/O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ASPECTOS RELEVANTES

O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ASPECTOS RELEVANTES

Este artigo tem como objetivo buscar os aspectos relevantes que o brincar proporciona na educação. A educação infantil, primeira etapa da vida escolar, é um espaço muito enriquecedor na vida escolar das crianças. Pular essa fase é um grande prejuízo sócio e afetivo que a criança deixará de vivenciar.

Conhecer o significado do brincar, conceituar os principais termos utilizados para designar o ato de brincar, tornando-se também fundamental compreender o universo lúdico, no qual a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente, e ainda, os benefícios que o brincar proporciona no ensino-aprendizagem infantil. Portanto, para realizar este trabalho, utilizamos a pesquisa bibliográfica, fundamentada na reflexão de leitura de livros, artigos, revistas e sites, bem como pesquisa de grandes autores referente a este tema. Desta forma, este estudo proporcionará uma leitura mais consciente acerca da importância do brincar na vida do ser humano, e, em especial na vida da criança.

Com o objetivo de explicitar que o brincar na primeira etapa da Educação Básica, no qual o lúdico é importante fator no processo ensino e aprendizagem no contexto dessa primeira etapa educacional. Buscou-se nos livros e artigos científicos referências de diversos autores que trazem discussões teóricas sobre o tema. Outro tópico que se destaca no artigo é o brincar, constituindo-se como atividade fundamental nesse período do desenvolvimento infantil. O brincar auxilia na aprendizagem fazendo com que as crianças criem conceitos, ideias, em que se possam construir, explorar e reinventar os saberes. Destaca-se também o papel do professor da educação infantil como guardião do brincar.

O professor de educação infantil enquanto promotor e mediador da aprendizagem, possui este papel de estimular a construção, ensinar a aprender a construir brinquedos. Não se trata de uma transformação da sala de aula em ambiente teórico, mas torná-la prazerosa e desafiadora.

INTRODUÇÃO

A necessidade de compreender melhor o conceito da educação infantil como espaço satisfatório e privilegiado da escola, onde é possível perceber as potencialidades específicas das crianças.

As crianças ao longo da história humana tiveram diferentes perspectivas e papéis cada qual com sua abordagem. Hoje podemos dizer que a criança é um ser único indivisível e singular.

É durante a infância que ocorrem interações entre o mundo e o meio em que a criança vive, ocorrendo uma aprendizagem significativa. A infância conhecida como a etapa das brincadeiras, do lúdico, se apresenta como instrumento, e é nessa etapa que a criança aprende brincando.

A educação infantil tem como finalidade o desenvolvimento absoluto das crianças até cinco anos de idade e é nessa etapa que as crianças descobrem novos valores, sentimentos, costumes, ocorrendo também o desenvolvimento da autonomia, da identidade e a interação com outras pessoas.

Refletem sobre sua realidade e a cultura em que vivem. Mas algumas crianças e alguns contextos escolares infantis nem sempre oportunizam o brincar de forma adequada, pois alguns fatores impedem que isso aconteça, fatores esses abordados com destaque no tópico seguinte, como, o trabalho infantil e a falta de espaço adequado nas instituições de ensino para essa faixa etária.

Devemos refletir na problemática em que os currículos que as escolas de educação infantil têm apresentado em relação às diferentes modalidades de aprendizagem. O brincar de forma satisfatória, agradável e desafiador é um aliado de uma educação de qualidade.

PERCEPÇÃO DE INFÂNCIA AO LONGO DOS SÉCULOS

A criança é um ser em desenvolvimento em todos os seus aspectos: físicos, emocionais, cognitivos, entre outros. Ela sempre estará em busca do desconhecido, descobrindo e aprendendo coisas novas, por causa do contato com o meio em que vive, obtendo também o domínio sobre o mundo com o passar dos anos.

Todo indivíduo tem a capacidade para aprender novos conhecimentos, através da interação na sociedade como um ser crítico, com sua identidade, com os aspectos que são desenvolvidos durante o processo de desenvolvimento. A criança era tida como selvagem que precisava corrigir seus vícios, considerado um ser imperfeito e inacabado era tido como um animal. Os castigos e torturas com crianças eram tidos como modo de aprendizagem. Assim, as crianças não eram consideradas indivíduos, mas sim propriedades dos pais, nos quais os mesmos deveriam formá-las “pessoas de bem”.

A criança era vista como um adulto em miniatura nos séculos XIV, XV e XVI, e os adultos a tratavam como réplicas dos adultos.

O foco era que as crianças desenvolvessem logo para ser capaz de atuar junto ao trabalho e atividades dos adultos. A criança aprendia ao observar os adultos nas tarefas comuns. Assim entre os séculos XVI e XVII tem-se um novo olhar para as crianças.

E foi no século XVIII que o desenvolvimento social e econômico demandou que a criança precisava ser escolarizada, não mais apenas pelos pais, mas por professores. Com o passar dos séculos, houve uma troca de perspectiva em relação ao olhar da infância, de pensar na criança como seres selvagens, para seres únicos e indivisíveis.

No século XX, emerge um olhar focando a criança como indivíduo em desenvolvimento sendo que a mesma precisaria de cuidados para desenvolver suas especificidades infantis. Assim passou-se a considerar a infância como um tempo consagrado a instrução para a vida adulta.

Hoje isso mudou. A criança é tida como um ser que interage, e detém seu espaço na sociedade, não mais como outrora. Podemos nos remeter ao referencial curricular nacional para a educação infantil que apresenta:

A criança é um ser social que nasce com capacidades afetivas, emocionais e cognitivas. Tem desejo de estar próxima às pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. Ampliando suas relações sociais, interações e formas de comunicação, as crianças sentem-se cada vez mais seguras para se expressar refere. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/ SEF, 1998.

Assim a criança que está em pleno desenvolvimento terá situações que será capaz de agir, interagir, descobrir e transformar o mundo, com habilidades, limitações e potencialidades.  Logo a é uma etapa fundamental na vida da criança para irá aprender a brincar.

Nessa fase é considerada a idade para a escolha das brincadeiras, com isso o lúdico, pois é algo que faz com que a criança aprenda a pensar e descubra sobre o mundo em que cerca.

Segundo Chateau:

A infância é, portanto, a aprendizagem necessária à idade adulta. Estudar na infância somente o crescimento, o desenvolvimento das funções, sem considerar o brinquedo, seria negligenciar esse impulso irresistível pelo qual a criança modela sua própria estátua. (CHATEAU, 1954, p.14).

Pesquisas têm sido feitas e concluído que se as crianças que apresentam dificuldades nessa fase, e tendo o devido acompanhamento e estimuladas corretamente, o nível de aproveitamento em suas diversas habilidades cognitivas e sociais terão sucesso na infância e na vida adulta.

Grandes pesquisadores revolucionaram as concepções das crianças com a importâncias dos laços afetivos e inconscientes.

Na infância é importante as crianças se sentirem parte de um todo, pois ela irá associar o mundo e o meio em que a criança vive, quando isso ocorre, acontece uma aprendizagem significativa.

Segundo Kishimoto (2001), a infância é também a idade do possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação moral.

Juntamente se evolui a concepção de infância e educação podendo perceber o avanço dos estudos ao longo dos séculos da aprendizagem e desenvolvimento infantil.

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIMEIRA ETAPA

A educação infantil é o primeiro contato com a educação sistematizada que a criança tem contato, ou seja, ela sai do seio família e passa a receber outra fonte de educação.

De acordo com os Parâmetros Nacionais da Educação Infantil do nosso país, a instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas relações éticas e morais que permeiam a sociedade na qual estão inseridas. Ela ajuda ao desenvolvimento físico, social, motor, emocional e psicológico do indivíduo, que está em formação. Sendo a primeira etapa da educação básica, colabora no desenvolvimento global do ser humano.

O conceito da educação infantil também aparece no texto legal, Leis de Diretrizes e Bases, 9394/96 no art. 29 dizendo que a educação infantil é conceituada com a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.

Na educação infantil a criança terá as condições aprender a conhecer, questionar, opinar escolher participar e descobrindo valores, costumes e sentimentos, através das interações sociais, e nos processos de socialização, o desenvolvimento da identidade e da autonomia. A criança terá papel fundamental no processo de ensino aprendizagem.

A criança é ativa e participativa diante da aprendizagem na educação sistematizada das creches e pré-escola. As propostas pedagógicas da educação infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, nas interações com seus pares constrói identidade fantasia, desejo, sentimentos produzindo e reproduzindo sua cultura.

Nas creches e pré-escolas as crianças desenvolvem o sentimento de interação com um indivíduo que não faz parte da sua família, antes apenas no seio familiar, ele terá um espaço para compartilhar os brinquedos e até mesmo os próprios sentimentos.

Nesse primeiro contato com as instituições de educação não está voltada para conteúdo ou conhecimento formal, pois a educação infantil atua sobre a interação e a brincadeira, proporcionando suas próprias experiências e passam a ter relações fora do seio familiar.

Conquista da sociedade brasileira, como direito da criança de frequentar as creche e pré-escolas, as instituições devem conter profissionais especializados em educação infantil que disponham realizar os cuidados com as crianças conjuntamente com os conteúdos sistematizados. Assim as creches não são apenas para atender as necessidades das mães que vão para o mercado de trabalho e não tem com quem deixá-los, mas hoje são espaço privilegiados no aspecto educativo nas experiências infantis. Em espaços de diferentes infâncias as crianças terão contato com aprendizagem rica e diversificada.

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR

A educação infantil é o espaço privilegiado do brincar. E nesse espaço que serão preparados objetos, brinquedos para que possam interagir com outras crianças e principalmente que possam aprender, pois o brincar é uma importante forma de comunicação e aprendizagem educar junto ao brincar estabelece experiências de desenvolvimento à aspectos relevantes na formação do indivíduo. O lúdico auxilia na aprendizagem, pois ajuda na construção da reflexão, autonomia e da criatividade. Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais, as práticas pedagógicas têm como eixos norteadores as interações e brincadeiras. Existem situações e brincadeiras que estimulam cada fase do desenvolvimento infantil.

Desenvolver os aspectos motores sensoriais, percepção visuais, imitação, internalizar regras sociais. Brincando a criança aprende a conhecer, a fazer a conviver a ser criando um amplo repertorio na linguagem autoconfiança e desenvolvendo curiosidade.

O fato de a criança ter acesso aos brinquedos possibilita tomar a decisão do que fazer, podendo comunicar-se por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira, fazendo com que ela desenvolva sua imaginação.

Não há necessidade apenas de brinquedos elaborados apresentados às crianças para elas tomarem como instrumentos auxiliares para sua atuação no mundo que a cerca. Objetos diversos como pente, cadeira e diversos no qual ela detém o poder sobre os mesmos, serão parte de seu mundo de fantasia e imaginação. Elas desenvolverão um mundo de imaginação, memoria, atenção e criação. Através do brincar ela desenvolve o pensar, as ideias, as posturas em relação o objeto refletindo a cultura em que ela está inserida. É através das brincadeiras que a criança cria seu mundo e o transforma e se apropria dele.

Nesse contexto o ambiente em que a criança pode aprender a construir, explorar, sentir, inventar e movimentar, ela estará vivenciando e desenvolvendo seus aspectos emocionais, intelectuais e reproduzindo- se como ser cultural que se insere e se molda dentro em um contexto dinâmico.

As crianças podem de forma peculiar enfrentar e ser sucedidas com as dificuldades psicológicas do brincar. Elas estarão diante do medo, da perda e da dor, se posicionam nos conceitos de bem e mal. O jogo, o lúdico e o brinquedo na educação infantil são tão importantes como dormir, comer e dos seus cuidados de higiene. É através desses instrumentos que o indivíduo desenvolverá sua personalidade e demostrará suas habilidades. Os ambientes de bonecas e brinquedos para as crianças não são meros decorativos; é fundamental para as crianças criar seu mundo e sua forma de interagir com ele.

Ampliando a forma de ver o mundo e humanizar o indivíduo através do brincar; que iremos transferir os conteúdos, as habilidades conhecendo-se a si mesmo.

O ato de brincar trará ao indivíduo bases para que o indivíduo alcance maturação intelectuais para aprendizagem de qualquer ensino sistemático posterior na vida acadêmica. Ela usará todas as suas competências e habilidades nos conceitos construídos ao longo do ato de brincar.

Muitos questionam sobre o brincar livre e o dirigido. Ambos têm seus papéis no processo de desenvolvimento e aprendizagem. O brincar em que o adulto possa dirigir as crianças terá certo conhecimento adquirido, sendo totalmente diferentes, os conhecimentos adquiridos no brincar livre no qual os conhecimentos de tomada de decisão e diversos aspectos serão ativados para a solução de problemas de forma ativa.

Devemos levar em consideração também os aspectos relevantes do brincar em grupo e individualmente. O brincar em grupo gera aspectos emocionais, desenvolve a autoestima a liderança, raciocínio e postura diante de adversidade. O brincar individualmente, sozinho, irá proporcionar a fantasia a partir de suas concepções desenvolvendo o imaginário e a concentração, etc.

O brincar deve ser incentivado por professores e pais, pois a criança que não brinca, não desenvolve aspectos globais em todos os seus aspectos, sendo assim terá dificuldade em adquirir diversas habilidades necessárias para o indivíduo em sociedade.

O brincar prepara a criança para a vida e suas experiências o levaram a ser um indivíduo que obtenha sucesso em suas atividades. Fica evidente que o brincar para a criança serve para a diversão, mas sem deixar de educar, construir, socializar e desenvolver as suas potencialidades.

O PAPEL DO PROFESSOR NO BRINCAR

O professor como mediador do aprendizado dos alunos, terá que escolher de maneira adequada os jogos e brincadeiras de forma a trazer condições para que a criança desenvolva aprendizagens diversas e se torne um adulto capaz de dominar as situações que se deparar.

O poder que o brincar exerce sobre a criança e a forma como ela vai se comportar, vai delinear a formação e a maturação da criança, em aspectos internos e externos.

O brinquedo dá significado ao brincar, e quando a criança se apropria desse objeto ela utiliza-o na construção de sua forma de ver e agir no mundo.

O professor irá fomentar nas crianças aspectos e habilidades que levaram e integraram em seu interior constituindo assim parte da personalidade.

O espaço físico é lugar de desenvolvimento de várias habilidades e sensações, auxiliando, portanto, na aprendizagem.

 O espaço na Instituição de Educação Infantil deve propiciar condições para que as crianças possam usufruí-lo em benefício do seu desenvolvimento e aprendizagem. Para tanto é preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação, sujeito a modificações propostas pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas (BRASIL, 1998, p.69).

O professor também é responsável na organização do espaço. É ele que tomará as decisões na escolha dos objetos disponível no espaço, em que a criança irá utilizar. Um espaço incoerente e desconfortável não atingirá a proposta desejada do currículo infantil.

O conforto, a segurança física e proteção, proporciona um ambiente seguro e apropriado. O professor será esse grande mediador. Ele irá mediar o contato da criança e do brinquedo, e ou da brincadeira. Ele precisa fazer um trabalho de investigação do que a criança já sabe para partir desse diagnostico, tomar como ponto de partida e trazer opções corretas para os alunos. O professor precisa se questionar qual brinquedo ou brincadeira ajudam a criança a se desenvolver? Em que contexto a criança aprende? É importante que a criança se divirta?

Os professores oferecem oportunidades para que a criança desenvolva atitudes e aprenda procedimentos que valorizem seu bem-estar. Caso o professor escolha de maneira equivocada as atividades não trazendo o aluno como um desafio que ele alcance esse caso sua maturidade não o permita, poderá ocasionar barreiras na autoestima do aluno em ultrapassar desafios.

As Instituições precisam é ter ciência de que o espaço não é somente um cenário imutável, ele exerce diretamente na aprendizagem das crianças porque desafia, instiga a criança ao modificar seu redor, na exploração e na produção de linguagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das análises bibliográficas realizadas referentes ao tema deste artigo, conclui-se que durante a infância a criança aprende a brincar e ao aprender ela pensa, analisa sobre sua realidade, cultura e o meio em que está inserida, criando forma, conceitos, ideias, percepções e cada vez mais se socializa através de interações.

Ao brincar a criança se desenvolve integralmente, passa a conhecer o mundo em que está inserida. Portanto, o brincar não é apenas uma questão de diversão, mas uma forma de educar, de construir e de se socializar.

Para que ocorra o brincar é necessária à presença de um profissional, o professor. Ele é fundamental, pois favorece e promove a interação, planeja e organiza ambientes para que o brincar possa acontecer, estimula à competitividade e as atitudes cooperativas, o professor cria na criança a vontade de brincar, facilitando assim a aprendizagem.

Constata-se igualmente que é necessário garantir o direito à educação evitando-se qualquer tipo de trabalho infantil, além de assegurarem-se espaços físicos e recursos materiais adequados para a garantia do brincar dentro das escolas de educação infantil.

Nesse aspecto é de suma importância um planejamento, pois planejar brincadeiras e jogos considerando a realidade de espaço disponível contribui para o sucesso da brincadeira e até para ampliação dessas atividades e do número de crianças participantes.

POR: AMANDA A. ANDRADE