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LIÇÃO DE CASA E APRENDIZAGEM

Este artigo foi elaborado a partir do estudo bibliográfico, da observação e do levantamento de dados de pesquisas sobre a dinâmica das lições de casa e sua relevância para a conquista da autonomia do estudante ponderando a participação dos sujeitos envolvidos no processo. Algumas questões importantes nortearam este estudo, entre elas: Qual é o objetivo da lição de casa? É possível que a prática colabore para o exercício da responsabilidade? Até que ponto ela colabora para com a aprendizagem e para com a construção da autonomia? Como deve ser a participação da família nesta atividade? Outro aspecto que requer atenção particular é a problemática que envolve a devolutiva do professor com relação à correção que é administrada ao procedimento pedagógico. Faz-se necessário analisar a importância deste exercício para a aprendizagem, quando ele é realmente eficaz e qual deve ser o seu propósito educacional para que sua prática faça sentido e seja coerente tanto para o professor quanto para o aluno e sua família.

INTRODUÇÃO

Existem temas que são tão corriqueiros que pouco é conjecturado a necessidade de uma análise mais detalhada sobre suas características, seus propósitos e funções. Qual seria o objetivo legítimo da lição de casa? Até que ponto ela colabora para com a aprendizagem e para com a construção da autonomia? É possível que a prática colabore para o exercício da responsabilidade? Qual é o limite para a participação dos adultos e como podem auxiliar nas lições sem fazê-las pelos filhos?

Outro ponto é a questão da devolutiva do professor: correção coletiva, correção individual, autocorreção, correção trocada, compartilhada ou ambas. O que corrigir e como fazê-lo? Valorizar o esforço pela tentativa seria mais assertivo do que adotar uma ação punitiva pela não conclusão da tarefa?

A relevância da proposta encontra-se na necessidade de analisar a importância deste exercício para a aprendizagem e quando ela é realmente eficaz, bem como, qual deve ser o seu propósito educacional.

Faz-se necessário o levantamento de informações pertinentes ao tema que é motivo de polêmicas, entre elas: Toda lição de casa é significativa? Quanta lição é suficiente e como evitar a sobrecarga ao aluno? Quando ela é realmente uma aliada no processo de aprendizagem? Como ela pode ser um sinalizador verossímil da aprendizagem? Seria ela coadjuvante na construção da autonomia?

São questões que carecem análise e estudo, e, é esta a proposta deste projeto, analisar e estudar as   questões relativas à prática da lição de casa e seus sujeitos.

O objetivo geral do projeto é o estudo, a pesquisa e o levantamento de dados pertinentes sobre a relevância das lições de casa no processo da aprendizagem e na construção da autonomia dos educandos.

Pretende-se, concomitantemente a este estudo, avaliar alguns aspectos sobre o tema, tais como: importância para a aprendizagem; periodicidade; ambiente adequado; tempo de dedicação do aluno; auxílio dos pais; dificuldades para concluir as atividades propostas; devolutiva do professor; responsabilidade; rotina de estudos, análise, conteúdo e contribuição para o alcance da autonomia.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E PESQUISA

A ação é a origem do conhecimento. Ela envolve a transformação do objeto e do próprio sujeito e é resultada da interação do indivíduo com o mundo. (FERREIRO, 2001)

Ao construir o conhecimento através da própria ação e da mediação e orientação do professor o aluno se faz autor e protagonista de seu conhecimento.

O desafio dos profissionais da educação é propiciar condições favoráveis e adequadas para que esta ação aconteça de forma condizente com as necessidades e interesses do aluno, suas possibilidades, limitações, competências e habilidades e que esteja voltada ao contexto social e histórico em que ele vive.

Segundo Weisz, educadora e doutora em Psicologia, o professor tem condições de ser sujeito de sua ação profissional e o aluno agente de seu conhecimento. A concepção de aluno como um ser que pode refletir, agir e construir seu próprio conhecimento, surgiu de pensadores como Dewey, Claparède, Decroly, Montessori e Freinet. Ambos acreditavam no indivíduo como um ser livre, ativo e social. (2009)

Observa-se no pensamento da educadora que o “conhecimento só avança quando o aprendiz tem bons problemas sobre os quais pensar” (WEISZ, 2009, p.66).

O foco é a prática pedagógica centrada no que é significativo para o aluno e em atividades que geram uma problematização e uma reflexão sobre o que se pretende ensinar.

Escolas, educadores, psicólogos e psicopedagogos veem na lição de casa uma possibilidade de a criança adquirir uma atitude reflexiva no processo de estudo e efetuar atividades sozinha, inclusive de aprender a como aprender, sendo assim, “… mais vale perder tempo para saber como se faz para aprender do que perder anos inteiros a tentar, vagamente, absorver conhecimentos” (MEIRIEU, 1998, p. 14).

É o momento de o aluno desenvolver habilidades de procedimentos, de concentração, de responsabilidade, de ampliar conceitos, de reforçar a aprendizagem, de perceber suas dificuldades, levantar dúvidas e de buscar alternativas para superá-las. Um momento de conhecer a si mesmo e de fazer uma reflexão a cerca disto.

A lição adequada e que propõe desafios ao aluno pode oferecer uma oportunidade de autoconhecimento e reflexão à medida que apresenta uma análise da própria aprendizagem. As atividades propostas devem ser moderadas em quantidade, detentoras de qualidade e permitir que o aluno reflita sobre como advém o seu próprio conhecimento e a sua aprendizagem.

… os trabalhos de casa serão sempre necessários; poderão ser sem dúvida, menos numerosos, mais objetivos, mais acessíveis, mas é necessário que haja alguns para desenvolver nos alunos a autonomia e a responsabilidade, bem como o sentido de organização, o interesse em aprofundar os seus conhecimentos e o gosto pelo trabalho pessoal. (MEIRIEU, 1998, p.14)

Em se tratando desta estratégia pedagógica, quantidade não garante qualidade nem de tal maneira colabora para a aprendizagem significativa.

Meirieu expõe que “a tarefa é um pretexto para exercitar-se em situação de aprendizagem, um pretexto para verificar se foram adquiridas certas habilidades cognitivas ou motrizes em situação de avaliação” (2005, p.191).

Educadores engajados e conscientes da importância da lição de casa adotam-na, com prudência, como forte aliada no processo da aprendizagem objetivando tanto a aprendizagem das disciplinas e conteúdo, quanto a construção da autonomia ao incentivar a organização, a responsabilidade e a rotina de estudos.

Fazendo a lição sozinha, fora do espaço escolar, a criança experimenta suas possibilidades e impossibilidades… cria estratégias para os desafios com os quais se defronta, desenvolvendo sua autonomia, sua noção de responsabilidade e seus hábitos de estudo. (FIGUEIRAL, 2010, p.69)

O aluno, ao desenvolver esta atividade sozinho, sem a interferência e influência de um adulto, pode perceber suas reais possibilidades e dificuldades, a assumir para si e se tornar responsável por ela. Este momento individual se contrapõe ao da sala de aula e permite que a criança entre em contato com questões individuais de sistematização, retomada e aprofundamento. A escola precisa oferecer condições de aprendizagem que permitam aos alunos ter independência e domínio dos conteúdos e das habilidades básicas para bem realizar as obrigações de tarefa de casa, sem nenhuma ajuda. O aluno precisa ter inteira independência na feitura da tarefa de casa, sem nenhuma “muleta”. (NOGUEIRA, 2002, p. 94)

O professor tem, na lição de casa, uma ferramenta que lhe permite levantar as dificuldades e facilidades encontradas pelos alunos e pode, através deste levantamento, adequar atividades e estratégias, reforçar conteúdos e fazer um acompanhamento individualizado. É necessário que estas atividades sejam interessantes e conectem as necessidades do aluno com seu desejo de aprender e conhecer.

É interessante, conforme se percebe em Meirieu (1998), que ao rever o que foi estudado em sala de aula, o aluno faz uma reconstrução do que foi aprendido e não apenas recorda o que foi assimilado anteriormente.

A lição de casa pode ser um sinalizador da aprendizagem do aluno para o professor sobre as estratégias que possibilitam resultados apropriados, o que precisa ser repensado e quais são as reais dificuldades encontradas. Para que a prática cumpra tais objetivos torna-se imperativo que a lição seja feita pela criança.

A teoria de Ausubel, apud Moreira (1982), sobre aprendizagem significativa pensada para a escola, leva em conta a história do indivíduo e ressalta o papel do professor na proposição de situações que favoreçam a aprendizagem.

O conhecimento prévio do aluno é a chave para a aprendizagem significativa. Ela é possível quando um novo conhecimento se relaciona a outro já existente em sua mente.

Ele explica o processo de aprendizagem como sendo a organização e integração de informações na estrutura cognitiva, portanto, novas ideias e conceitos são ancorados na estrutura cognitiva onde já existem conceitos relevantes e inclusivos disponíveis e claros. Sua teoria reconhece também, a importância da experiência afetiva para a aprendizagem sendo ela compatível com as teorias do desenvolvimento cognitivo, de Piaget, e a sociointeracionista, de Vygotsky.  O estudioso e Piaget concordam que o desenvolvimento cognitivo é um processo dinâmico e que a estrutura cognitiva é constantemente modificada pela experiência.

A escola deve almejar a aprendizagem significativa sem desconsiderar a aprendizagem mecânica que também se faz importante no processo. Esta aprendizagem exige que haja a interação entre as crianças e que novas relações aconteçam para que avancem e construam seu conhecimento.

A iniciativa do Programa Mais Educação, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, pretende sistematizar a prática da lição de casa nas escolas e articular ao currículo as atividades de estudo extra aulas com a avaliação e com as atividades de recuperação. Segundo ele, o aluno deve ser sujeito no desenvolvimento das atividades e construir seus conhecimentos. Estas atividades devem permitir a identificação e posterior superação dos obstáculos que se opõem ao seu próprio processo de construção de conhecimentos e desenvolvimento cognitivo. A Secretaria de Educação sinaliza que as atividades de lição de casa propiciam o acompanhamento das famílias no processo de ensino aprendizagem e oferecem oportunidades de estreitamento dos vínculos familiares.

Elas são ações pedagógicas complementares às várias atividades do cotidiano escolar e devem ser realizadas em horários extra aulas.

As tarefas devem ser claras sobre seus sentidos e funcionalidades, estar em acordo com os exercícios e ações em curso e carecem ser acompanhadas por todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo para o estreitamento dos vínculos familiares.

As orientações do programa afirmam que essas atividades tendem a construir e solidificar uma cultura de estudos e crescente desejo de saber, concorrendo para o aprimoramento da autonomia do estudante.

O Plano de Nacional de Educação (BRASIL, 2014) apresenta que é imprescindível incentivar a participação dos pais ou responsáveis no acompanhamento das atividades escolares dos filhos por meio do estreitamento das relações entre as escolas e as famílias. A lição de casa, nestes termos, pode ser considerada uma aliada à participação e interação família/escola.

A bibliografia consultada apresenta que existem três tipos principais de lição de casa: a sistematizadora que sistematiza os conhecimentos; a preparatória que introduz novos temas e a de aprofundamento que trabalha os temas já estudados de forma mais complexa. Em ambos os casos a lição de casa requer que o aluno tenha em casa: um ambiente adequado, iluminado, silencioso e sem distrações; todo o material necessário para sua execução e um horário reservado para sua realização. É importante estabelecer uma rotina de estudos.

Além de envolver alunos e professores, a lição pode permitir aos familiares a possibilidade de acompanhar o processo de aprendizagem de seus filhos e o que está sendo ensinado na escola. Isso não significa que os pais devem ajudar e fazer a lição e sim acompanhar, dar segurança, organizar os horários, oferecer ambiente adequado, estimular e valorizar o empenho para que elas percebam que a lição é algo realmente importante. Apesar de a lição ser uma obrigação da criança, se faz necessária a supervisão de um adulto que deve muito mais incentivar do que cobrar. Uma das principais missões da família com a escola e com a criança é estimular o comprometimento e a noção de responsabilidade.

É preciso incentivar atitudes coerentes da criança com relação ao estudo, acompanhar e incentivar sua realização.

Acredita-se que a lição de casa é eficaz quando o aluno entende que sua função é importante e lhe atribui significação. Ela deve exigir raciocínio, esforço e concentração. Através dela, o aluno pode encarar desafios pedagógicos fora do contexto escolar, seguir na direção da construção de sua autonomia, estabelecer uma rotina de estudos e se organizar.

Tão importante quanto o professor planejar lições de casa coesas e a família oferecer ambiente adequado e incentivar a sua realização é o retorno a ser dado ao aluno sobre a lição realizada: a devolutiva do professor para com a sua correção.

A lição depois de feita deve ser trabalhada em sala e levada à discussão, à reflexão e à identificação das dificuldades, facilidades e descobertas dos alunos para que haja uma significação da ação executada, caso contrário, terá seu valor subjugado pelo aluno.

A prática da lição de casa levanta questões que geram controversa em vários países inclusive no Brasil. No país, as escolas seguem procedimentos distintos e que possuem variados objetivos didáticos ou não.

Há escolas que abraçam o procedimento como um processo para sistematizar o aprendizado da sala de aula, para preparar para novos conteúdos e para aprofundar os conhecimentos; outras para concluir matérias que não são abordadas em sala por falta de tempo hábil; algumas a usam equivocadamente como punição por mau comportamento e incivilidades; existem ainda escolas que não adotam a lição de casa como prática pedagógica por não acreditarem em sua relevância para a aprendizagem; outras escolas possuem carga curricular extensa de 8 horas ou mais e não aplicam lições para serem feitas em casa, desenvolvendo todas as atividades no período de estada na escola.

Outra polêmica é levantada por pais que não concebem a necessidade e utilidade deste exercício para a aprendizagem e a acusam-na de sobrecarregar as crianças que já possuem muitos afazeres e de sacrificar o tempo que teriam para brincar e socializar com a família.

A lição de casa, nos modelos que conhecemos, surgiu nos Estados Unidos da América nos anos de 1930 como estratégia coadjuvante de ensino para os estudantes da zona rural e depois foi incorporada nas demais escolas. Uma estratégia pedagógica que vem sendo analisada, repensada, reinventada, e até abolida e resgatada em alguns países. Existe uma grande discussão sobre sua eficácia e sobre como ela afeta o aluno e sua família.

 Países como França, Finlândia, Austrália, Estados Unidos, Bélgica e China estão revendo a sobrecarga que é administrada às crianças e consequentemente às famílias por meio da lição de casa. Em alguns casos, ela tem se tornado muito mais uma vilã do que uma aliada no processo educativo, contribuindo inclusive, para o estresse infantil. Peca pelo excesso e por não levar em consideração aspectos importantes da vida das crianças assim como seus conhecimentos prévios.

Nogueira destaca que “Vale registrar que há evidências de que a prática da tarefa de casa, como vem se processando, não é garantia de aprendizagem. O aluno pode estar aprendendo à revelia da escola” (2002, p. 126).

Outro ponto passível de questionamento é o fato de que alguns docentes não se atentam para a seleção e elaboração das atividades, não consideram o amadurecimento individual, as diferenças entre os alunos e as características peculiares ao grupo. Esta ainda é uma característica da escola tradicional, que não desafia a construção do saber.

Ao rever os tradicionais objetivos da tarefa de casa, mais especificamente desenvolver o senso de responsabilidade, conclui-se que os educadores, diante dos desabafos, expressões de desencontro, devem redimensionar a prática da tarefa de casa, a fim de transformá-la em momento de real aprendizagem. O que importa para a tarefa de casa é formar o hábito de estudo e da leitura, desenvolver uma atitude formativa, desenvolver habilidades de pesquisa, síntese, elaboração. NOGUEIRA (2002, p. 83)

Um fator importante para o tema é a atenção ao fato de que é preciso que se invista mais na qualidade das lições oferecidas do que na quantidade destas. A relação entre o tempo gasto em lições de casa pode afetar o desempenho acadêmico dos alunos. Ela não deve ser uma estratégia de correção para que se possa abranger os conteúdos que não foram dados em sala, nem uma estratégia de avanço com objetivo de acelerar a aprendizagem.

O PISA – Programa de Avaliação Internacional de Estudantes avaliou, em um teste padronizado, que os alunos de países onde mais se gasta tempo nas lições de casa possuem resultados inferiores aos demais que dedicam menos tempo a elas. Estima-se que o tempo ideal para sua realização não deve ultrapassar mais de 10 a 15 minutos por dia nos anos primários, com um aumento de 10 a 15 minutos em cada ano sucessivo.

Meirieu   evidencia a importância de a criança brincar e aproveitar o tempo livre com a prática de esportes, atividades culturais e para descansar, ao invés de ocupar todo o seu dia com a lição de casa, principalmente nos anos iniciais (1998). A criança aprende e constrói seus conhecimentos nos diferentes âmbitos sociais em que está inserida e nas múltiplas experiências vivenciadas também afora dos muros e das atividades propostas pela escola.

Torna-se imperativo a investigação dos pormenores práticos e os agentes envolvidos nesta atividade cotidiana do universo escolar e a consideração de que o bom senso em sua utilização deve prevalecer para que seus objetivos sejam alcançados com sucesso.

A intenção do projeto é apresentar propostas que tornem a prática pedagógica mais consistente, principalmente no tangente às devolutivas das lições pelo professor, para que o aluno tenha seu esforço valorizado e perceba com isto a importância das tarefas para sua aprendizagem. Outro objetivo é buscar uma estratégia que vise auxiliar e orientar pais e responsáveis a acompanhar, de forma adequada, as lições de casa que seus filhos são incumbidos de realizar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Aprender, construir, ensinar e mediar são verbos comumente usados na pedagogia. Ambos representam ações, porém para se tornarem ações na prática, precisam sair do infinitivo e ser conjugados, somados, multiplicados, compartilhados de forma a não se tornarem antagônicos entre si. Aprendemos e construímos, ensinamos e mediamos o conhecimento. A escola deve ser o ambiente ideal para aprender, construir e se desenvolver dentro de um processo de interatividade e de sociabilização e em uma parceria que envolve a escola, os professores, os alunos, os familiares e a comunidade.

Com relação aos objetivos deste projeto no que tange a analisar a importância da lição de casa para a aprendizagem, podemos conjecturar que, de acordo com os resultados das pesquisas e das observações realizadas, as lições de casa, neste estudo específico, se mostram colaboradoras da aprendizagem à medida que incentivam o estudo e a reflexão da própria aprendizagem e ao sistematizar os conteúdos abordados em sala. Através delas, os alunos percebem as suas dificuldades para concluir as propostas e buscam alternativas para solucioná-las. A criança adquire e constrói seus conhecimentos através de sua ação no mundo, de forma ativa, afetiva, através da interação com o outro e de experiências vividas.

Este estudo proporcionou indicativos de que a lição de casa, elaborada adequadamente e que impõe desafios possíveis ao aluno, contribui com a aprendizagem e proporciona a reflexão sobre a própria aprendizagem e o entendimento de como ela ocorre, além de colaborar com o desenvolvimento do senso de responsabilidade conjecturando e cooperando para a conquista da autonomia.

A escola e professores ao analisar seu trabalho, sinalizam uma atuação reflexiva nas ações, em suas propostas, para com seus alunos e para com o trabalho que é desenvolvido. A lição de casa é um entre tantos tópicos do trabalho educativo que possibilitam a avaliação do aluno e do trabalho desenvolvido pelo professor.

É possível articular, com base no estudo desenvolvido, que a lição de casa pode contribuir para a aprendizagem e para o desenvolvimento da autonomia desde que possua objetivos claros e coerentes, entre eles, auxiliar a aprendizagem, incentivar a pesquisa, fixar conteúdos, sistematizar conhecimentos, colaborar para a reflexão e percepção de como o aluno aprende estando sozinho, desenvolver hábitos de estudo, a aprendizagem através da socialização dos estudos com os colegas e professor e a ampliação do senso de responsabilidade.

A preocupação com o desenvolvimento intelectual, comportamental e moral da criança deve estar presente em todos os aspectos da educação e não pode ser diferente com relação à lição de casa que é proposta ao aluno.

Este estudo encaminhou para a confirmação de algumas hipóteses levantadas durante seu cursar, entre elas, a de que a lição de casa colabora para a aprendizagem. Esta afirmativa se deu através do levantamento dos dados obtidos nas pesquisas, no estudo e nas observações realizadas.

As crianças aprendem e reforçam sua a aprendizagem ao se deparar com as atividades propostas pela lição de casa no momento individual de estudo, desde que estas sejam coerentes com os conteúdos e propostas trabalhadas em sala de aula, detentoras de qualidade, não de quantidade e que agucem a curiosidade e o pensar.

POR: LUCIANA N. ALEGRETTE