A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO E DO BRINQUEDO PARA AS CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO E DO BRINQUEDO PARA AS CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Destacar a importância e os benefícios do Lúdico e do Brinquedo para a formação e desenvolvimento da criança de quatro a seis anos na Educação Infantil foi o objetivo central deste trabalho, tendo como metodologia, além da pesquisa bibliográfica, uma pesquisa de campo através de entrevistas compostas de três questões básicas e abertas sobre a concepção e  prática  pedagógica de quinze  professores de Educação Física das cidades de Araçatuba, Birigui, Brauna, Buritama, Glicério e Penápolis.O estudo demonstrou uma diversidade grande de entendimento acerca do lúdico, dificuldade dos entrevistados em relacionar sua prática com os aspectos lúdicos e que o lúdico poderia ser mais valorizado se houvesse uma mudança na prática do professor e da Escola através de propostas realmente postas em prática pelo seu Projeto Pedagógico.

INTRODUÇÃO

O tema “A importância do lúdico e do brinquedo para as crianças do ensino infantil” foi escolhido devido à realidade que está ocorrendo nas escolas, onde os professores estão esquecendo da importância das atividades lúdicas e dos brinquedos que devem ser construídos pela criança através da imaginação, com essas atividades lúdicas e a construção do brinquedo a criança adquiri um conhecimento mais evoluído do que se ela estivesse em uma sala de aula. Hoje esse espaço lúdico está sendo diminuído dentro da escola e principalmente no dia a dia das crianças, já não vemos mais crianças como antigamente, construindo seus carrinhos de caixas de sapato, bonecas feita de pano, essas construções estão acabando e isso é muito preocupante.

Objetivamos transmitir para todos os leitores, que todas as atividades lúdicas e os brinquedos são uma forma de aprender brincando, podendo assim trabalhar o desenvolvimento da criança, através desses conceitos as crianças aprendem cada vez mais e consegue desenvolver seu raciocínio mais rápido.

 O LÚDICO E A LUDICIDADE

O lúdico tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimento e a ludicidade seria a qualidade de ser lúdico, os dois tem uma grande importância no desenvolvimento da criança, eles transmitem para criança o prazer de brincar. Um dos itens mais importante existente no lúdico é que através da brincadeira a criança aprende brincando, para que isso ocorra o professor precisa explorar experimentar, perguntar, colecionar, o conteúdo desenvolvido na atividade, através disso a criança aprende depressa e exibi suas habilidades dentro das brincadeiras.

Podemos considerar que o lúdico é uma necessidade da personalidade do copo e da mente, é através das atividades lúdicas que ocorrem as alterações do crescimento, sendo a partir daí que os indivíduos arriscam e ousam experimentar o prazer. O assunto que iremos abordar é relacionado ao grande problema existente nas escolas, a grande importância que faz a existência dos jogos brinquedos e o lúdico na vida e na evolução da criança para seu futuro como ser humano.

Segundo Marcellino (2003, pag. 22), “o lúdico privilegia a criatividade, a inventividade e a imaginação, por sua própria ligação com os fundamentos do prazer. Não se comporta regras preestabelecidas, nem velhos caminhos já trilhados; abre novos caminhos, vislumbra- se, outros possíveis.”

Assim, concordando com Marcellino (2003), o lúdico é a própria invenção da criança, fazendo com que ela sinta prazer em brincar e constrói sua criatividade através de sua imaginação, sem depender de regras.

O lúdico faz com que a criança tenha liberdade de construir seu espaço através das brincadeiras e da construção dos brinquedos, construídos pela própria criança, fazendo assim ela aprender a alcançar uma formação mais  criativa do homem, a cultura está diminuindo cada vez mais e a educação não está tomando suas providências.

Em Freire (1997, pag. 13), vemos que:

Existe um risco e vasto mundo de cultura infantil repleto de movimento, de jogos, da fantasia, quase sempre ignorado pelas instituições de ensino. Pelo menos até a 4º série do 1º grau (atual Ensino Fundamental), a escola conta com alunos cuja maior especialidade é brincar. É uma pena que esse enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar. Nem a educação física, enquanto disciplina do currículo infantil, leva isso em conta.

De acordo com Freire (1997), existem vários jogos e brincadeiras existentes na infância e na fantasia das crianças, só que nem sempre são valorizadas pelas escolas. As escolas de 1ª a 4ª série sabem da importância que a brincadeira tem em relação a criança, mas nem por isso se importam em transformar em disciplina, sabendo que a maior especialidade da criança é brincar. A Educação Física como uma disciplina deveria abordar esses conceitos, mas também não leva em conta. O mundo da cultura cada vez mais está sendo esquecidos pelas crianças, os jogos e brincadeiras que podemos chamar de tradicionais já não são totalmente tradicionais porque as escolas que são encarregadas de transmitir brincadeiras para as crianças já não estão levando isso em consideração.

A Educação Física que tem em seu currículo a especialidade de transmitir atividades lúdicas e a cultura infantil, não está muito empenhada em valorizar essas culturas, a maioria dos professores não está mais se importando com sua disciplina sabendo da importância do lúdico das crianças.

O lúdico se baseia, na atualidade: ocupa-se do a quê e do agora, não da preparação de um futuro inexistente. Sendo o hoje a semente da qual germina o amanhã, podemos dizer que o lúdico favorece a utopia, a construção do futuro a partir do   presente; (MARCELLINO, 2003 pag. 22)

Marcellino (2003) comenta que o lúdico prepara a criança para o agora, para que ela tenha um bom futuro, podendo considerar que o lúdico também faz parte da construção do presente, para que tudo que a criança planta ela possa colher no amanhã.

A criança necessita do lúdico em sua vida para aprender construir seu futuro, sem o lúdico a criança se transforma em um ser humano sem experiência e sabedoria das consequências da vida, o lúdico ensina a criança se defender e aprender os passos da vida e do seu futuro, tendo uma grande importância no desenvolvimento de qualquer criança, por isso deveria ser mais valorizado.

Observamos em Freire (1997, pag.21) a afirmação que:

Não creio que a Educação Física e o jogo sejam a única solução para os problemas pedagógicos, mas diante das características da criança na primeira infância, não há por que não os valorizar. Se o contexto for significativo para a criança, o jogo, como qualquer outro recurso pedagógico, tem consequências importantes em seus desenvolvimentos.

Segundo Freire (1997), os jogos e a Educação Física não são as únicas soluções para resolver o problema pedagógico, mas fazem parte das características da criança e do seu futuro, só que, não ser a única solução, não é que deve ser esquecido, como qualquer outro recurso pedagógico eles também são importantes para a aprendizagem das crianças.

Os jogos podem não ser as únicas soluções para os problemas pedagógicos, mas podemos afirmar que eles são muito importantes para o desenvolvimento de qualquer criança, dependendo da forma e da qualidade dos jogos e da Educação Física é possível que a criança consiga colher bons frutos para seu futuro como ser humano através dos jogos e brincadeiras.

Conforme Aleixo (2002, pag. 17):

Os brinquedos e jogos são tão importantes para a atividade de brincar, quanto os livros são para estudar, pois permitem à criança o domínio e o controle próprio sobre alguns aspectos de seu real ambiente de convívio e, até mesmo, sobre seus mundos irreais e imaginários.

O mesmo autor destaca também que os brinquedos e jogos são tão importante, quanto os livros utilizados para estudar, pois os brinquedos e jogos fazem com que a criança aprenda seu domínio e controle próprio, podendo construir seu mundo imaginário e se preparar para seu futuro.

Os brinquedos e jogos são tão importantes porque despertam na criança as experiências inovadoras da vida, ensinando a resolver os problemas do cotidiano, aprendendo a compartilhar seus brinquedos com outras crianças, atam laços de amizade, e fonte de novas ideias para a vida, existem várias formas de brincar e jogos que trabalham com o desenvolvimento e com a realidade social que vivemos nos dias de hoje.

Os jogos recreativos, jogos cooperativos, jogos teatrais, jogos indígenas, as danças, as oficinas de expressão, as dinâmicas de grupos, são alguns conteúdos que poderão ser desenvolvidos nas aulas, no sentido de modificação de modo de intervenção da Educação Física, compreendida aqui como elemento fomentador e transformador da realidade social, a partir dos homens que a compõem. (MARCELLINO, 2003, pag.83); Todos os tipos de jogos sendo ele qual forem, são importantes para o desenvolvimento da criança, deve também ser valorizados nas aulas, para não perderem a noção do que realmente o lúdico traz para o crescimento das crianças e o que ele faz em relação ao futuro do ser humano.

Carioni (Web) afirma que a partir do momento em que ocorre o uso de brinquedo, jogos e materiais pedagógico, o professor precisa identificar a matriz simbólica anterior do objeto, fazendo com que ele entenda melhor as necessidades e dificuldade mais imediatas do aluno, disso é um ponto de vista psicopedagógico.

Este autor deixa bem claro que o maior objetivo da escola é educar as crianças, portanto é muito importante que os educadores dirijam a atenção da criança para o brincar, fazendo com que elas possam construir e colocar para fora toda sua criatividade, possibilitando à criança desenvolver seus relacionamentos de ideias com outras crianças, seus conceitos . A brincadeira faz tão bem para a criança que ela consegue ir adquirindo uma segurança interna, o lúdico, a brincadeira, o brinquedo, os jogos, traz um resultado mais mediato para a aprendizagem da criança, aprendendo brincando desperta um interesse maior na criança, afinal a criança já nasce com o dom de brincar.

Bauer (Web) relata que o brinquedo se utiliza para jogar e brincar, o brinquedo é um objeto de profunda riqueza, pois ele é considerado como um elemento que revela cultura, valores, as crenças e concepções. Já o jogo também tem sua grande importância no desenvolvimento da criança, pois ele traz para ele aspectos sociais, intelectual e emocional, quando a criança joga, ela desenvolve suas percepções, suas tendências à experimentação, sua inteligência, seus instintos sociais etc.

A POSSIBILIDADE DO (RE)ENCONTRO DO LÚDICO NA ESCOLA

 A possibilidade do (Re) encontro do lúdico na escola seria um ambiente totalmente mais lúdico, a escola dando uma prioridade maior para desenvolver o lúdico não somente nas aulas mais também no recreio, podendo ter uma pessoa encarregada para desenvolver várias atividades lúdicas na hora do recreio, fazendo da escola um ambiente totalmente lúdico, podendo assim trazer para as crianças uma aprendizagem e um desenvolvimento adquirido com prazer de aprender brincando e liberando todas suas habilidades, através do brincar.

Algo que deveria ser resgatado dentro da escola seriam as brincadeiras tradicionais e os brinquedos construídos pelo próprio aluno, essas atividades também são muito importantes para o desenvolvimento da criança, pois é através da construção do brinquedo que ela pode desenvolver um raciocínio rápido, e realizando invenções de suas imaginações e sonhos. A grande importância da recuperação do espaço lúdico pode transmitir através das construções dos brinquedos e das brincadeiras tradicionais pelas escolas e nas horas de lazer. O maior papel do lúdico é recuperar o espírito da criança, a liberdade da criança e através da alegria de brincar, para isso é preciso dar o primeiro passo através da influência dos familiares que possam transmitir e ensinar à criança várias formas de brincar, tendo sua noção de equilíbrio até, que ela frequente uma escola, onde haverá várias crianças e que lá ela mesma irá construir suas brincadeiras.

Weiss (1997, pag. 20): O primeiro objeto referencial para as atividades lúdicas das crianças é o corpo da mãe e o pai, é por intermédio deles que a criança vai descobrindo seu próprio corpo. Nessa fase, o objeto de maior atenção da criança (de 3 meses a 1 ano) é o corpo e as brincadeiras com ele, seu calor, a relação afetiva em que se fundamenta as primeiras noções de equilíbrio e segurança.

Nos conceitos de Weiss (1997), ao decorrer do tempo que as crianças começam a conhecer os símbolos e regras dos jogos e brincadeiras, com o tempo que as crianças conseguem denominar os objetos, definindo suas funções. O jogo para o desenvolvimento da criança é reconhecido recentemente, predomina a ideia de que a criança é uma miniatura dos adultos, por isso os brinquedos lembram os adultos com todos os seus detalhes. As atividades lúdicas e não competitivas têm como função à descoberta do mundo que os rodeia, toda criança começa a se desenvolver através da brincadeira.

Todas as atividades lúdicas transmitem conhecimento para a criança, através dessas atividades que a criança tem seu conhecimento de equilíbrio e segurança. Como Weiss afirma que a criança é uma “miniatura dos adultos”, hoje podemos afirmar que realmente as crianças são miniaturas dos adultos, elas não têm suas horas de brincar, porque os adultos fazem suas programações, desde pequenos já têm uma grande responsabilidade como aulas particulares, cursinhos e outras formas de estudo, tudo isso eles dizem que são para preparar seus filhos para o futuro profissional esquecendo-se das horas de lazer. Isso ocorre nas classes médias, já para as crianças de periferia sua maior obrigação é trabalhar para ajudar com a sustentação do lar esquecendo-se de brincar e ser feliz.

Weiss (1997, pag.21); O brinquedo mudou. Mudou junto com o tempo. A partir do século passado, com a revolução Industrial, ocorre a grande ruptura; o brinquedo deixa de ser aquela peça artesanal, minuciosa, passando a ser produzido em escala, para atender a desmanda cada vez maior dos centros urbanos em expansão. Multiplicando-se e disseminando-se, rapidamente virou mercadoria dentro do nosso universo de consumo.

Como afirma WEISS (Op. Cit.), O maior estimulador para comprar esses brinquedos são o meio de comunicação como televisão, folhetos, prateleiras de lojas e vitrines. Quanto mais a industrialização avança, mais brinquedo subtrai-se através do controle da família, as consequências estão por acontecer, o presente e o futuro encontram-se muito próximo. Os brinquedos artesanais ao lado de outros brinquedos eletrônicos têm uma grande diferença em relação à realidade e possibilidade de limitação.

Muitos pais preferem gastar dinheiro com brinquedos caros e sofisticados do que ensinar aos seus filhos a construir seu próprio brinquedo. A tecnologia está cada vez mais se evoluindo, esses brinquedos estão tomando o espaço do brinquedo e brincadeiras tradicionais. Alguns pais até sabem da importância dos brinquedos feitos pela criança, mesmo assim insistem em comprar, afinal é mais prático e não precisa perder tempo para ensinar, isso é o que a maioria pensa, através da construção a criança trabalha seu raciocínio e aprende muito mais do que se estivesse estudando através dos livros, com isso as tradições estão esquecidas.

Em Friedmann (1996, pag.42) vemos que:

Os jogos tradicionais são uma forma especial da cultura folclórica, oposta à cultura escrita oficial e formal. O jogo tradicional infantil é a produção espiritual do povo acumulada através de um longo período. Esses jogos mudam no processo do esforço criativo e coletivo e são anônimos. A forma de criação e o mecanismo de transmissão são dois critérios que os distinguem. Eles são, portanto, um tipo de folclore infantil e da cultura popular em geral.

Fridmann (1966) afirma que existe, o estudo dos jogos tradicionais que é dividido em dois grupos: “Estudos etnológicos” que tem como fundamento a representação dos rudimentos de antigos costumes, cultos e rituais; são “extensão” a “remitência”. A criança é considerada como portadora e transmissora desses jogos. Já o “Estudo de caráter pedagógico”: que é o jogo como um meio educacional, fazendo o jogo possuir sua função que é educar, no sentido pedagógico, como desenvolver habilidades físicas, cognitivas, linguísticas, etc.

Realmente os jogos são formas de ensinar e aprender, a escola deveria valorizar mais a brincadeira e a construção dos brinquedos do que deixar a criança 4 horas trancada dentro de uma sala de aula e controlando a criança pra não sair para fora. A criança nasce com um espírito de brincar, os jogos, as brincadeiras, brinquedos são apenas uma forma de desenvolver um dom que lês já sabem, mas precisam praticar, para desenvolver seus conhecimentos e aprender cada vez mais com as situações do cotidiano, dia-a-dia ou escolar.

O jogo tradicional é aquele transmitido de forma expressiva de uma geração a outra, fora das instituições oficiais, na rua nos parques, nas praças, etc., e é incorporado pelas crianças de forma espontânea, variando as regras de uma cultura a outra (ou de grupo a outro): […] esses jogos são imitados ou reinterpretados, perpetuando- se sua tradição. (FRIEDMANN, 1996 pag.43)

Os professores apesar de estudarem e saberem da importância dos jogos tradicionais, não lutam para que isso seja considerado como contexto escolar. O professor para valorizar sua profissão tem que trabalhar para formar seus alunos pessoas produtivas e batalhadoras para um futuro melhor. Se o professor que é considerado como o “mestre” e não sabe quais são os fundamentos para seu conteúdo escolar, uma “aula livre” ou “jogo livre” acabará sendo sempre considerado uma atividade não produtiva.

Para que isso não ocorra é preciso que através desse problema do esquecimento dos jogos tradicionais, a única coisa que devemos fazer é lutar para resgata-los novamente, como já diz o nome “tradicional”, sendo uma tradição seu objetivo é passar de geração para geração, por isso não deve ser esquecido.

Seria muito bom que o período da infância continuasse a ser o domínio lúdico, do brinquedo, da brincadeira, enfim de criação de uma cultura da criança. Mas o que ocorre é que, até mesmo para a criança… as atividades lúdicas vêm sendo, cada vez mais precocemente, subtraídas do cotidiano. (MARCELLINO, 2002, pag.36)

Marcellino (2002) afirma que as brincadeiras coletivas são tão importantes para aprendizado da vida em grupo, além de diversão em si mesma, as crianças têm a oportunidade de aprendizagem e aprimoramento de habilidades manuais e intelectuais. Há própria industrialização, traz o trabalho e as obrigações dos pais, esse é o principal motivo que ocorre o furto do lúdico na infância.

A necessidade de brincar é independente de qualquer criança, o fundamental aspecto da importância é a criança conseguir realizar atividade gostosa e que dá prazer e traz felicidade. Através do prazer que a criança consegue sentir quando brinca possibilita a ela a vivencia da sua faixa etária e ainda contribui para sua formação como ser humano. O furto do lúdico ocorre através dos brinquedos industrializados sem nenhum fundamento, onde os pais preferem comprar brinquedos caríssimos a ensinar seus filhos a construir seu próprio brinquedo.

Carioni (Web) diz que os brinquedos sofisticados estão ocupando cada vez mais o lugar da construção do próprio brinquedo que antes as crianças construíam através de sua imaginação e através de sua fantasia, hoje os pais preferem comprar brinquedos sofisticados, com isso a criança perde sua liberdade de construção. O autor relata que hoje os brinquedos são tão sofisticados que as bonecas falam mamãe ou papai, vem da loja fazendo xixi, abrindo as mãos, beijando.

Segundo Coelho (Web), toda criança necessita de liberdade para realizar suas necessidade de brincar, principalmente em sua infância, muitos adultos tem a visão da  criança com um  ser em passagem, ou um adulto em formação, o que ela não é, a criança é um sujeito do presente e não um projeto do futuro, na sua infância ela necessita ser livre para explorar tudo que tem direito, brincar, imaginar, sonhar etc. Muitas crianças não têm essa liberdade, as crianças de classe média os pais se preocupam com sua formação para o futuro e as crianças pobres de periferia, trabalham para ajudar o sustento do lar, sem dizer que são mais expostas aos riscos da violência urbana, uso de tráfico de drogas, criminalidade e violência sexual.

Carioni (Web) afirma que existe muitos profissionais que trabalham com criança, e confirma que o brincar, brincadeira, brinquedo e jogo são sim uma forma de desenvolvimento e aprendizagem. Já o lúdico é a necessidade do corpo e da mente, fazendo parte das atividades essenciais do ser humano, ela se caracteriza por ser espontânea e satisfatória.

 ESCOLA X LÚDICO

O lúdico dentro do ambiente escolar facilita muito o aprendizado das crianças, pois através dele a criança desenvolve seu raciocínio mais rápido e consegue criar capacidade de ser um ser humano mais crítico, todos esses processos de aprendizagem são realizada através do lúdico, brinquedo e brincadeiras, a criança que não brinca corrompi uma fase da sua infância diminuindo seu processo de aprendizagem, desenvolvimento e criatividade, pois toda criança precisa e necessita de seu espaço para imaginar, criar enfim  desenvolver. A escola só tem a ganhar abrindo um espaço maior para desenvolver o lúdico dentro de seu ambiente escolar, pois através do lúdico também desenvolve a linguagem, podemos também inventar novas histórias, criar pulsares, e o mais interessante os sonhos, porque é brincando que elas sonham acordadas, brincando descobre riqueza da linguagem.

Existem várias realidades ocorridas dentro das escolas em geral, assim como a falta do lazer e do lúdico, a diferença entre o jogo e esporte, as atividades que necessitam serem satisfeitas, a transmissão do lúdico como meio de educar, fazendo que ocorram momentos de prazer e formando as atividades prazerosas.

Bruhns (2000, pag.88) nos chama a atenção para:

… tudo que se relaciona ao lúdico, ao tempo livre e ao lazer, historicamente, sempre ficou restrito a planos secundários, pelo fato de estar diretamente associado aos elementos da não produtividade, da espontaneidade, da possibilidade de opção pessoal, do tempo desobrigado etc…fazendo com que estes termos recebessem uma conotação de não seriedade, não prioridade e, até mesmo, de inutilidade.

Na opinião de Bruhns (2000), a valorização do lúdico deveria levar mais em consideração, porque através da liberdade, que se percebe a promoção da autoestima e o autoconhecimento. Bruhns afirma que incorporando o desenvolvimento de atitudes lúdicas. De qualquer forma a atividade haverá uma forma de aprendizagem assim como o lúdico tem sua habilidade de raciocínio e agilidade, o tempo livre faz com que a criança aprenda como se envolver individualmente, onde a criança consegue descobrir suas possibilidades de brincar e inventar. A reflexão que foi feita teve um objetivo de mudança e valorização que deve existir nas escolas em relação ao lúdico e o tempo de lazer.

Isso deveria levar mais em consideração, hoje o lúdico ainda é considerado em algumas escolas como meio de educar, mas ainda corre o risco de ser esquecido.

O lúdico enquanto meio de educar, entenda-se pela utilização de atividades prazerosas, com alto teor de motivação e inseridas em uma intencionalidade de buscar novos conceitos, numa mudança de comportamento do aluno representando uma aprendizagem associada aos conteúdos pré-estabelecidos pelo professor. (SANTOS-JR 2002, pag. 246)

Santos-Jr (2002), acha que o lúdico como um processo educativo, deveria ser um fim em si mesmo, no contexto, a criança poderia demonstrar através de suas atividades espontâneas e não dirigidas. O lúdico se relaciona com as brincadeiras, os jogos sendo um meio de divertimento e aprendizagem, o lúdico no ambiente escolar tem como maior objetivo à construção da criança para colher frutos que ela possa produzir e usufruir ao longo do seu trajeto e de sua qualidade de vida.

O lúdico no ambiente escolar é extremamente importante para ajudar com o comportamento dos alunos, esse papel não é importante apenas pelos professores de Educação Física, e sim todas as disciplinas deveriam utilizar o lúdico como chave para a mudança do comportamento. O lúdico não é utilizado somente para trabalhar na área recreativa, e sim utilizado como aprendizagem mesmo em aulas de Matemática, Português, etc. Através das atividades, existem formas de ensinar vários conteúdos diferentes. Esse não seria totalmente o papel do professor de Educação Física, mas ele também pode ajudar. O professor não tem a responsabilidade de ensinar conteúdos de outras disciplinas, afinal ele também tem seu próprio conteúdo.

Considerando ainda que a fase de ingresso escolar é a etapa principal da socialização e, que, se esta ocorre de maneira agressiva, traumática até esta criança sofrerá por muito tempo, talvez para sempre, poderíamos inferir que, possivelmente, sua inserção no convívio adulto, torna- se a restrita e limitada por situações análogas àquelas vivenciadas na infância. (SANTOS-JR, 2002, pag. 247)

Santos-Jr (2002), aponta o professor como condutor e precisa de conhecimento para ser facilitador das descobertas e das relações interpessoais, sabendo lidar com esses acontecimentos tornará esta experiência suave e prazerosa, transformando a ida à escola algo esperado e produtivo. O professor deve criar oportunidades que estimulem o desenvolvimento dessa criança, onde ela consiga pensar, relacionar, refletir e propor soluções a quaisquer situações que lhe sejam apresentadas.

A criança como ser humano é um ser extremamente sensível, fácil de traumatizar. Muitas crianças ficam ansiosas para ingressar à escola, mas quando chega o primeiro dia de aula se decepciona com o ambiente. Nenhuma criança ao ingressa na escola, gosta de ter responsabilidade, muitos estão acostumados com a vida de brinquedos e brincadeiras, por isso que a maioria das crianças prefere no ambiente escolar as aulas de Educação Física. Tendo uma grande diferença entre as formas de jogo e esporte que estão se envolvendo na área da educação infantil. Bruhns (1993, pag.45)

afirma que “Vários autores deixam transparecer a dificuldade em diferenciar atividade lúdica ou jogo de um esporte. Percebe-se quase uma transposição do jogo ao esporte, confundindo e misturando as particularidades dessas duas atividades.”

 Para Bruhns (1993), existe várias coisas que diferencia o esporte e o jogo, no esporte é usada certas restrições pré-determinadas como imposição de regras, modelos, busca de rendimento, recordes, medalhas, juízes, capitães, etc. Todos esses itens caracterizam aparentemente o esporte. Já a atividade lúdica apresenta componente como a espontaneidade, a flexibilidade, o descompromisso, a criatividade, a fantasia, a expressividade e etc.

O esporte se enquadra mais na preocupação que é voltada para a quantidade do que para qualidade de vida, do “ter” em detrimento do “ser”. O esporte hoje demonstra mais o interesse de mídia ou dinheiro, do que ser uma pessoa saudável e ter uma boa qualidade de vida. Muitos ainda preferem esporte que os jogos.

Bruhns (1993) acha que a   competição é inerente ao homem e constitui numa característica lúdica, a competição é um elemento prevalecente em um determinado tipo de jogo, não em todos, não se apresenta de forma acirrada como no esporte, que os jogadores necessitam de um caráter de compromisso.

As atividades lúdicas ou jogos são menos obrigatório da necessidade de vencer, possibilitando a união de todos os participantes para alcançar um objetivo comum, ajudando os participantes compreenderem o jogo ou o esporte não necessita apenas ser o vencedor, e sim a participação em grupo. Para finalizarmos o assunto iremos abordar novamente a atuação da escola em relação ao ensino infantil que veio minimizar de certa forma as atividades nas escolas.

Santos-Jr (2002, pag.56) nos demonstra que:

Os sociólogos abordam como principal problema da educação, a questão social. Defende, ainda, que de acordo com a realidade social, quanto um todo, diferente será a atuação da escola, como cumpridora de suas funções somente no início do século XX, surge a figura das férias escolares para o ensino infantil, o que veio minimizar, de certa forma, as frequentes críticas à atividade escolar, pela falta de abertura para a vida, revelando simultaneamente o aspecto pedagógico e higiênico das férias e do lazer fato que  estimulou o surgimento das colônias de férias e movimento escoteiro. Percebo que o jogo e o brincar constituem- se numa necessidade a ser satisfeita, não apenas por momentos de diversão. Mas porque este depende da forma de como a criança vivencia o seu brincar.

De acordo com Santos-Jr (2002), a maior preocupação é a questão social, e com a atuação da escola em relação a função de educar os alunos, ou seja, sendo cumpridora de suas funções.

A escola deve partir dos esquemas de assimilação da criança propondo atividades desafiadoras que traz os desequilíbrios e reequilibrados sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento.

Ao decorrer do tempo os pais estão isolando seus filhos colocando regras e limites. Existe sim certa regra que devemos impor para os filhos, mas em relação ao brincar, devemos deixar eles com toda liberdade para escolher suas brincadeiras. Muitos pais também se preocupam com muitas coisas insignificantes como “vai brincar um pouco, mas não quebre nada, nem suje o chão ou machuque o nariz”. A criança necessita do brincar e para isso deve ter certa liberdade.

Machado (Web), também complementa que o brincar na educação, faz com que desenvolva na criança sua autoestima, autoconfiança, o senso crítico, da visão do mundo quanto ao desenvolvimento da criança. O brincar não faz apenas parte da vida da criança, mas sim porque a criança necessita do brincar, pois é através dele que ela desenvolve seus aspectos sociais e culturais.

Na opinião de Oliveira (Web) a escola é algo muito importante na formação da criança, por isso que sua ida a escola está sendo mais cedo. Para a criança não causar um impacto, é necessário que a escola desenvolva dentro do ambiente escolar um espaço maior com brinquedo e brincadeiras, só assim a criança não irá sentir a troca de ambiente muito repentina. Existem tipos de brincadeiras que dão certa oportunidade para a criança liberar seus desejos, sua criatividade e principalmente mudar magicamente as situações de sua imaginação.

METODOLOGIA

O estudo realizado foi sobre “A importância do lúdico e do brinquedo para as crianças da ensino infantil” esse tema foi desenvolvido nas escolas municipais da cidade de Penápolis, Glicério, Braúna, Birigui, Buritama e Araçatuba, onde foram entrevistados 15 professores durante os meses de setembro e outubro de 2016.

Esse artigo foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica onde foram utilizados vários livros de autores diferentes. O estudo bibliográfico foi associado a uma pesquisa de campo, sendo uma pesquisa qualitativa, de cunho transversal, contendo nas entrevistas três questões abertas, sendo utilizada a técnica de Análise de Conteúdo (AC) através do Protocolo de Bardin (1977) para a interpretação dos resultados.

RESULTADOS E ANÁLISE

O estudo realizado foi sobre “A importância do lúdico e do brinquedo para as crianças do ensino infantil” esse tema foi desenvolvido nas escolas municipais da cidade de Penápolis, Glicério, Braúna, Birigui, Buritama e Araçatuba, onde foram entrevistados.

15 professores durante os meses de setembro e outubro de 2016.

Esse artigo foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica onde foram utilizados vários livros de autores diferentes.

 O estudo bibliográfico foi associado a uma pesquisa de campo, sendo uma pesquisa qualitativa, de cunho transversal, contendo nas entrevistas três questões abertas, sendo utilizada a técnica de Análise de Conteúdo (AC) através do Protocolo de Bardin (1977) para a interpretação dos resultados.

Em relação à questão1, que relata sobre a concepção do lúdico obtivemos 23,4% dos entrevistados que afirmaram que o lúdico se relaciona com jogos e brincadeiras, 10% conclui mas também tivemos um resultado bom que mostra que o professor sabe o significado da palavra lúdico, tendo assim 23,4% da resposta que diz que o lúdico é relacionado a jogos e brincadeiras.

A questão 2 aborda sobre como o lúdico se manifesta em suas aulas, os que o lúdico se relaciona com regras simples, 20% dos professores relata que o lúdico é uma forma de socializar, 16,7% chegaram a uma conclusão que o lúdico é uma forma de educar com prazer, 3,3% afirma que o lúdico faz parte da vida. Foram encontradas em outras respostas uma diversidade, professores entrevistados responderam 47,4% que o lúdico se manifesta através de jogos e brincadeiras, 5,2% como raciocínio lógico, 15,8% responderam que o lúdico se manifesta através de atividades motoras,31,6% obteve respostas evasivas. A questão conclui que de acordo com a concepção das tais elas afirmam 6,7% que o lúdico é liberdade, 3,3% atividade física com prazer, 6,7% responderam criatividade, 3,3% diversão, 3,3% fuga da monotonia escolar, 3,3% desenvolvimento motor. Podemos analisar nessa questão que houve uma porcentagem grande de respostas diversificadas, lúdico, os professores não só sabem seu significado, mas dizem realizá-los em suas aulas. Chamamos a atenção para a grande porcentagem que obtivemos de respostas evasivas, isso demonstra que existem professores que não sabem relatar como o lúdico se manifesta em suas aulas.

Na questão 3 que relata como o professor acredita que a escola poderia ser um ambiente mais lúdico, tivemos 22,2% que afirmaram que seria através de ensinar brincando, 16,7% materiais lúdicos, 5,5% jogos com regras, 16,7% dos professores afirmam que é necessário uma reciclagem de professores, 16,7% reclamam do espaço para trabalhar, 22,2% dizem que para a escola tornar um ambiente mais lúdico é necessário mudar o projeto pedagógico. Pode- se afirmar que obtivemos uma porcentagem grande que afirma que para o ambiente se tornar mais lúdico é necessário ensinar brincando, mas podemos analisar que os professores relatam que para isso ocorrer é necessário mudar o projeto pedagógico, melhorar o espaço para a realização das atividades enfim realizar uma reciclagem de professores. Isso nos mostra que a escola exige o ensinar, mas não fornece aos professores um recurso para que se realize essas atividades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que assim apesar da teoria, o estudo demonstrou uma diversidade grande de entendimento acerca do lúdico por parte dos entrevistados, além de uma dificuldade dos entrevistados em relacionar sua prática com os aspectos lúdicos. Na teoria foi possível analisar que existem muitos benefícios existentes através da realização de atividades lúdicas, a construção do próprio brinquedo, jogos e brincadeiras, muitos autores afirmam que o lúdico, o brinquedo, a brincadeira faz a criança aprender brincando e faz também através dessas atividades é possível formar um ser humano mais crítico.

Sob o aspecto da viabilidade das ações lúdicas no ambiente escolar, observamos que o lúdico poderia ser mais valorizado se houvesse uma mudança na prática do professor e da Escola através de propostas realmente postas em prática pelo seu Projeto Pedagógico.

A preocupação maior que podemos destacar foi a grande porcentagem de respostas evasivas e equivocadas quanto a forma de aplicação de vivências lúdicas por parte dos professores na segunda questão.

Esperamos com este estudo contribuir para um caminhar pedagógico em busca de melhores condições para nossas crianças no que tange a alegria e motivação de estar no ambiente escolar e rico de vivências significativas de aprendizagem.

POR: FABIANA C. CARVALHO