/PRESERVANDO MEMÓRIAS OU CONSTRUINDO HISTÓRIAS?

PRESERVANDO MEMÓRIAS OU CONSTRUINDO HISTÓRIAS?

O presente trabalho busca demonstrar a partir de uma prática pedagógica e propostas metodológicas a importância do teatro como formador de um aluno crítico de Educação de Jovens e Adultos. Com as experiências vividas e o conhecimento concreto adquirido.

Mostrar que o teatro e nossa história faz parte do nosso cotidiano. Hoje em dia a falta de memória vem atingindo muitas pessoas. A partir disso, foi pensado um projeto para aproximação dos alunos, e seu entendimento das aulas de teatro como um grande aliado na construção de sua cidadania.

INTRODUÇÃO

As experiências e reflexões deste trabalho desafiam os profissionais da educação incluir o teatro no contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Não somente como recreativa, mas com uma prática visando a educação ética e estética, de acordo com os tempos e espaços da Unidade Escolar.

Esses alunos devem ser vistos como responsáveis pelas transformações culturais, sociais e econômicas. Alunos esse que trabalham e trazem histórias de fracasso escolar ou outros motivos pelo qual o fizeram parar e retornar após adolescentes ou adultos, formando assim, classes bem heterogêneas.

Por isso, antes de efetivar um planejamento, é importante conhecer os alunos e suas especificidades, para podermos obter bons resultados e êxito no ensino- aprendizagem, a partir de cada realidade.

Com o teatro, partimos do princípio deste aluno valorizar-se como um sujeito integrante da sociedade, construindo saberes, e aumentando sua autoestima.

Considerando que devemos viver cada minuto porque o tempo não volta. Com este artigo, tenho como objetivo analisar as diferentes reações do nosso contexto histórico, compreender o nosso processo de construção sócio cultural, bem como nossas lembranças, memórias, histórias. Expressando a liberdade e criatividade dos alunos.

Por conta dessas resistências mediante a arte, especificamente do teatro, escolhi trabalhar está temática com os alunos, de forma a se aproximar mais deles, e para que eles percebam a importância desta disciplina em seu currículo. De forma a repensar as novas perspectivas sobre sua cultura e das relações com a sociedade. Mostrar que o teatro na escola é importante para poder preparar um futuro que exige ser flexível, dinâmico e ágil no pensar, no agir, no refletir e analisar.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

A cada semestre é sempre a mesma questão “Por que ter aula de teatro?”; “Estou aqui para aprender ler e escrever.

Para cada escola, ano, sala, devemos observar e considerar o perfil dos alunos, da comunidade o qual eles estão inseridos. Observei que há um certo constrangimento em diferentes grupos que por algum motivo precisaram parar de estudar, e depois de alguns anos resolvem voltar.

Devemos considerar essa situação na elaboração de um projeto e levar em conta também o fato de que a maioria trabalha.

E ainda, a questão de ser um grupo heterogêneo composto por idosos, adultos e adolescentes, cada um com histórias, experiência e necessidades acumuladas diferentes.

De acordo com o ciclo ou classe é feita uma apresentação já prática, às vezes trabalho com imagens outras com textos ou dinâmicas com a participação efetiva dos alunos, em seguida fazemos reflexão e socialização do que foi feito, um jeito de fazer e falar de teatro indiretamente, e com isso mostrando sua importância.

O teatro é uma arte que mescla palavra, imagem, som, luz, poesia e dramaticidade, é aberto e dinâmico, que sempre está sendo reinventado.

Neste sentido, o papel do educador nas aulas de teatro é de um condutor, precisa estar disposto a ser autocrítico, refletir cotidianamente suas ações, para criar alternativas de seus alunos terem total liberdade de criação e reelaborar suas experiências vividas, para construir uma realidade que faça sentido, que corresponda com suas necessidades e curiosidades.

Devemos elaborar e provocar situações problema para uma solução, que vise observar limites, regras, bom senso, ética, estética, cidadania e padrões da sociedade.

METODOLOGIA UTILIZADA

Darei agora um exemplo de um projeto que foi aplicado com os Ciclos I e II do E.J.A. e que deram resultado.

  1. Apresentação de um repertório de diferentes estilos músicas pelo professor. Sugestão de algumas músicas: Primavera – Vivaldi; Esquadros

– Adriana Calcanhotto; 11 Vidas – Lucas Lucco; Ease My Mind – DJ Skrillex; Linda Louca e Mimada – Oriente; See You Again (Feat. Charlie Puth) – Wiz Khalif; This I Promise You – Nsync; Amigo Fura Olho – Daddy Kall e Latino; Asa Branca – Luiz Gonzaga; Ciranda Cirandinha

– Canções Populares; A Lista

– Oswaldo Montenegro; Nada Além de Ti – Thalles Roberto; Carimbador Maluco – Raul Seixas; Pai – Fábio Junior; Trem das Onze – Demônios da Garoa.

  1. a) Apreciação das músicas;
  2. b) Anotação de sensações, sentimentos e lembranças que as músicas remetem.
  3. Cada aluno trará, na próxima aula, a sua música, e por escrito porque escolheu. Na aula socializar com os colegas, essas memórias.
  4. Leitura do livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes. Reflexão e discussão sobre o tema.
  5. Assistir ao filme: O doador de memórias;
  6. Discussão e reflexão sobre o filme;
  7. Fazer uma relação entre o filme e o livro;
  8. Leitura do texto: A batata podre. Discussão e reflexão.
  9. A partir deste conjunto montagem da peça, com anotações das falas trazidas dos alunos e escolha de músicas pelos alunos e professor.
  10. Ensaios para apresentação da peça.

RESULTADO

“os jogos teatrais reúnem duas características essenciais da vida em sociedade: possuem regras, como a sociedade possui leis, que são necessárias para que se realize, mas necessitam de liberdade criativa para que o jogo não se transforme em servil obediência. Sem regras não há jogo, sem liberdade não há vida” (Boal, 2005, p. 16).

O aprendizado deve ser libertador, propiciar o prazer de estar construindo sua própria história.

Ter o desafio de formar cidadãos críticos, participativos, lideres, para que possam fazer suas escolhas e sejam aptos a se governar.

Nós aprendemos pelo relacionamento afetivo, formando vínculos a aprendizagem se torna mais significativa, ajuda melhor a autoestima e tem um papel importante no funcionamento da inteligência.

Nesse trabalho sobre memórias pude observar claramente isso nos relatos que cada aluno trouxe sobre suas experiências de vida. Tornou a relação aluno- professor mais próxima. E ao mesmo tempo consegui mostrar a importância de se ter aulas de teatro. Desse projeto em diante as aulas tornaram-se mais produtivas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando nascemos já somos bombardeados por milhões de informações. É cheiro, é cor, é forma, é som. Tudo é novidade para o bebê que acaba de sair da barriga da mãe e estava tão acostumado ao ventre quentinho e acolhedor.

E, para não nos perdermos pelos caminhos aqui da Terra, nosso cérebro começa a armazenar cada momento da nossa existência. Para isso ele conta com uma ajudinha, ele passa a fazer uso da MEMÓRIA.

Foi mostrado que ouvir música não é só um entretenimento e uma medida para acalmar e relaxar – ela pode trazer diversos benefícios para a saúde, como alívio de dores, melhora da memória e até mesmo um estímulo para a prática de atividade física.

Que a brincadeira e jogos teatrais contribuem para o processo de socialização, oferecendo oportunidades de realizar atividades coletivas livremente, além de ter efeitos positivos para o processo de aprendizagem e estimular o desenvolvimento das habilidades básicas e aquisição de novos conhecimentos. São fontes de estímulo ao desenvolvimento cognitivo, social e afetivo, e também é uma forma de auto expressão.

Ao final encerraremos com uma apresentação teatral, mostramos como foi o processo dessa aprendizagem, preocupado com a nossa saúde física, mental e espiritual. De forma descontraída e divertida.

POR: PATRICIA ANGELICA