a amam..(Neltzoff,Andrew. Revista/época/09/05/2016-Pág.68”Os bebês são detetives emocionais”

O JOGO E O APRENDIZADO

(Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de Ludicidade e Psicomotricidade.”Referencial Curricular Nacional Educação Infantil,V. I)

Quando se fala de desenvolvimento de uma criança, o brincar é uma atividade completa pois,é por meio do brincar que a criança interage com o mundo adulto, recriando realidades com as quais vai conviver neste mundo adulto.Participando de jogos ,o ser humano desenvolve habilidades que estão presentes nas relações humanas, como a interação com o outro, o respeito às regras, o conhecimento da própria resistência, a convivência com parcerias, etc. Porserumaatividade lúdica, imperceptivelmente, a atividade passa saberes e experiências   de interação que formam o caráter do indivíduo, preparando-o para viver e interagir em sociedade Uma criança indisciplinada, pedagogicamente falando, não deve ser punida sendo deixada de fora de um atividade lúdica, pois é, justamente por meio deste tipo de atividade, que a criança poderá aprender a seguir regras. É preciso dialogar com ela, levando-a a entender que, se ela não quiser seguir regras, não poderá jogar, não poderá participar da brincadeira. Percebendo que terá que seguir regras para jogar, que é justamente o que ela quer fazer, perceberá que precisará seguir regras para viver em sociedade, fazer parte de um grupo, conviver com o outro e isto exigirá disciplina e respeito a regulamentos.

O jogo parte da representação de situações concretas  e influência o desenvolvimento global, proporcionando uma fase de transição entre o brincar infantil (lúdico) e a vida adulta com suas regras e responsabilidades.

Participar de um jogo exige tomadas de decisões, incentiva a escolha de estratégias  e  isto  só ocorre por meio da interação com o outro. O ser humano é um ser essencialmente social, por isso, precisa aprender a interagir, a seguir regras,a conhecer e respeitar o outro.

Por meio da atividade de jogar, do imaginar, de forma  lúdica, o indivíduo vai aprendendo a interagir com o outro e consigo mesmo, fortalecendo-se e preparando-se para enfrentar as disputas diárias, que a aventura  de viver  vai  lhe  apresentar a cada instante. Cabe portanto ao educador, explorar a atividade lúdica do jogo, incluindo-a como parceira no processo de ensino/ aprendizagem, envolvendo assim a criança na magia do “faz de conta”. criança, em sua interação como mundo, precisa construir conceitos e o faz perguntando, agindo, lendo o mundo, prestando atenção nas imagens que visualiza, criando relações múltiplas testando hipóteses e fazendo uma reflexão sobre o que está realizando. Neste processo, ela reestrutura o seu pensamento criador       de forma contínua. A melhor ferramenta para que o educador observe este processo  de  aprendizagem é o jogo, a brincadeira,o faz de conta, pois nesta interação a criança se entrega sem barreiras, de forma espontânea assimilando saberes quase sem perceber.

O MOVIMENTO E O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL

O principal objetivo do processo educacional é o desenvolvimento integral do indivíduo, ajudando-o a explorar seus limites e a desenvolver suas capacidades pessoais. Quando se pensa em  desenvolvimento pleno de um indivíduo, leva-se também em conta o seu corpo e   o mesmo se desenvolve por meio de movimento. Por sua vez o movimento se desenvolve por meio de jogos, que permitem a exploração das múltiplas potencialidades humanas. Ao utilizar o movimento corporal, automaticamente a criança desenvolve múltiplas linguagens, tanto corporal como plástica, oral, escrita e musical. As atividades de movimento por meio de jogos, desenvolvem o aspecto social incentivando a capacidade de cooperação e interação entre os indivíduos.Por meio do brincar são desenvolvidas a agilidade, o equilíbrio ,a coordenação motora,o controle físico e mental, o respeito aos limites pessoais e coletivos, a exploração e conhecimento do próprio corpo.

Um jogo de futebol é um exemplo perfeito, de como a atividade de movimento exige, todos os sentidos de um indivíduo, proporcionando o aprimoramento de suas capacidades pessoais.Este tipo de esporte é também, uma das atividades que praticamente toda criança, gosta de  realizar. Ele envolve o movimento e ajuda a desenvolver inúmeras facetas de um indivíduo, como o equilíbrio, a coordenação, a velocidade de deslocamento, a capacidade de interagir com o outro, de comunicar- se apenas com o olhar, de saber realizar um calculo mental rápido, para decidir que velocidade dar ao toque na bola, para que a mesma chegue ao gol ou ao companheiro em posição de ataque.

Muitos jogadores de futebol  se destacam, por possuírem um diferencial, que os transforma em craques. Um craque nada mais é do que uma pessoa, que desenvolveu todo o seu potencial e sabe usá- lo, para conquistar o objetivo sonhado, o gol. Numa simples jogada, em segundos, ele realiza um cálculo mental e consegue decidir qual é o melhor ângulo, que velocidade dar ao toque, onde está o companheiro em melhor posição e, qual é o posicionamento ideal para que o toque seja perfeito. Mesmo sem se dar conta ele está realizando uma atividade matemática.

Sendo um dos principais objetivos do processo educacional o desenvolvimento integral do indivíduo, ajudando-o a explorar seus limites e desenvolver suas capacidades pessoais, a atividade de movimento,  passa  a  ser  uma aliada indispensável neste processo.

JOGOS, RECREAÇÃO E LAZER

A trajetória infantil não  pode ser pensada somente  pela  ótica da razão. Ela parte do principio de que a criança é um ser social e que a  apropriação do  conhecimento, se dá já mesmo antes de nascer. Este desenvolvimento ocorre sempre, num espaço e tempo, compartilhados com outras pessoas. Em grande parte de sua vida e principalmente nos primeiros anos, esta interação e aprendizado ocorre por meio do brincar, que é a atividade mais completa. Por meio do brincar, buscamos enfatizar o jogo como uma alternativa que contribui de forma favorável para o desenvolvimento infantil.

Como esclarece Vygotsky (1989) o desenvolvimento intelectual  e a aprendizagem, são movidas e originadas na interação social. Portanto,quando a criança passa a estar inserida em um determinado contexto social, ela passa a incorporar ativamente os comportamentos das pessoas que interagem  com  ela,  a partir daquele contexto e assim, adquiri conhecimentos e acumula saberes, por meio da criação  de uma zona de desenvolvimento proximal, onde a criança, em suas situações e movimentações diárias, dá vazão à imaginação e por meio da brincadeira cria, um novo tipo de atitude em relação ao real.

Uma das características primordiais do jogo ,segundo (Huizinga, 2001), é justamente o fato de ser uma atividade livre, pois, exceto quando vemos um profissional em ação, que muitas vezes não está a fim de jogar mas, pelo regulamento, precisa entrar em jogo,na vida comum, só vai participar de um jogo, só entra em campo, quem está querendo participar livremente.

Outra característica de um jogo, que ajuda muito no aprendizado, é o fato de ser uma atividade de “faz de conta” onde, pelo fato de um indivíduo “estar só brincando”, permite que o mesmo vivacomo se fosse uma outra pessoa, aprendendo e estudando reações, tomando decisões que vão formando o caráter pessoal. Este posicionamento está muito presente quando estamos em uma atividade lúdica e principalmente em um jogo. Segundo Felipe (2001), faz parte das prerrogativas da Escola ajudar a criança a avançar em sua compreensão de mundo, partindo do desenvolvimento já consolidado e avançando para novas  etapas a serem conquistadas. Neste cenário, o papel do professor é realizar a  intervenção  na  zona de desenvolvimento proximal do educando, visando provocar avanços que precisam de estímulos para se concretizarem, e, o jogo, a brincadeira, são instrumentos que favorecem esta empreitada(FELIPE 2001.P.30).

A dinâmica, a interação e o aprendizado assimilados pela atividade do jogo, da brincadeira, do imaginário, enriquecem o aprendizado da criança ea estimulam aavançar na conquista de sua própria rede de saberes, preparando-a para a vida, onde situações concretas exigirão tomadas de decisões reais. Como vemos com muita frequência, as vezes, é por meio do jogo e da brincadeira , que a criança escolhe a profissão que exercerá no futuro.

A criança já nasce sabendo se comunicar por meio de gestos, sons e olhares. Logo descobre e aprende a usar a sua imaginação nas brincadeiras e, não demora, a diferenciar o real do faz de conta. Brincando ela passa a adquirir habilidades, indispensáveis para o seu desenvolvimento como, a atenção, a imitação, a imaginação e a memória. Além de contribuir para que as aulas se tornem mais dinâmicas e participativas, é por meio do lúdico que a criança aprende com mais facilidade, como argumenta Cunha (1994).

Para que a atividade lúdica seja incorporada à aprendizagem de fato é preciso que, segundo Oliveira (2003), ela favoreça o envolvimento da criança na brincadeira, promovendo a elaboração de situações imaginárias, onde a mesma possa elaborar conceitos e testar soluções. No trabalho pedagógico, Vygotsky (2003) defende a concepção de que, a intervenção na zona de desenvolvimento proximal das crianças, ocorre de forma continua e deliberada e que, este desenvolvimento, se torna mais acentuado por meio de jogos, pois o jogo é sempre uma simulação e não uma realidade concreta. Como tal, a atividade de jogar, permite que o individuo atue e tome decisões, fora de seu campo real, onde tem mais liberdade para se aventurar. Quando brincamos conseguimos, sem muito esforço, encontrar respostas para sanar dificuldades de aprendizagem, bem como interagir com espaços lúdicos que enriquecem e dão a oportunidade de criar e elaborar conceitos. Podemos constatar isso nos  espaços    disponibilizados nas brinquedotecas onde,sob o olhar do educador, a criança  cria e desenvolve soluções para as suas interrogações ,sobre uma ou outra questão que vá surgindo na execução do brincar.

Em diversos setoresdasociedade a Ludicidade e a Psicomotricidade vem conquistando espaço e sendo assunto de estudos e discussões. Em se tratando do espaço educacional, o lugar do lúdico cada dia se faz mais presente nas linhas pedagógicas, apontando  para três vias de práticas pedagógicas desenvolvidas nas instituições: Uma primeira via de ação subestima a criança. Uma segunda via de ação coloca a criança como aquela que tudo pode e sabe. Uma terceira via de ação pedagógica, considera a criança como um ser histórico e social, dotado de conhecimentos, inserido numa cultura da qual trás traços, que vão formando a sua personalidade. Neste quadro, é papel do   espaço   educacional, verificar e optar pela linha  pedagógica  que realmente esteja preocupada com o desenvolvimento das potencialidades infantis, tendo em vista que a criança precisa ser vista em toda a sua potencialidade, com seus direitos e responsabilidade, dentro do espaço social onde está inserida.

Tendo como referencia as orientações curriculares para Educação Infantil, é indispensável que, como educadores, estejamos atentos às  relações entre o cuidar e o educar e ,o lúdico e a educação, desenvolvendo sempre uma atitude de aceitação, respeito e confiança, valorizando sempre a realidade social  e cultural  na qual a criança  está  inserida, utilizando  o brincar como instrumento de aprendizagem, interação social e atitude cooperativa, que é a essência do jogo. Por meio do brincar, a criança apropria-se da  realidade e constrói novos saberes que colaboram para o seu crescimento. Ela interage com os outros por meio de gestos, movimentos, palavras e representações e isto contribui para a sua interação social. O brincar leva a criança a compartilhar sentimentos, vivências e experiências em grupo, tornando possível a inclusão, com a quebra de barreiras e preconceitos.

A PERSPECTIVA CONTEXTUALISTA E AS AULAS DE ARTE

Como seres naturalmente sociáveis que somos, adquirimos saberes por meio do convívio com outros seres humanos. Em contato com o outro, desenvolvemos melhor as nossas potencialidades. Assim, quando olhamos a aprendizagem sob uma perspectiva contextualista concluímos que, ela contribui muito para compreendermos o desenvolvimento humano.

A linguagem plástica desenvolvida quando  a aula de arte é apresentada por meio de uma perspectiva contextualizada, permite que a criança tenha plena liberdade para usar a imaginação. Com esta contextualização de mundo, ela passa a aceitar e valorizar o seu espaço. Usando sua imaginação, ela passa a descobrir o mundo como ela o vê e não como de fato ele é,e isto permite que a mesma, passe a aceitar e valorizar o seu espaço, ampliando a sua sensibilidade e preparando-se melhor para construir a sua própria rede de saberes .

As ações educativas, que se direcionam para o descobrir de mundo,  vivenciado pela criança, são indispensáveis para o seu desenvolvimento pleno. Isto ocorre por  meio  da  instigação  de sua iniciativa criadora que, a ajudam a elaborar conceitos sobre suas impressões de mundo. Precisamos respeitar a imaginação infantil permitindo que a criança, caminhe com liberdade no mundo das descobertas, realizando o educador o papel de parceiro nestas descobertas, observando sempre, as faixas etárias na qual cada indivíduo, sob sua responsabilidade,está inserido.

Quando um indivíduo convive em um espaço, ou sob os cuidados de alguém,  que  lhe  permita criar e descobrir com liberdade, acaba por vivenciar o fortalecimento de suas potencialidades e  autoestima e, consequentemente, torna-se um adulto mais seguro, criativo e participativo. Um dos recursos que o espaço educacional pode contar para este fortalecimento, é  justamente  o uso inteligente das aulas de Arte, focadas numa perspectiva contextualizada, que enxerga o educando, em toda a sua capacidade criativa e lhe dá espaço para descobrir suas potencialidades, e usá-las na conquista de novos conhecimentos.

A Escola que recebe a criança todos os dias e com ela interage, tem a função social de exercer sobre ela uma influencia  positiva, levando-a a aprimorar suas habilidades e a desenvolver uma visão de mundo sustentável, onde a mesma está inseridae deveatuardeformapositiva. Mas, como deve ser desenvolvida a Arte no contexto escolar? Como deve ser aplicada a Arte e Educação em sala de aula?

O desenvolvimento da Arte, no contexto escolar ,deve estar apoiado em uma prática pedagógica  focada na abordagem triangular: a  leitura da obra de arte, o fazer artístico e o conhecimento da história da Arte. Mas isto requer também um conhecimento interdisciplinar, que  abrange  não só a  história,  mas  a  antropologia, a   sociologia  e   a   estética,  entre outras disciplinas, desenvolvendo o conceitos e os saberes. Nos primeiros contatos com a Arte, é indispensável o respeito à imaginação infantil e ao imaginário juvenil.O posicionamento do educador neste momento é fundamental para que o ensino de Arte enriqueça o educando e que, ao mesmo tempo que lhe proporcione um momento de ludicidade e terapia, o ajude a enriquecer-se culturalmente, preparando-o melhor para repeitar o mundo,o outro e a si mesmo ,inserido- se numa sociedade com seu passado e seu presente, e ao mesmo tempo, preparando-se para fazer parte de um futuro de respeito e interação.

No espaço acadêmico existem dois posicionamentos, seguidos pelos professores de Arte. De um lado estão os professores essencialistas que, são defensores do ensino artístico puramente ligado à  Arte. De outro lado estão os professores contextualistas que, definem o papel da Arte como meio que leva ao desenvolvimento emocional, social e formador de valores e atitudes. Segundo esta linha ,a Arte deve servir também, como recurso para impulsionar a imaginação, o que daria origem a criatividade.

Entre uma opinião e outra o certo é que, no espaço educacional que visa preparar o educando para a vida em sociedade, a leitura da obra de arte tem a função de desenvolver a análise estética e a compreensão do produto artístico. Contudo, para um desenvolvimento pleno, é importante que o educador não se fixe em uma releitura já padronizada mas busque disponibilizar espaços, onde o educando, mediado pelo professor, seja desafiado a buscar ,conhecer e mergulhar em novos conhecimentos artísticos,e seja incentivado  a criar a sua própria Arte,sem olhar a obra de Arte analisada, como um único modelo a ser seguido.

Uma aula de Arte tem por função básica, desenvolver competências e habilidades ,que levem o indivíduo a  aprender a  apreciar   produtos de Arte, a realizar produções artísticas individuais ou coletivas, por meio da representação e da comunicação, utilizando-se de várias linguagens. Conhecer   e   analisar os critérios culturais embasados  em conhecimentos de caráter filosófico, histórico, sociológico, científico e tecnológico, faz parte das competências e habilidades inclusas na Investigação de uma obra de Arte. Isto porém só será viável, se o espaço educacional ,por meio do ensino da Arte, disponibilizar recursos com um grande leque de informações artísticas,que possibilitem ao aluno, ter argumentos e conhecimentos prévios para fazer esta análise, com conhecimento de causa.

AS NOVAS TECNOLOGIAS E A CRITICIDADE

Vivemos hoje na era da agilidade onde,tudo acontece num piscar de olhos.Com o advento das novas tecnologias este fenômeno tornou- se ainda mais acelerado. A notícia de ontem já envelheceu. O  que  se aprende de manhã, à tarde já pode ser atualizado. Contudo o processo educacional no Brasil infelizmente, tem sido pautado pela estagnação. Não está assim tão distante o tempo em que um educador se formava,montava o “seu caderninho amarelinho” e com ele em mãos sentia-se preparado para dar aulas durante, pelo menos, 25 anos. Hoje felizmente não é mais assim. O educador sabe que precisa se atualizar continuamente.

Com a inclusão das mídias no processo Educacional, se faz cada dia mais urgente ,que o educador se atualize. O educador precisa se atualizar e perder o medo das novas mídias porque, mesmo que os alunos de hoje  dominem  mais as mídias, do que a maioria dos educadores,o processo educacional hodierno, precisa abraçar  as mídias, para poder orientar melhor o educando, sobre o modo correto e ético, de bem utilizar os recursos presentes nestas mesmas mídias.

Mesmo que uma criança , praticamente nasça sabendo como localizar seu desenho preferido no tablet, ela não nasce com instintos naturais para apropriar-se de forma crítica das novas tecnologias de informação e de comunicação. È importante que as novas políticas educacionais, levem o educador a se aprimorar sempre mais e aprenda a navegar com tranquilidade pelos novos meios de comunicação, tirando dos mesmos, os recursos para bem preparar o educando, na busca da descoberta e na construção de novos saberes, de forma ética e construtiva.

Nesta tarefa, o sistema educacional enfrenta alguns desafios como : a insegurança e até o medo do educador perante as novas tecnologias,a mudança dos planos educacionais de acordo com a vontade da equipe política atuante, a falta de equipamentos atuais e funcionais,entre outros.

O SENSO CRÍTICO DIANTE DA RAPIDEZ DAS NOVAS MÍDIAS

Ao se abordar a questão da linguagem desenvolvida pelas novas mídias, tão presentes em nossa vida diária e no espaço educacional, não podemos esquecer de mencionar a importância de, na prática pedagógica, se abordar a questão de criticidade perante essas novas tecnologias.

De acordo com os estudos desenvolvidos por Fumagalli citando Weissmam (1998)”… a formação das crianças e jovens, deve contribuir para a formação de futuros cidadãos que sejam responsáveis por seus atos, tanto individuais como coletivos…”(Weissmam (Fumagalli,1998,p.18)).

Nas últimas décadas as conquistas tecnológicas são inegáveis. A rapidez alcançada pelas novas mídias provocaram transformações incríveis e irreversíveis, principalmente nas relações humanas, onde a linguagem, adquiriu novas formas e maior rapidez para se propagar.

Esta rapidez está presente em fatos positivos como em fatos negativos. Quem determina e dá um parâmetro para essas informações, é justamente o nosso senso crítico,a nossa ética. Não podemos negar que a Educação como se diz “dormiu no ponto”, em relação às novas tecnologias. Muitos educadores não estão preparados para introduzir as novas tecnologias em sua prática pedagógica, enquanto isso, os alunos estão cada vez mais ágeis no domínio destas mesmas tecnologias.

Mas qual seria o papel da Escola neste cenário tecnológico? Ensinar o jovem a navegar? Não! Isto ele já sabe fazer. A função do educador no processo pedagógico neste momento é, por meio de um currículo dinâmico, promover espaços  onde, através de debates, os alunos possam construir uma visão crítica sobre todas as informações que lhes chegam, com tanta rapidez, pelas novas  tecnologias,e    aprendam a se posicionar de forma crítica, perante elas.Em um espaço escolar dinâmico , o aluno irá adquirindo bagagem para se  questionar  e se posicionar com critério e ética, inferindo criticamente em cada situação, construindo relações sadias e enriquecedoras. Neste Ciberespaço, onde vivemos e interagimos, as possibilidades de comunicação são infinitas, a troca de experiências e de conhecimentos são constantes e tudo ocorre sob uma nova perspectiva comunicacional onde, a cada segundo, o novo se nos apresenta e pode ser conquistado, rompendo as barreiras do tempo e espaço. Para que isso ocorra de forma produtiva é preciso que estejamos prontos para interagir, de forma ética e com criticidade, assumindo atitudes politicamente corretas, buscando a construção de um mundo mais justo e igualitário.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com os estudos e pesquisas realizadas para a realização deste trabalho, pode-se concluir que, o jogo,a brincadeira e o lazer fazem parte do aprendizado humano. Quando uma criança brinca ela não está  dando  um  tempo  no aprendizado mas, continua aprendendo, interagindo, trocando experiências, descobrindo novos saberes, aumentando sua rede de informações.

É importante observar o quanto as atividades pedagógicas, podem lucrar com a inclusão do lúdico no seu currículo pois, ao participar de um jogo, de uma brincadeira, o educando se desarma e, enquanto brinca, assimila saberes sem o perceber e principalmente, aprende a interagir em grupo, respeitando o outro e a si mesmo e construindo um rede de inter relações positivas que tornaram mais viável a sua atuação em sociedade na sua vida adulta.

Podemos concluir que o brincar,tão inerente ao ser humano, precisa ser incorporado ao currículo escolar desde a primeira infância, como um aliado no aprendizado e no desenvolvimento integral do indivíduo, visando a colaboração para um mundo mais humano e participativo.

REFERÊNCIAS

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http://awebic.com/cultura/32-fotos-tiradas-na-hora-de-criancas-brincando-ao-redor-mundo ( Acesso em 5 julho -2016

123rf.com/photo_15864292_ilustração-de-crianças-brincando-em-um-fundo-branco.html .Acesso em 5 de julho

Por: Maria da Conceição Nunes Domiciano da Silva