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INCLUSÃO: BENEFÍCIO A TODOS

Entende-se por inclusão o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, todas as pessoas com necessidades especiais, e estas são preparadas para assumir um lugar na sociedade. Assim, a inclusão é um processo onde as pessoas excluídas e a sociedade buscam juntas um recurso para solucionar problemas, decidir os acontecimentos e dar oportunidades iguais a todos.

É importante salientar que grande parte das famílias brasileiras não está segura e preparada para receber um membro deficiente. Uma pessoa deficiente, muitas vezes, é alvo do preconceito que governa nossa cultura, pois muitos deficientes sofrem rejeição, segregação e piedade. Desta maneira, as famílias se tornam reféns desta sociedade preconceituosa.

Os pais nunca têm ideia de que um dia poderiam ter um filho que nasça com deficiência. Assim como uma família nunca tem ideia de que um membro poderia um dia sofrer um acidente, tornando-o deficiente. A palavra “deficiente” gera uma conotação muito negativa, pois há o pensamento de que deficiente é aquele que sempre dará muito gasto, muito trabalho e que viverá até o fim de seus dias dependendo da ajuda de sua família.

Perante estas suposições, este trabalho vem contribuir com as desmistificações a respeito dos deficientes, pois é possível sim que um deficiente leve uma vida independente, trazendo contribuições para sua família e para a sociedade.

BENEFÍCIOS DA INCLUSÃO

Percebe-se que para que ocorra a prática da inclusão, é necessária a aceitação das diferenças individuais, a valorização das características de cada indivíduo, a convivência dentro da diversidade e a cooperação. Assim sendo, a inclusão é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade, que funciona através da mudança dos ambientes físicos, e principalmente, da mentalidade das pessoas, dando a oportunidade para todos buscarem desenvolvimento e exercer a cidadania.

A escola inclusiva é uma realidade em diversos países. Ela tem como finalidade não deixar ninguém fora do ensino regular desde o início. De tal modo, se preocupa com as necessidades especiais de todos os alunos, gerando um sistema educacional estruturado com base nas necessidades de todos os indivíduos. As diferenças são observadas, valorizadas e celebradas como coisas boas. Percebe-se então que a inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia desde os professores até os funcionários em geral, para que obtenham sucesso nesta corrente educativa.

As escolas que praticam a inclusão voltam-se ao enfoque de fazer os alunos sentirem-se bem-vindos, seguros e aceitos, proporcionando com isso autoestima e sucesso. Em algumas delas, o principal objetivo é fazer o aluno ser aceito por seus colegas e professores, desenvolvendo amizades e relacionamentos que lhe prestem apoio. Assim, para esses alunos, o enfoque em objetivos curriculares pré-definidos é posto de lado até que a aceitação e as amizades se desenvolverem, embora muitos esforços são feitos para manter os alunos ativamente envolvidos nas atividades das aulas. Desta maneira, os alunos tornam-se incluídos ou envolvidos no que seus colegas fazem durante as aulas, mesmo que os benefícios a longo prazo não estejam totalmente claros. Ser aceito, bem-vindo e sentir seguro com os colegas em um ambiente de aprendizagem é considerado pré-requisito para o sucesso posterior dos alunos nas tarefas de aprendizagem. Pouco a pouco, à medida que os alunos são aceitos, eles se envolvem nas atividades da turma de forma a alcançar os objetivos da vida diária, os objetivos acadêmicos e os vocacionais.

Com o enfoque na amizade, muitas oportunidades para uma aprendizagem significativa começam a surgir à medida que as amizades se envolvem. Através da socialização com diferentes colegas em ambientes de ensino regular que as crianças aprendem, encontram significado e propósito na aprendizagem e conseguem um maior entendimento das muitas disciplinas ensinadas na escola. Se o processo de socialização for adequadamente organizado, ele proporcionará oportunidades para os alunos conhecerem-se, respeitarem-se, interessarem-se e apoiarem- se mutuamente, ao mesmo tempo em que aprendem as habilidades acadêmicas, da vida diária, sociais, vocacionais, e outras, fundamentais para a vida e para o trabalho em sociedade inclusiva.

A educação inclusiva representa benefícios muito concretos que podem ser gerados em nossos sistemas escolares para assegurar que todos os estudantes comecem a aprender que o pertencer é um direito, e não algo que deva ser conquistado. A educação inclusiva traz a valorização da diversidade dentro da comunidade humana.

Na escola, a inclusão ajuda o aluno deficiente com a apreciação pela diversidade humana, experiência direta de suas capacidades, aumento de responsabilidade e melhora de aprendizagem através do ensino entre alunos, habilidades da vida diária, preparação para a vida adulta em sociedade através da educação em sala de aula diversificada, apoio acadêmico adicional por parte da escola especial e desenvolvimento do trabalho em equipe. Alunos com níveis diferentes de deficiência aprendem mais em ambientes inclusivos, onde lhes são proporcionados experiências e apoio educacionais adequados, do que quando estão em ambientes segregados. Toda essa comunicação e interação ajudam o desenvolvimento de amizades e o trabalho com os colegas. Os alunos aprendem a ser mais sensíveis, a compreender, a respeitar e a crescer confortavelmente com suas diferenças. Em geral, quanto mais tempo alunos com deficiências passam em ambientes inclusivos, melhor é seu desempenho nos campos educacional, social e ocupacional.

Já o aluno sem deficiência se beneficia com o acesso a uma ampla gama de modelos de redes sociais, com o aumento da responsabilidade, com a preparação para a vida adulta em sociedade diversificada, pelo acesso a uma educação multicultural, aprende sob condições instrumentais diferenciadas e desenvolvem amplamente o conforto, a confiança, a sensibilização e a compreensão da diversidade das pessoas. Nas salas de aula, todas as crianças enriquecem-se por terem a oportunidade de aprender umas com as outras, desenvolvem-se para cuidar umas das outras e conquistam as atitudes, as habilidades e os valores necessários para nossas comunidades apoiarem a inclusão de todos os cidadãos.

Diante da educação inclusiva, os professores tomam conhecimento dos progressos na educação, conseguem fazem mudanças na rotina, participam ainda mais ativamente no planejamento da vida escolar. Os professores tornam-se ainda mais capacitados na medida em que elevam sua posição, mantêm-se informados das mudanças que ocorrem em suas áreas e garantem sua participação na tomada de decisões. A inclusão ajuda os professores a tornarem-se melhores profissionais, mais flexíveis a mudanças e mais preparados para novos desafios.

A educação inclusiva gera participação plena de todos os alunos, estudo e admiração da diversidade, métodos e currículos adaptados as necessidades individuais, parceria ativa com os pais e senso de comunidade não só na sala de aula, como por toda a escola, envolvendo as famílias dos alunos. Além disso, todas as crianças, com ou sem deficiência, precisam de interações professor-aluno e aluno-aluno que moldem habilidades acadêmicas e sociais.

Nota-se que a escola é o ponto de partida para alcançarmos uma sociedade inclusiva, baseada no respeito dos direitos humanos e da liberdade, na diversidade cultural e religiosa, na justiça social, nas  necessidades especiais de grupos vulneráveis e marginalizados, na participação democrática, na vigência dos direitos, empenhando-se para acolher as diferenças de todos os seus membros e oferecer oportunidades iguais para todas as pessoas, independentemente de suas necessidades especiais ou deficiência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A principal razão para a inclusão não é que os alunos previamente excluídos estarão se tornando proficientes em socialização, história ou ciências. Ao contrário, a inclusão de todos os alunos ensina aos alunos com e sem deficiências que todas as pessoas são membros igualmente valorizados na sociedade, e que é válido fazer tudo o que for possível para incluir todos na nossa sociedade.

A inclusão é uma grande conquista para toda humanidade, ela reforça a prática da ideia de que as diferenças são aceitas, respeitadas e que todos nós temos direitos iguais. É óbvio que para os deficientes ela é essencial, pois dá oportunidade para eles terem suas vidas independentes, terem maior participação na sociedade, exercerem sua cidadania, fazerem escolhas e contribuírem ativamente com o desenvolvimento social, econômico, cultural e político da nação. Mas, pensando além dos benefícios para os deficientes, percebe-se que as comunidades com diversidades são muito mais ricas, mais democráticas, garantem espaço para todas as pessoas, fortalecem as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana, valorizam a importância do pertencer, da convivência, da cooperação, da bondade e da contribuição que todas as pessoas podem dar para construírem vidas comunitárias mais justas, mais saudáveis e mais satisfatórias, são lugares que oferecem mais oportunidades produtivas para viver e aprender. Essas comunidades têm a capacidade de criar o futuro, oferecendo uma vida melhor para todos através da inclusão, afinal, importante mesmo é o que é diferente, não o que é igual.